Existe um fio invisível que costura as tradições de um povo. Ele atravessa as mãos de quem modela o barro, confecciona colares, retoca pinturas, costura bolsas e cria inúmeras outras peças. Nesta sexta-feira, 19, na Praça Fábio Marques Paracat, esse fio se manifesta em cada peça da Feira de Artesanato, um dos espaços do Boa Vista Junina 2026, onde o talento assume forma, cor e textura.
O apoio da prefeitura, por meio da Agência Municipal de Empreendedorismo (AME), se traduz em estrutura, organização e reconhecimento para quem transforma criatividade em trabalho. A feira reafirma-se como uma vitrine viva da identidade local. Cada compra vai além de uma simples troca comercial: é um ato de valorização e de afirmação da cultura regional.

As conversas entre as barracas revelam histórias que acompanham cada objeto. A manauara Sigrid Braga conheceu o artesanato na adolescência, incentivada pela mãe. Aos 56 anos, com três décadas de experiência, ela ressalta o valor de participar da feira.
“Sou de Manaus e moro em Roraima há 10 anos. Boa Vista é acolhedora e oferece muitas oportunidades. A prefeitura abriu portas para artesãos e microempreendedores que hoje conseguem seu sustento. Sou beneficiária da AME, que nos possibilita investir no negócio, e isso faz toda a diferença”.

Sob a iluminação da lona, outra artesã movimenta as mãos e atrai olhares. Rosiana Silva trabalha com crochê há 20 anos; sua trajetória mostra como uma habilidade adquirida pode definir uma vida.
“Quando eu era criança, minha tia fazia crochê e me despertou a vontade de aprender, mas eu só sabia o básico. Já adulta, ao comandar um restaurante, vi uma funcionária crochetar nas horas vagas e pedi que ela me ensinasse. No início foi difícil; lia revistas e fui aperfeiçoando a técnica. Hoje executo tudo de cabeça e o crochê é minha principal fonte de renda. Tenho agora um ponto fixo. A AME me apoiou, frequento palestras e participo dos arraiais. É tudo muito importante”.

Enquanto a festa acontece ao redor, muitos param nas bancas para observar com calma. Em sua primeira visita a Boa Vista, a turista curitibana Andressa Jarletti adquiriu peças artesanais e provou o tacacá roraimense. Para ela, a experiência traduz a emoção de participar de um evento tão especial.
“Cheguei aqui nesta madrugada. Nunca tinha vindo a Boa Vista e estou adorando. O arraial é muito bonito e oferece grande variedade de comidas e artesanato. Estou tomando tacacá novamente — já tinha provado quando fui ao Pará. Comprei uma bolsa linda e um brinco maravilhoso. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e isso é muito bacana”.

Alguns visitantes vêm com um objetivo que ultrapassa o consumo imediato. Alexandre Tabal acredita que cada compra ajuda a fortalecer sonhos, gerar renda e impulsionar pequenos negócios.
“Contribuir com a economia do pequeno empresário e do produtor local é muito gratificante. A diversidade do comércio reflete a riqueza da nossa população. Pode parecer simples, mas para eles e para a comunidade tem grande significado. Comprei um cordão muito bonito. É um incentivo para que esses produtores e empreendedores continuem desenvolvendo seu trabalho, sobretudo no artesanato, uma produção manual carregada de cultura”.

*Supervisionado por Shirleia Rios*




