Os consumidores brasileiros estão prontos para impulsionar o comércio no Dia das Mães deste ano, demonstrando preferência pelas lojas físicas e aumento no valor gasto em presentes. Essa é a conclusão de uma pesquisa de intenção de compra realizada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em parceria com a PiniOn, com 1.643 participantes de todo o país.
No total, 45,8% dos entrevistados afirmaram que planejam comprar presentes para as mães este ano, enquanto 31,9% não pretendem consumir neste período. Outros 22,3% ainda estão indecisos.
De acordo com o levantamento, entre os consumidores que planejam presentear, 62,1% preferem realizar as compras presencialmente em lojas físicas. Desse grupo, 41,6% priorizam pequenos comércios, destacando a importância do comércio local e de bairro — comportamento semelhante ao registrado em 2025.
Consumidor pretende gastar mais
A pesquisa também indica um aumento na disposição para gastar. Entre os consumidores que comprarão em 2026, 39,1% pretendem investir mais do que no ano anterior, enquanto 33% planejam reduzir o valor dos presentes.
A faixa de gasto predominante também cresceu. Atualmente, 77,6% das intenções de compra estão entre R$ 50 e R$ 750. Em 2025, esse intervalo variava entre R$ 50 e R$ 600, mostrando um avanço no ticket médio, ainda que dentro de valores acessíveis.
Vestuário lidera preferência
Os segmentos de vestuário, calçados e acessórios dominam as intenções de compra, mencionados por 50,5% dos consumidores. Em seguida, aparecem perfumaria e cosméticos, com 43,2%, e chocolates e flores, com 29,5%.
Nos itens individuais, os produtos de menor valor continuam em destaque. O chocolate é o presente mais buscado, com 14,5% das preferências, mantendo sua relevância mesmo após a Páscoa.
Por outro lado, produtos de maior valor agregado perderam espaço. Móveis e eletrodomésticos representam 20,7% das intenções de compra, enquanto eletrônicos somam 11,5%. Juntos, esses segmentos caíram para 32,2%, contra 38,4% registrados em 2025. Conforme a pesquisa, esse cenário reflete o impacto dos juros elevados e do alto nível de endividamento das famílias.
Pagamentos à vista predominam
A forma de pagamento também acompanha esse comportamento mais cauteloso do consumidor. O levantamento aponta predominância dos pagamentos à vista — em dinheiro, cartão de débito ou PIX — e menor interesse em parcelamentos na maioria das categorias.
O crédito continua presente apenas nas compras de maior valor, como eletrodomésticos e viagens.
A antecipação do 13º salário não deverá ter um impacto significativo nas vendas. Conforme o levantamento, 69,6% dos entrevistados afirmaram que não pretendem usar essa verba nesse período.
Estratégias para impulsionar as vendas
Em Brasília (DF), a loja Eleni Costa Calçados já observa aumento na procura por presentes para o Dia das Mães, especialmente sapatos e bolsas de couro. Conforme a proprietária, Eleni Costa, o valor médio das compras varia entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil, e o parcelamento no cartão de crédito é o meio de pagamento mais comum.
Para atrair clientes, a empresária investe em promoções e sorteios.
“Para o Dia das Mães, vou realizar um sorteio com vários presentes para quem comprar na loja: botox, diária em hotel fazenda, R$ 300 em compras na minha loja, óculos, escova, sobrancelha para mãe e filha”, explica.
O especialista em empreendedorismo, Rafic Júnior, destaca que o Dia das Mães é a segunda data mais importante do varejo brasileiro, ficando atrás apenas do Natal, e aconselha os lojistas a focarem em estratégias emocionais e no relacionamento com clientes.
- Deixe de vender produtos e comece a vender emoções
“Ninguém compra um perfume, compra um abraço que vem junto. Ninguém compra um jantar, compra a memória que ficará. Sua comunicação precisa transmitir isso”, orienta.
- Crie urgência real, não falsa
“Estoque limitado, atendimento com hora marcada, entrega garantida até sábado. Isso é urgência verdadeira. O cliente moderno percebe quando você está enganando, quando está blefando. Seja honesto e rápido ao comunicar seus diferenciais”, recomenda.
- Estimule quem já conhece sua marca antes de buscar novos clientes
“Quem são os clientes que já te conhecem e já compraram de você? Ali está o cliente com a carteira aberta. Ele já te conhece, confia em você. Aproveite para pedir indicações, vender algo, oferecer oportunidades e promoções. Na sua lista de WhatsApp, há contatos de quem já comprou de você? Envie uma mensagem personalizada, uma oferta exclusiva. Isso converte muito mais rápido”, aconselha.
“Taxa rosa” preocupa consumidoras
Neste Dia das Mães, a presidente nacional do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), Ana Claudia Badra Cotait, chama a atenção para a chamada “taxa rosa” — prática na qual produtos destinados ao público feminino apresentam preços mais altos que os equivalentes masculinos.
Segundo estudo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), produtos na cor rosa ou com personagens femininos custam, em média, 12,3% a mais do que as versões tradicionais.
“Muitas peças masculinas e femininas têm o mesmo corte. Inclusive, há muitos itens unissex no mercado hoje. Então, por que o produto feminino custa mais que o masculino?”, questiona.
“É fundamental para a sociedade entender que hoje existem grupos CMEC que apoiam a mulher. Para que ela possa ir a uma loja que oferece produtos masculinos e femininos e perguntar: ‘a camiseta é igual. Por que estou pagando mais pela minha, sendo que são iguais?’”, afirma.
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