Reunião em Natal (RN) discute tecnologia, descarbonização e novas oportunidades para a indústria do Brasil

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O avanço tecnológico, as oportunidades geradas pela transição energética e a busca por novos mercados abrem caminho para aumentar a competitividade da indústria brasileira. Esses temas estiveram em destaque no Encontro Nacional dos Jovens Industriais (ENAJI) 2026, realizado em outubro, em Natal, Rio Grande do Norte.

Durante três dias, empresários, sucessores, gestores e empreendedores de várias regiões do país compartilharam experiências e debateram estratégias relacionadas a planejamento empresarial, liderança feminina, inteligência artificial, descarbonização, exportações e à Nova Indústria Brasil (NIB).

O estado do Rio Grande do Norte foi escolhido para sediar as discussões por concentrar oportunidades em áreas como energias renováveis e produção de sal marinho, setor que responde por cerca de 95% do volume nacional, conforme dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Planejamento e gestão orientam a sucessão empresarial

O evento contou com a palestra “Planejamento estratégico, cultura e gestão”, ministrada por Marcos Marques, fundador e CEO do Grupo Acelerador. Ao perguntar ao público “Você está planejando falhar?”, ele chamou a atenção para os riscos de administrar uma empresa sem metas claras, indicadores de desempenho e ações alinhadas às prioridades do negócio.

Para Marques, estabelecer objetivos não é suficiente; é preciso envolver os profissionais e transformar as estratégias em ações concretas. “O grande desafio é mobilizar as pessoas”, enfatizou.

A conversa também abordou o papel dos sucessores em empresas familiares, que devem demonstrar habilidades de gestão e assumir responsabilidades focadas em resultados mensuráveis.

Participação feminina vai além da representatividade

Os desafios das mulheres na indústria foram tema de uma mesa-redonda conduzida por Déborah Sayonara, gestora de Oportunidades e CEO da Matersol. Participaram do debate Lua Andrade, CEO da Elas Vida Leve; Mônica Monteiro, presidente do Fórum da Mulher Empresária da CNI; Polyanna Alves, superintendente da Neoenergia Cosern; e Conceição Praxedes, CEO da Refimosal e presidente do Simorsal.

As participantes discutiram a conciliação entre desempenho financeiro, inovação, propósito empresarial e gestão de equipes. Polyanna ressaltou a importância de integrar essas áreas, enquanto Lua Andrade defendeu que os valores organizacionais devem estar ligados a resultados que garantam a continuidade do negócio. “O propósito é importante, mas o propósito por si só não basta”, afirmou.

Mônica Monteiro chamou atenção para a necessidade de aproveitar oportunidades profissionais e assumir riscos, destacando que a presença feminina em eventos e documentos institucionais não significa necessariamente a participação nas decisões. “Colocar a mulher em fotografias é uma coisa; ouvi-la e sentá-la à mesa é outra”, ressaltou.

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Conceição Praxedes enfatizou o conhecimento técnico como elemento crucial para consolidar a autoridade das mulheres no setor industrial. “É preciso comprovar conhecimento com o dobro de precisão para impor autoridade”, destacou.

As discussões evidenciaram que o fortalecimento da liderança feminina depende de reconhecimento profissional, autonomia econômica e acesso efetivo aos espaços de decisão.

Inteligência artificial pode aprimorar processos industriais

As possibilidades de aplicação da inteligência artificial e os cuidados para sua implementação foram abordados por Gustavo Sant’ana, engenheiro de Inteligência Artificial da Oracle, e Alberto Kastro, estrategista em IA Aplicada, no painel “Inteligência Artificial e Novas Tendências”.

Sant’ana apresentou a evolução da tecnologia, desde modelos preditivos até agentes capazes de planejar ações e executar tarefas automaticamente.

No setor industrial, essas ferramentas podem ser usadas em inspeções visuais com drones, controle de qualidade, manutenção, gestão de suprimentos e planejamento logístico. “O benefício real está em garantir qualidade, reduzir o tempo e melhorar o custo do processo”, explicou Gustavo.

Os especialistas também destacaram a necessidade de proteger informações e estabelecer regras para o uso das ferramentas, como classificação de dados, controle de acessos, soberania das informações e rastreabilidade das operações.

Foi recomendada a integração da inteligência artificial à rotina das empresas baseada em necessidades específicas, com a participação das lideranças e profissionais de diversas áreas, para evitar adoção sem propósito e concentrar esforços em soluções que agreguem valor.

Transição energética depende da competitividade

O potencial brasileiro para desenvolver soluções de baixo carbono foi o foco da mesa-redonda sobre descarbonização. O debate contemplou oportunidades em eficiência energética, armazenamento de energia, biocombustíveis, economia circular e modernização industrial.

Mediada por Lorena Roosevelt, head do Polo Sebrae de Energias Renováveis, a discussão contou com Rodrigo Mello, diretor regional do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), e Jansen Martins Lopes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Energias da Petrobras.

Rodrigo Mello destacou que a disponibilidade de recursos naturais deve estar acompanhada por condições econômicas viáveis. “Além de ser renovável, a energia precisa ser competitiva”, afirmou.

