O número de empresas inadimplentes no Brasil manteve-se em nível recorde em maio de 2026, de acordo com o mais recente Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Divulgado no início de julho, o estudo aponta que mais de 9 milhões de CNPJs estavam negativados no quinto mês do ano, enquanto o estoque de dívidas atingiu R$ 229,9 bilhões, o maior valor da série histórica.
Os dados indicam que cada empresa inadimplente possuía, em média, 7,3 dívidas, com dívida média de R$ 25.494,08 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.515,52 por débito. Comparado a maio de 2025, quando havia 7,7 milhões de empresas negativadas, esse número subiu para 9 milhões, demonstrando o agravamento da inadimplência empresarial ao longo de um ano.
Além do avanço na quantidade de empresas com restrições, o total de dívidas negativadas também cresceu, passando de 56 milhões em maio de 2025 para 65,4 milhões em maio deste ano.
De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o cenário aponta uma mudança no comportamento da inadimplência. “O dado chama atenção não só pela permanência da inadimplência em um nível recorde, mas também pelo aumento do volume financeiro das dívidas. Isso indica que o desafio das empresas não é apenas evitar a negativação, mas principalmente conseguir reduzir o passivo acumulado.”
Ela esclarece que a combinação de juros elevados, crédito restrito e desaceleração da atividade econômica dificulta a recomposição do caixa das empresas e compromete a capacidade de pagamento.
Serviços lideram entre as empresas inadimplentes
O setor de serviços concentrou a maior parte das empresas negativadas em maio, representando mais da metade dos casos.
Participação por setor:
- Serviços: 55,6%
- Comércio: 32,3%
- Indústria: 8,1%
- Setor primário: 0,9%
- Outros segmentos: participação residual.
Para Camila Abdelmalack, a desaceleração econômica passou a impactar também a geração de receitas das empresas. “Até pouco tempo, a principal pressão vinha da estrutura de custos e das condições de financiamento. Agora, começamos a observar também um ambiente menos favorável para a geração de receita, o que torna a regularização financeira ainda mais lenta.”
Origem das dívidas
O levantamento indica que as pendências financeiras estão distribuídas entre diversos segmentos da economia, refletindo dificuldades na manutenção das operações e do capital de giro.
Origem das dívidas negativadas:
- Serviços: 31,5%
- Bancos e cartões: 19,5%
- Cooperativas: 8,6%
- Utilities (água, energia e gás): 6,9%
- Telefonia: 5,7%
- Outros segmentos: 27,8%
Sudeste concentra maior número de empresas negativadas
Regionalmente, o Sudeste continua liderando o número de empresas inadimplentes, refletindo a alta concentração de negócios na região.
Os estados com o maior número de CNPJs negativados foram:
- São Paulo: 3.094.295 empresas
- Minas Gerais: 887.261
- Rio de Janeiro: 869.138
- Paraná: 593.565
- Rio Grande do Sul: 522.521
Micro e pequenas empresas permanecem maioria
As micro e pequenas empresas continuam sendo a maior parte da inadimplência empresarial no país.
Em maio, esse segmento contabilizou:
- 8,5 milhões de empresas negativadas;
- 59 milhões de dívidas;
- R$ 198,8 bilhões em débitos.
Em média, cada empresa deste grupo acumulava 6,9 contas em atraso, com dívida média de R$ 23.177,51 e ticket médio de R$ 3.369,41.
Para Camila Abdelmalack, o acúmulo de diversas pendências financeiras dificulta a recuperação desse segmento, que possui menor acesso ao crédito e menor folga de caixa.
Cenário requer atenção
Os números reafirmam que a inadimplência empresarial segue como um dos principais desafios da economia brasileira em 2026. Embora o total de empresas negativadas tenha se mantido em torno de 9 milhões desde abril, o crescimento constante do volume financeiro das dívidas indica que a regularização das pendências ainda acontece de forma lenta.
Na análise da Serasa Experian, a combinação de juros elevados, crédito mais seletivo e atividade econômica moderada continua pressionando principalmente os pequenos negócios, que são responsáveis pela maior parte das empresas inadimplentes no país.
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