O desempenho da indústria da construção recuou 1,9 ponto em junho na comparação com o mês anterior, indo de 49,1 para 47,2 pontos. Os dados são da Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Apesar da queda, o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, ressalta que o indicador ficou 0,5 ponto acima da média histórica dos meses de junho, que é de 46,7 pontos.
“Em junho, tanto o índice de nível de atividade quanto o índice de evolução do número de empregados das empresas do setor apresentaram reduções em relação ao mês anterior. No entanto, esses índices permanecem acima das médias históricas de cada mês“, explica.
A evolução do número de empregados diminuiu 0,6 ponto, passando de 48,5 para 47,9 pontos, mas continuou 1,9 ponto acima da média histórica de junho, que é de 46 pontos.
Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) se manteve em 67%, o mesmo percentual registrado em junho de 2025. Desde o começo de 2026, o indicador acumulou alta de três pontos percentuais.
Condições financeiras seguem desfavoráveis
De acordo com o levantamento, as condições financeiras da indústria da construção continuaram negativas no segundo trimestre, apesar de alguns indicadores terem apresentado melhora.
O índice de satisfação com a situação financeira avançou 0,2 ponto em comparação ao primeiro trimestre, atingindo 45,2 pontos. Como permanece abaixo dos 50 pontos, o resultado indica que os empresários continuam insatisfeitos com a situação financeira das companhias.
O índice de facilidade de acesso ao crédito também melhorou, subindo 1,6 ponto, de 37,7 para 39,3 pontos. Apesar do avanço, o indicador permanece distante dos 50 pontos, o que reflete a percepção de dificuldade para obtenção de empréstimos e financiamentos.
Na mesma linha, o índice de satisfação com o lucro operacional aumentou 0,4 ponto, alcançando 41,7 pontos. Ainda abaixo do patamar de 50 pontos, o resultado evidencia que os empresários seguem insatisfeitos com as margens de lucro.
“De modo geral, os índices relacionados às condições financeiras melhoraram na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, porém sem alterar o cenário geral. Ainda há uma grande insatisfação dos empresários do setor em relação às margens de lucro, à situação financeira e ao acesso ao crédito”, avalia Azevedo.
Por outro lado, o índice de evolução do preço médio de insumos e matérias-primas caiu 2,2 pontos, ficando em 66,2 pontos. Embora continue indicando aumento dos custos, o resultado mostra que essa pressão foi menos intensa e disseminada em comparação ao trimestre anterior.
Segundo o economista da CNI, o aumento dos custos continua prejudicando o desempenho financeiro das empresas.
“A situação financeira do setor vem sofrendo forte pressão, não apenas pelas taxas de juros elevadas que encarecem as dívidas das companhias, mas também por uma elevação consistente dos custos, tanto da mão de obra qualificada e não qualificada, quanto dos insumos e matérias-primas, problema que foi agravado pela guerra no Oriente Médio”, explica.
Juros altos permanecem como obstáculo principal
Os juros elevados continuaram sendo o principal problema enfrentado pela indústria da construção no segundo trimestre, citado por 36,2% dos empresários, comparado a 34,9% no trimestre anterior.
A carga tributária se manteve na segunda posição entre os principais entraves, mencionada por 33,6% dos entrevistados, praticamente estável frente aos 33,9% do primeiro trimestre.
Na sequência surgem:
- falta ou alto custo de mão de obra não qualificada (28,9%);
- escassez ou custo elevado de trabalhadores qualificados (28,6%);
- demanda interna insuficiente (17,3%).
“Fortemente ligada às condições financeiras das empresas do setor de construção, os principais problemas no segundo trimestre continuaram os mesmos do primeiro trimestre de 2026”, comenta Azevedo.
Expectativas pioram e confiança diminui
A sondagem aponta que as expectativas da indústria da construção para os próximos seis meses piora ram em julho. Todos os indicadores caíram e ficaram abaixo da linha de 50 pontos, indicando perspectiva de retração da atividade.
- Nível de atividade: 49,2 pontos (-3,7 pontos);
- Número de empregados: 49,1 pontos (-3,6 pontos);
- Novos empreendimentos e serviços: 48,9 pontos (-3,6 pontos);
- Compra de insumos e matérias-primas: 48,3 pontos (-4,5 pontos).
Os resultados indicam que os empresários passaram a prever redução da atividade, do emprego, do lançamento de empreendimentos e da compra de insumos. Essa é a primeira vez desde abril de 2020, no início da pandemia de Covid-19, em que os quatro indicadores apresentam declínio simultâneo saindo do campo positivo para o negativo.
O aumento do pessimismo também derrubou o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da construção, que caiu 2,1 pontos em julho, ficando em 45,6 pontos, reforçando a percepção negativa do setor.
Diante desse cenário, a intenção de investimento também diminuiu. O indicador recuou de 43,7 para 42,4 pontos.
VEJA MAIS:
- CNI projeta crescimento de 2% para o PIB brasileiro em 2026
- Industrialização pode acelerar obras e elevar produtividade da construção civil, aponta estudo da CNI




