Análise — Phantom Blade Zero vai além da simples soma de seus elementos

Análise — Phantom Blade Zero vai além da simples soma de seus elementos

Não faz tanto tempo que a indústria de jogos chinesa começou a receber mais atenção. Se antes o mercado do país se destacava no gênero Gacha graças a títulos da HoYoverse, com o lançamento de Black Myth: Wukong em 2024 os estúdios chineses demonstraram estar prontos para entrar de vez no cenário AAA.

Agora, mais de dois anos após o lançamento da GameScience, chega Phantom Blade Zero, anunciado em 2023 pela S-GAME, que prometia visuais impressionantes e uma jogabilidade quase cinematográfica, fortemente inspirada em filmes de kung fu. Embora inicialmente tenha havido certa desconfiança — parecendo “bom demais para ser verdade” diante da fluidez do combate e das animações — cada novo material divulgado aumentou a expectativa do público. Jogamos Phantom Blade Zero antecipadamente e, na análise a seguir, contamos se o jogo cumpre o que promete.

Um mundo vibrante

Apesar da jogabilidade ser o elemento que mais chamou atenção nos trailers, é essencial destacar o mundo e a narrativa do jogo de estreia da S-GAME. Nele acompanhamos Soul, um dos guerreiros mais poderosos de sua ordem que, sem spoilers, é acusado de traição e morre em um duelo final contra seu amigo de infância e irmão adotivo, Zuo Shang. Soul é então ressuscitado por um curandeiro misterioso que lhe dá um novo coração com um detalhe macabro: ele funcionará por apenas sessenta e seis dias.

A trama é certamente um dos pontos fortes e é contada de forma brilhante, ora por meios tradicionais — diálogos, cutscenes e flashbacks — ora por segredos espalhados nos mapas, como cartas e mensagens escondidas. Dou aqui uma dica que repetirei na análise: explorar o mundo de Phantom Blade enriquece a experiência, e a narrativa é um dos ganhos. Jogando de maneira linear já se obtém uma noção do enredo, mas vasculhar cenários e revisitar áreas secretas ajuda muito a entender a complexa história que permeia o Wulin, o submundo dos guerreiros marciais ao qual pertencemos.

Incontáveis segredos à sua espera

Um fator muitas vezes subestimado em jogos de ação como Dark Souls ou Sekiro é o level design e a concepção dos cenários. Ali encontramos um dos pontos mais fortes — e também algumas falhas iniciais — de Phantom Blade. Como mencionei, a exploração é constantemente incentivada, mas só a recomendação não bastaria para torná-la tão relevante na experiência do jogo.

O design dos cenários é um dos grandes trunfos de Phantom Blade Foto: S-GAME

Isso se deve não só à alta qualidade gráfica e artística — evidenciada nos belos visuais do game — mas também ao cuidado com o planejamento de caminhos e segredos em cada mapa. Embora os estágios sejam lineares entre si, há múltiplas rotas internas, rotas alternativas e chefes secretos que encontramos ao explorar uma região. O jogo incorpora conceitos do metroidvania: portas e áreas bloqueadas que só abrem quando adquirimos equipamentos especiais — algo que funciona muito bem aqui.

Infelizmente há escorregões que atrapalham a experiência. Apesar dos elogios, muitas vezes fiquei preso em objetos do cenário, ora por causa da câmera, ora por colisões mal posicionadas. Além disso, embora exista um mapa que oferece uma visão geral, senti falta de marcadores personalizáveis. O jogo indica portas e áreas ainda fechadas, mas em várias ocasiões perdi a noção da direção ou esqueci pontos que queria explorar depois.

Kung Fu Punk

Finalmente, o que muitos queriam saber desde os primeiros anúncios: a promessa de transformar a coreografia de luta do kung fu em algo jogável e divertido se sustenta? Posso afirmar que sim — a jogabilidade, junto com a construção do mundo, é outro grande destaque do título. O combate tem personalidade própria; se eu fosse forçar uma comparação, Sekiro vem logo à mente pela velocidade dos confrontos e pela relevância de parries e quebra de guarda, tanto do jogador quanto dos inimigos.

