Fruto do trabalho coletivo, a colheita de milho na área indígena marca uma fase importante da produção agrícola em Boa Vista. Nesta quarta-feira, 23, com o apoio da prefeitura em todas as etapas do cultivo (preparação do solo, aquisição e distribuição de insumos e plantio), a comunidade da Serra do Truaru colheu os grãos cultivados após meses de dedicação à lavoura.
Neste ano, foram plantados 102 hectares de milho nas comunidades do município, dentro da janela de plantio — um fator que influencia diretamente a produtividade da safra. Segundo o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva, a prefeitura tem investido para fortalecer o campo e promover o desenvolvimento agrícola da capital.
“Com o potencial produtivo das comunidades indígenas, a prefeitura segue investindo para que esses agricultores produzam mais e com melhor qualidade, ampliem sua renda e tenham mais segurança para permanecer no campo. Cada hectare colhido representa alimento na mesa e mais oportunidades para os produtores indígenas da capital”, afirmou.
Trabalho coletivo
As famílias produtoras da Serra do Truaru colheram 8 hectares de milho plantados em parceria com a Prefeitura. Para a coordenadora do projeto de grãos da comunidade, Keila da Silva, chegar ao momento da colheita depois de meses de trabalho intenso é muito gratificante, pois é a concretização do esforço, da dedicação e dos cuidados dos produtores ao longo do ciclo.
“Recebemos os técnicos da Prefeitura e as máquinas para preparar o solo na área que vamos plantar. Depois, eles permanecem conosco em todas as etapas até a colheita. Hoje estamos colhendo o resultado de meses de trabalho. Parte da colheita será comercializada e outra parte ficará na comunidade para alimentar os animais”, contou.
Redução de custos
Com assistência técnica especializada e disponibilização de máquinas agrícolas, os produtores conseguem reduzir custos operacionais e aumentar a produtividade das lavouras na colheita. Integrante do projeto de grãos da Serra do Truaru, Robermário da Silva ressalta que, sem o apoio da prefeitura, a comunidade não conseguiria cultivar a área sozinha.
“Hoje contamos com máquinas e técnicos que nos auxiliam. Se trabalhássemos apenas na mão, não seria possível plantar no tempo certo, nem colher a quantidade de milho que estamos colhendo. O apoio da prefeitura é fundamental para a comunidade realizar essa colheita. Os técnicos nos acompanham sempre na hora certa”, destacou.
Impacto do El Niño
A colheita ocorreu mesmo após a forte estiagem registrada em julho, que afetou o desenvolvimento de parte das lavouras no estado. As chuvas desse período são essenciais para o enchimento dos grãos, e a ausência de precipitações comprometeu a produtividade em algumas áreas. Os impactos estão relacionados ao fenômeno do El Niño.
O fenômeno climático, associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico, influencia o regime de chuvas na região Norte. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a previsão para o segundo semestre de 2026 aponta para a intensificação do período seco. Em Boa Vista, a estiagem deve provocar perdas na ordem de aproximadamente 50% em relação ao que foi colhido na mesma área em 2025.




