Quatro idiomas — português, espanhol, inglês e Libras — convergiram com um propósito comum: ampliar limites e fomentar inclusão. Na sexta-feira, 28, estudantes da Escola Municipal Newton Tavares mostraram projetos que articulam comunicação, tecnologia, literatura e arte, ressaltando a diversidade cultural presente no dia a dia da comunidade escolar.
Dentre as iniciativas, destaca-se o News Tavares, um jornal escolar multilíngue idealizado e produzido pelos próprios alunos. O projeto usa a prática jornalística como recurso pedagógico para explorar diferentes gêneros textuais, fortalecer a leitura e a escrita e aprimorar a oralidade por meio de entrevistas.
Com suporte de aplicativos e ferramentas presentes nos Chromebooks, os alunos participaram de todas as etapas da produção, da redação à diagramação. O resultado foi um material disponível em português, espanhol e inglês, além de vídeos em Língua Brasileira de Sinais (Libras), ampliando a acessibilidade das reportagens.
Alunos viram repórteres
No News Tavares, os estudantes transformaram acontecimentos escolares em pautas jornalísticas. Entre os temas abordados estão o Ideb 7,3, o melhor índice da Rede Municipal; o Sarau Multicultural; a estreia da escola nos Jogos Escolares Estaduais; o projeto Maleta Viajante; relatos inspiradores de alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA); além de matérias sobre gestão e liderança estudantil.
Uma das participantes foi a aluna Heloísa Medeiros, do 5º ano B. Além do contato com recursos digitais, ela viveu na prática uma atividade central do jornalismo: conduzir entrevistas.
“Achei muito legal porque usamos o computador para montar os trabalhos e fizemos entrevistas com professoras e colegas. O que eu mais gostei foi entrevistar e aprender sobre reportagem, notícias e esse tipo de texto”, relatou Heloísa.
Um dicionário para aproximar culturas
A diversidade linguística também ganhou espaço com o apoio da tecnologia. Em parceria com o Projeto Laços Educativos, a escola criou o aplicativo Dicionário Cultural, uma ferramenta digital que compila palavras e expressões do cotidiano dos estudantes em português, espanhol, inglês e Libras.
O Laços Educativos realiza ações de acolhimento e apoio à alfabetização de estudantes imigrantes. A partir desse contexto e do trabalho voltado ao multiculturalismo na unidade, nasceu a ideia de criar uma ferramenta a serviço de toda a comunidade escolar.
Termos relacionados a animais, plantas, objetos, frutas típicas, lendas e outros elementos estudados pelas crianças foram incluídos no aplicativo. A proposta é que os próprios alunos consultem palavras e expressões usando tablets e outros recursos tecnológicos disponíveis na escola.
Danielle Varjão, coordenadora da escola e professora supervisora do Laços Educativos, explica que a iniciativa surgiu justamente a partir da diversidade presente na comunidade escolar.
“Trouxemos uma perspectiva de valorização da linguagem e dessa comunicação diversificada que existe na escola, respeitando cada cultura. O aplicativo contribui para que o aluno imigrante sinta-se pertencente e, simultaneamente, possibilita que os demais conheçam novas línguas. É uma mistura cultural e linguística que vai além dos muros da escola”, afirmou.
Arte que também ensina
Além das palavras, as produções artísticas também integraram a programação. A exposição “Arte que Fala” reuniu telas, histórias em quadrinhos e outras criações autorais desenvolvidas pelos estudantes a partir de diversas técnicas das artes visuais.
Parte das obras contou com inspiração em contos de Machado de Assis, como O Espelho, A Cartomante, Missa do Galo, A Carteira e Adão e Eva. A proposta permitiu que os alunos explorassem o Realismo e reinterpretassem essas obras por meio de novas linguagens.
Isabelly Gomes, 12 anos, do 7º ano, participou das atividades e destacou que transformar a literatura em trabalhos artísticos facilitou o entendimento das obras.
“Aprendemos muito sobre o Realismo e sobre os contos de Machado de Assis. Fizemos quadrinhos e pinturas inspiradas nas histórias. Acho essencial unir arte e estudo, porque assim fica mais fácil compreender o que lemos quando transformamos em uma criação”, contou Isabelly.
Para o gestor da unidade, Adones Meneses, as ações evidenciam uma proposta pedagógica alinhada à realidade multicultural vivida diariamente pela comunidade escolar.
“A proposta da escola é desenvolver competências dos alunos em várias áreas, considerando o multiculturalismo e a realidade local. Ao oferecer um jornal multilíngue, um aplicativo que valoriza a identidade dos estudantes e atividades que aproximam literatura e arte, demonstramos que há múltiplas maneiras de aprender. Trata-se de uma aprendizagem significativa que envolve toda a comunidade”, destacou.




