Quem conhece a trajetória de Ryan Murphy sabe que ele é um diretor e roteirista de grande versatilidade. É surpreendente lembrar que o criador de Glee também esteja por trás de uma antologia sobre serial killers, Monstro. Depois de seu último lançamento, História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette, ter recebido 6 indicações ao Emmy 2026, Murphy aposta mais uma vez no Disney+: Estilhaços.
Estilhaços adapta o romance de Bret Easton Ellis — autor de Psicopata Americano — para a FX, com Ryan Murphy entre os produtores executivos. A série é uma ficção que acompanha o último ano do ensino médio do autor em 1981, em Los Angeles, quando uma sequência de assassinatos coincide com a chegada de um novo aluno. Será que a versão de Murphy será mais um acerto em sua filmografia? Confira a crítica dos dois primeiros episódios.
smart_display
Vídeos em destaque
Visualmente impecável, como de costume
Uma marca dos trabalhos recentes de Ryan Murphy é o apreço pela estética. Em Estilhaços, tudo é colorido com precisão, os cabelos estão sempre no lugar e os figurinos têm ótimo gosto. Soma-se a isso o fato de os protagonistas serem adolescentes da elite de Los Angeles em 1981: o brilho e o luxo de Beverly Hills nos anos 80 estão presentes a todo momento, pelo menos nestes dois primeiros episódios.
Leia mais: Onde assistir as séries do Emmy 2026? Confira lista dos principais destaques
Esse cuidado estético funciona especialmente quando contraposto às cenas de assassinato. Murphy nunca fugiu de mostrar corpos explícitos e desfigurados, com a intenção de expor a violência macabra dentro de suas narrativas. De um lado, jovens impecáveis e bem vestidos; do outro, a morte apresentada de forma grotesca — e esse contraste ainda funciona bem aqui.
Ritmo cansativo
A trama de Estilhaços não traz algo especialmente original para se destacar entre outras séries de suspense, nem mesmo frente às próprias obras de Murphy. O enredo fica evidente nos primeiros minutos do 1º episódio e, a partir daí, avança muito pouco.
Ao final do 2º episódio, dá a sensação de que acontecimentos mais relevantes poderiam ter ocorrido. O ritmo é lento, por vezes arrastado. Ainda que eu esteja interessada em saber o que vem por aí, talvez — se todos os capítulos já estivessem disponíveis — eu não me sentisse tão inclinada a maratonar. Esse compasso comedido pode ser influenciado pela narração constante do protagonista Bret. Parte da responsabilidade também pode recair sobre o próprio ator, Igby Rigney, o que nos leva ao próximo ponto.
Elenco pouco carismático
Há muita beleza padronizada e pouca presença em cena. Todos os personagens são atraentes, porém muito apagados. O quarteto central — Bret, Debbie (Hayes Warner), Susan (Kaia Gerber) e Thom (Graham Campbell) — soa frio e não convence nem nas dinâmicas entre si, quanto mais em provocar qualquer identificação do público.
O destaque mais interessante é o aluno novato, Robert, interpretado por Homer Gere, que ao menos traz um mistério e um ar inalcançável que combinam com a narrativa até agora. Mesmo os coadjuvantes fora do núcleo “popular” não conseguem cativar.
Vale a pena assistir Estilhaços?
Estilhaços reúne os ingredientes que costumam seduzir em obras de Ryan Murphy: rostos bonitos, cenários luxuosos e uma história envolvida em mistério. O problema é que, nesses dois primeiros episódios, a produção parece mais preocupada em apresentar esse universo estilizado do que em construir uma narrativa realmente envolvente. A série tem potencial, mas precisa encontrar um ritmo mais adequado e aprofundar seus personagens para criar uma conexão maior com o público.
Para quem já se interessa pelas histórias de serial killers assinadas por Murphy, Estilhaços pode ser uma boa aposta para acompanhar semanalmente. Os dois primeiros episódios já estão disponíveis no Disney+, com novos capítulos lançados semanalmente. Resta ver se, nos próximos episódios, a série conseguirá justificar a expectativa de se tornar mais uma produção capaz de nos seduzir pelo lado sombrio de Murphy.