Jansen apresentou iniciativas da Petrobras em biocombustíveis, baterias, captura de carbono, geração renovável e eletrificação de operações. Para ele, a transição energética será resultado da combinação de diversas tecnologias. “Não existe bala de prata. Pesquisamos várias formas para entender quais se compõem”, disse.

A discussão destacou também o papel da pesquisa, da qualificação profissional e da cooperação entre empresas, universidades e centros de inovação. A expectativa é que a redução das emissões venha acompanhada de maior eficiência, redução de custos, fortalecimento da cadeia de fornecedores e acesso a novos mercados.

Exportações exigem planejamento e diversificação

As estratégias para ampliar a presença do Rio Grande do Norte no mercado internacional foram debatidas no painel “Mercado externo: atuação do RN e tendências de crescimento”. Participaram Ulisses Medeiros (ApexBrasil); Arimar França Filho (Produmar e SindiPesca RN); Luiz Eduardo Simas (Sam’s) e Antônio Carlos Osório (Salinor).

Entre os temas abordados estiveram a preparação para exportação, certificações, diversificação dos mercados e adaptação às exigências comerciais.

Simas destacou a busca por novos destinos frente às alterações tarifárias. Já Osório relatou o crescimento da Salinor, que passou de cerca de 50 mil toneladas de sal exportadas nos anos 2000 para aproximadamente 1 milhão de toneladas anuais.

“Talento é importante, mas não suficiente. Quem quer exportar ou ampliar negócios precisa trabalhar com dedicação, pensar grande e cuidar dos detalhes”, afirmou Osório.

Neoindustrialização demanda inovação e novas lideranças

A relação entre mudanças tecnológicas, cenário geopolítico e questões climáticas esteve presente na palestra final “Liderança para os desafios inéditos da NIB”, conduzida por Alex Marson, idealizador da Neolideranças.

Ele defendeu adaptações nos modelos de gestão para acompanhar as transformações que impactam a indústria, ressaltando que a neoindustrialização inclui inovação, desenvolvimento de competências tecnológicas e cooperação empresarial.

Marson destacou o potencial brasileiro em energias renováveis e a necessidade de agregar conhecimento e tecnologia para promover desenvolvimento. Preparar lideranças capazes de conduzir mudanças é um dos desafios do setor.

Fórum anuncia nova denominação e próxima edição em Cuiabá (MT)

No encerramento do ENAJI 2026, representantes das entidades organizadoras e líderes industriais avaliaram os resultados e apresentaram os próximos passos do movimento.

Roberto Serquiz, presidente do Sistema FIERN, ressaltou o valor da troca de experiências para preparar empresários e sucessores aos desafios da indústria. “Essa conexão fortalece a preparação de todos e aumenta a eficiência e a competitividade da indústria”, afirmou.

Djalma Júnior, presidente da FIERN Jovem e anfitrião do evento, atribuiu o sucesso da edição potiguar ao trabalho coletivo e destacou a importância do compartilhamento de conhecimento entre líderes estaduais. “Conhecimento deve ser ensinado e compartilhado. Talvez esse seja o maior propósito do movimento nacional: integrar estados e trocar experiências”, afirmou.

“O ENAJI é um momento de conexão, aprendizado e disseminação do desenvolvimento industrial brasileiro. Nenhuma empresa cresce sem uma boa governança, novas tecnologias, melhoria do parque fabril e desenvolvimento das pessoas”, complementou.

Apoiando a iniciativa e destacando a visão institucional, Sarah Saldanha, superintendente nacional do IEL, afirmou que a indústria do futuro terá líderes que enxergam temas de fronteira, descarbonização, inovação e transformação da inteligência artificial em vetor de crescimento.

“Por isso eventos como o ENAJI promovem esta reflexão. Novos líderes de todo o Brasil se reúnem para discutir experiências, ouvir casos, trocar conexões e pensar na indústria do amanhã”, disse.

Diana Castro, presidente do Fórum Nacional dos Novos Líderes Industriais, ressaltou as conexões geradas durante o evento. O encontro reuniu representantes de 17 estados, sendo o fórum composto por 50 membros e 25 federações da indústria.

“O ENAJI vai além do networking e capacitação. É um espaço de construção coletiva com novas lideranças de todo o Brasil, com muita troca de experiências e fortalecimento dessas lideranças, que serão responsáveis pelo desenvolvimento industrial nas próximas décadas”, destacou.

A dirigente anunciou que, a partir de 2027, o evento passará a se chamar Encontro Nacional das Novas Lideranças Industriais. A mudança visa ampliar a participação de profissionais em posição de liderança no setor. “Não estamos aqui só para assistir às transformações, mas para liderá-las”, enfatizou.

A próxima edição será em Cuiabá, organizada pela Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT). Thayla Trentin, do conselho de novas lideranças da federação, convidou os participantes a manterem a articulação nacional.

Com o encerramento da edição de Natal, o movimento segue com a proposta de aproximar lideranças de diferentes estados, compartilhar experiências e preparar empresários e sucessores para os desafios da indústria brasileira.
 

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