Segmento produtivo exige ajuste dos tetos do Simples Nacional para todas as categorias do regime

Segmento produtivo exige ajuste dos tetos do Simples Nacional para todas as

Durante uma audiência pública da Comissão Especial responsável por analisar o Projeto de Lei Complementar (PLP 108/2021), que atualiza o limite máximo de faturamento permitido para microempreendedores individuais (MEIs), o setor produtivo cobrou, nesta quarta-feira (1º), a revisão do teto de receita para as demais faixas do Simples Nacional. Para garantir que a revisão não dependa exclusivamente da vontade política, empresários também defenderam a inclusão de um dispositivo de reajuste automático anual baseado na inflação.

Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) e da Associação Comercial de SP (ACSP), afirmou categoricamente que o empresariado rejeita a ideia de aprovar apenas a correção para MEIs.

“Se não incluírem também a mesma correção para o Simples Nacional, nós, do mundo associativo, das micro e pequenas empresas, das 23 milhões de empresas instaladas no Brasil, não vamos aceitar. Faremos a maior mobilização possível para impedir a aprovação deste projeto, que só deve ser aprovado se também contemplar o Simples Nacional”, alertou o executivo.

Apesar das críticas, representantes do setor privado ficaram satisfeitos com a elevação do teto de receita para o MEI, mas esperam negociações abrangendo todo o regime simplificado, criado para facilitar a arrecadação de impostos em uma única guia centralizada. Setores como comércio e indústria também participaram da audiência e reforçaram as reivindicações mencionadas pela CACB.

Além de elevar o teto da categoria para R$ 144,9 mil anuais, empresários defendem a atualização dos limites das microempresas para R$ 869,4 mil e das empresas de pequeno porte para R$ 8,69 milhões. Os limites de faturamento vigentes desde 2018 são:

  • R$ 81 mil por ano para o Microempreendedor Individual (MEI)
  • R$ 360 mil para microempresas (ME)
  • R$ 4,8 milhões para empresas de pequeno porte (EPP)

Proposta alternativa

A audiência também marcou o início da análise do projeto alternativo (PLP 186/2026) enviado pelo governo federal, que atualiza o teto de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs). A comissão especial avalia a medida, que prevê aumento gradual do teto da categoria para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de autorizar a contratação de até dois funcionários por CNPJ, sem abordar o Simples Nacional.

Mais detalhes sobre tetos do Simples Nacional

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte entregou a proposta diretamente à presidência da comissão especial. Segundo Paulo Henrique Pereira, a atualização atende a uma demanda do setor ao corrigir uma defasagem inflacionária de quase uma década, beneficiando cerca de 17 milhões de MEIs no país.

“É importante esse escalonamento para que o governo possa se adaptar e realizar um movimento que atenda a esta demanda, que é meritória e correta: o reajuste do teto, que há 10 anos não é feito, não foi realizado pelos presidentes anteriores, e está sendo feito agora pelo presidente Lula. Mas não pode ser feito de forma precipitada, causando prejuízo fiscal e desestabilizando as contas do país”, ressaltou o chefe da pasta.

Diálogo

Após a audiência, o ministro se declarou aberto ao diálogo para alcançar uma solução negociada. No entanto, destacou que, enquanto o impacto fiscal da atualização dos limites para microempreendedores é estimado em R$ 2 bilhões, a revisão de todas as faixas do Simples Nacional pode custar R$ 50 bilhões aos cofres públicos.

A mediação está sob responsabilidade do deputado federal Jorge Goetten (Republicanos-SC). Relator do texto na comissão especial, o parlamentar percebe boa vontade do governo no debate e reconhece o compromisso com a saúde fiscal do país, mas vê espaço para melhorias na proposta do Executivo, argumentando que a atualização de todo o regime simplificado pode gerar mais recursos para a economia, além de ser um direito do setor privado.

“A resistência no momento em relação à atualização do Simples é baseada na responsabilidade e é bem entendida por nós. Acredito que a equipe econômica deve, sim, manter essa responsabilidade frente às contas públicas. Porém, estamos demonstrando, e podemos mostrar para a equipe econômica, que não estamos falando em renúncia fiscal ou impacto negativo nas finanças, apenas numa atualização, na reposição da inflação desse período”, destacou o deputado.

O planejamento é apresentar o relatório até a segunda semana de julho, antes do recesso parlamentar. Como um requerimento de urgência para a matéria já foi aprovado, a votação em plenário pode ocorrer assim que o colegiado liberar o parecer.

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Fonte: brasil61.com

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