O Parque do Rio Branco virou lar da arte. O Mormaço Cultural 2026 começou no local nesta sexta-feira, 18, e vai até domingo, 20. Durante os três dias, intervenções artísticas ocupam vários cantos do cartão-postal de Boa Vista, com teatro de rua, circo, música e performances que aproximam artistas e público, transformando cada espaço em ponto de encontro e encanto.
Participam dessa proposta o JM Jazz Centro de Arte, a Cia Criart Teatral, o Locômbia Teatro de Andanças, o Circo ImaginArte, o Espaço/Cena Comic e a Arena Cultura Urbana: Plugadão. Cada coletivo traz sua linguagem, seu ritmo e sua poesia, compondo um mosaico que convida o público a caminhar, parar e se envolver.

Para o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), Dyego Monnzaho, o Mormaço aposta nas intervenções artísticas ao reunir linguagens multiculturais por meio da criatividade e da participação da comunidade periférica.
“Este ano convidamos o Plugadão, um coletivo da periferia que atua fortemente na cultura urbana. Ao juntar skate, Hip-Hop, MC e batalha de rimas, essas linguagens se transformam em arte. O skate, por exemplo, deixa de ser apenas esporte e passa a integrar essa experiência”, afirmou Dyego.
Há quem veja na rua o espaço onde a expressão se realiza de forma mais livre, sem barreiras. Fundado há 40 anos na Colômbia, o grupo teatral Locômbia já soma 20 anos de trajetória em Roraima.

Beatriz Brooks, uma das fundadoras do Locômbia, destaca que o festival propicia um contato direto com quem valoriza a arte. “É fundamental reconhecer os artistas, tanto os de fora quanto os daqui. As pessoas nos acenam e aproveitam as apresentações”.

Pela Cena Comic, Danielly Diniz encontrou na arte um refúgio para questões de saúde mental. Ao trabalhar temas ligados ao corpo feminino, ela considera que ocupar o espaço público é um ato ao mesmo tempo político e poético, capaz de transformar a relação das pessoas com o ambiente urbano.
“Senti necessidade de expressar não só o que eu sentia, mas também o que via no mundo. A arte me ajudou nesse processo. Meu trabalho prioriza a representação feminina, e aquelas pinturas são feitas com giz pastel oleoso. Vivemos num estado com altos índices de violência contra mulheres e crianças, então esse tema é recorrente e essencial na minha trajetória como artista”.

Muitos chegam sem roteiro, apenas para sentir o que acontece. Alexandre Tabal observa as apresentações, deixa‑se envolver pela atmosfera e, a cada passo, encontra novas surpresas — mostrando como o público também contribui para a construção do evento.
“O Mormaço é um espaço que preserva a cultura e, consequentemente, a história de Roraima. Aqui vemos teatro, dança, circo, danças urbanas e cenas geek, pop e nerd, tudo misturado. Celebramos nossos artistas, que trabalham com dedicação e honestidade, mostrando sua arte e nos dando a oportunidade de conhecer talentos que, de outra forma, não veríamos”, afirmou ele.
*Supervisionado por Shirleia Rios*




