Em um ambiente de escuta ativa e aprendizado mútuo, a Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal (GCM) promoveu nesta terça-feira, 19, uma palestra de sensibilização voltada aos integrantes do Cabelos de Prata sobre os direitos das vítimas e os mecanismos de combate à violência contra a mulher. A ação ocorreu no Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) do bairro Sílvio Leite.

A guarda municipal Hianyny Martins foi uma das palestrantes e destacou que ações como essas reforçam o compromisso em romper ciclos de violência por meio do conhecimento e do acolhimento, desvendando situações que muitas vezes são ignoradas entre os idosos.
“Essas palestras visam dar apoio às vítimas, fornecendo mais informações e recursos. Muitos não sabem o que é uma violência patrimonial, por exemplo, quando um filho ou outro familiar pega o cartão do banco, sabendo que isso irá prejudicar diretamente aquele idoso. Mesmo nesse tipo de violência, a vítima pode e deve solicitar medida protetiva. A legislação protege contra qualquer forma de agressão, não apenas a física. Ao trazer esse tipo de informação, as pessoas se tornam mais fortes para denunciar”, explicou.

Dona Lia Porto, de 67 anos, integrante há 3 anos do Cabelos de Prata, destacou que essas palestras contribuem para a transformação. Ela, que já vivenciou um passado de sofrimento, garante que medidas como a Lei Maria da Penha representam um farol de esperança para muitas mulheres.
“É a quarta palestra que participo e a Lei Maria da Penha é uma ótima legislação, pois ajuda muitas mulheres que passam por violência. Antigamente, eu morava em uma região onde não havia como denunciar e eu dependia do agressor, pois não trabalhava e tinha filhos pequenos. Tive que suportar muitas coisas por causa deles. Hoje, graças a Deus, não passo mais por isso e sei identificar quando as coisas estão indo longe demais”.

Integrante do projeto há 2 anos, seu Edmilson Costa, de 67 anos, comentou que as mulheres estão se tornando mais independentes dos homens e ressaltou que a insegurança masculina é uma das principais raízes da violência doméstica.
“Por muito tempo, a mulher foi bastante dependente. Quando um homem percebe que não é mais assim como ele quer, isso causa ciúmes e, com isso, vêm as agressões verbais e físicas. Eles precisam entender que as mulheres também têm um lugar no mundo. Quando as pessoas se casam, é esperado que sejam felizes com seus parceiros e não viver em um ambiente de conflitos”, disse.

CABELOS DE PRATA – O projeto foi implantado em 2001 e atende idosos a partir de 60 anos, atualmente com mais de 1.500 integrantes no município. Cada CRAS é responsável pelo planejamento de atividades recreativas e associativas de esporte, lazer, cultura e dança. O foco é contribuir para o envelhecimento saudável, o desenvolvimento da autonomia, a prevenção de riscos sociais e o fortalecimento dos vínculos familiares e do convívio comunitário.
*Supervisionado por Shirleia Rios*
Fonte: Prefeitura de Boa Vista – RR