Bloquear e esquivar é tão importante quanto atacar Foto: S-GAME

Mas fique tranquilo: Phantom Blade não é apenas mais um souls-like. Em vários momentos parece que o jogo busca se distanciar intencionalmente do gênero, adotando decisões de design diferentes — por exemplo, inimigos não reascendem entre checkpoints e chefes com múltiplas fases não retornam à fase inicial após serem derrotados. Acho louvável essa tentativa de diversificar; o fato de inimigos não reaparecerem é um acerto. Já a escolha de não fazer chefes retornarem à primeira fase pode agradar um público mais casual, mas pode desagradar jogadores mais hardcore.

A fluidez do combate e a qualidade das animações são percebidas imediatamente ao controlar Soul, e fica evidente a influência de Donnie Yen — coreógrafo e lutador — na consultoria das capturas de movimento. O protagonista dispõe de duas armas principais e duas “armas-fantasma”, que funcionam como especiais e servem também para acessar caminhos secretos. Enquanto muitos jogos têm dificuldade em fazer o jogador utilizar todos os recursos naturalmente, Phantom Blade consegue isso com maestria: espere alternar constantemente entre armas e explorar todo o arsenal de Soul para superar os inimigos.

Chefes se destacam no game Foto: S-GAME

A variedade de inimigos deixa a desejar em alguns momentos, especialmente na metade do jogo. Embora o problema não seja tão grave quanto em outros títulos do gênero, como o recente Onimusha, por vezes incomodava enfrentar repetidamente o mesmo grupo de inimigos ao longo dos cenários. Os chefes, porém, mantêm um alto padrão em design e padrões de ataque, sendo desafiadores na medida certa. Essa qualidade se destaca ainda mais nos chefes secretos ou opcionais — portanto, novamente: não deixe de explorar!

Um verdadeiro arsenal à sua disposição

Se a jogabilidade é um dos grandes trunfos de Phantom Blade Zero, é preciso falar também de algo dentro dela que merece destaque: as armas. As convencionais se dividem entre armas de uma mão, armas de duas mãos e espadas duplas; as armas-fantasma têm até cinco categorias diferentes. Há, portanto, um vasto leque de opções para Soul ao longo da jornada. Confesso que tenho um “vício” comum em jogos desse tipo: raramente troco de arma durante uma campanha, exceto quando estou analisando e me esforço para testar alternativas.

Experimentar novas armas é uma das melhores partes do jogo Foto: S-GAME

Em Phantom Blade isso aconteceu de forma natural para mim, não apenas pela variedade e pelos incentivos do jogo para experimentar (é fácil reverter melhorias em armas para testar outras), mas porque cada arma tem identidade e mecânicas próprias. Alternar equipamentos e combinar armas diferentes — iniciar combos com uma e finalizar com outra — é extremamente divertido. Fiquei animado ao encontrar uma nova espada várias vezes. Essa sensação é ainda maior com armas obtidas ao derrotar chefes especiais ou secretos. Mais uma vez: explore!

Vale a pena?

Phantom Blade não é perfeito, e seria irreal esperar isso de um estúdio tão jovem vindo de um mercado que ainda conquista espaço. Com alguns bugs gráficos, problemas de cenário e de câmera, o jogo tropeça ocasionalmente, mas nada disso apaga suas principais qualidades. Com um level design excelente, combate único, fluido e divertido, enorme variedade de armas e forte foco na exploração, Phantom Blade Zero impressiona não apenas por suas virtudes isoladas, mas pela soma delas — entregando um dos melhores jogos do ano de 2026.

Nota Voxel: 92

Pontos positivos:

  • Combate excelente e fluido
  • Level design primoroso
  • Arsenal de armas extenso e variado

Pontos negativos:

  • Câmera e elementos do cenário às vezes atrapalham durante o combate
  • Falta de variedade entre inimigos comuns

Uma cópia para PC do jogo foi cedida pela desenvolvedora.

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