A manhã desta quarta-feira, 4, foi dedicada à informação e à superação de tabus no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) União. Participantes do grupo Cabelos de Prata assistiram a uma palestra sobre o Novembro Azul, com orientações sobre a saúde masculina, prevenção de doenças e a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata.
O Novembro Azul é uma campanha global voltada para a conscientização sobre a saúde do homem, com ênfase na prevenção e na detecção precoce do câncer de próstata. A ação procura desmistificar receios que afastam muitos homens dos exames e reforça a importância de hábitos saudáveis, acompanhamento médico regular e diálogo aberto sobre o assunto.
A técnica de enfermagem Sara Rodrigues conduziu a atividade e ressaltou que o câncer de próstata não é a única preocupação da saúde masculina. Ela chamou a atenção para o aumento dos casos e para a necessidade de procurar atendimento sem vergonha.
“Trouxemos dados e informações sobre o crescimento do número de casos para incentivar os idosos a buscar atendimento, porque a saúde do homem muitas vezes é deixada de lado. Muitos evitam o médico por medo ou preconceito, e isso pode ser perigoso. Nosso objetivo é mostrar que cuidar da saúde é um ato de coragem e que o diagnóstico precoce salva vidas”.
Aos 74 anos e participante do Cabelos de Prata há quatro, Arlindo Vieira fez um apelo direto aos colegas: o preconceito pode ser fatal e não deve impedir o autocuidado.
“É um preconceito machista que vem de gerações atrás. Muitos têm medo do que os outros vão pensar se procurarem um médico. Mas a responsabilidade pela minha saúde é minha. Se houver histórico familiar, não espere até os 50, 60 ou 70 anos. A partir dos 40, procure o médico e faça os exames. Mesmo que alguém diga que você está ficando doido, vá. O preconceito mata, destrói, acaba com tudo. Deixe isso de lado e cuide da sua vida”.
Ele também relatou sua experiência com os exames, enfatizando que o toque e o acompanhamento médico não diminuem a masculinidade de ninguém.
“Fiz meu primeiro exame em 2016, em Manaus, e meu PSA estava em 10,5 ng/mL. O médico passou um medicamento e orientou mudanças na alimentação. Fiz o acompanhamento anual e, em 2024, aqui em Boa Vista, meu PSA caiu para 4,8. Os homens precisam deixar o machismo de lado. Muitas pessoas acham que fazer o exame tira a masculinidade, mas isso não é verdade”.
Antônio Lima, de 76 anos e membro do projeto há oito, compartilhou sua rotina de prevenção e reforçou que o acompanhamento deve começar cedo.
“Fiz o exame aos 50 anos e minha próstata estava aumentada. Iniciei o tratamento e acompanho regularmente. Recentemente fiz duas tomografias e, graças a Deus, deu tudo normal. Peço que todo mundo se cuide. Há muitos homens que não querem fazer os exames, e isso não tem relação com orientação sexual”.




