Tectoy: da era do Master System ao Zeenix — a trajetória da marca

Tectoy: da era do Master System ao Zeenix — a trajetória da marca

O público gamer no Brasil está acostumado, nos últimos anos, a acompanhar lançamentos e a ter produtos de gigantes multinacionais como Sony, Microsoft e Nintendo. Porém, o cenário dessa indústria era bem diferente décadas atrás e contou até com uma representante nacional de peso: a Tectoy.

A companhia se tornou a representante nacional da Sega e foi uma das marcas mais relevantes do mercado de jogos no país. Com um marketing agressivo e lançamentos de qualidade, tornou-se referência para gerações que cresceram com consoles como o Master System e o Mega Drive.

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Apesar de tanto sucesso, a fabricante passou por momentos difíceis e, nos últimos anos, tem vivido um renascimento que inclui linhas diferentes de produtos. A seguir, o TecMundo relembra a história da marca e seus principais produtos.

Como surgiu a Tectoy?

A história da Tectoy, que nasceu com o nome escrito de forma diferente do atual ao usar o segundo “T” maiúsculo, começa com um argentino: Daniel Dazcal, que veio ao Brasil em 1975 para comandar uma fábrica da Sharp, tradicional fabricante de eletrônicos do Japão.

Primeiro, ele abriu uma fabricante de eletrodomésticos chamada Elsys, mas depois percebeu o potencial de um setor ainda pouco explorado no país: brinquedos eletrônicos.

Ao receber uma proposta de sociedade do empresário Léo Kryss, dono da representante nacional da Mitsubishi Electric, Dazcal oficializou o empreendimento. Em 18 de setembro de 1987 nasce a Tectoy. Rapidamente, ela atraiu funcionários como Stefano Arnhold, que deixou a Sharp no fim daquele ano e foi para a Tectoy como diretor de marketing. Mais tarde, ele seria promovido ao cargo de CEO, justamente no auge da marca.

Qual foi o primeiro produto da empresa?

Ainda sem interesse inicial no setor de jogos, a Tectoy estreou no mercado em 1988 já com um produto de sucesso: a pistola Zillion, um brinquedo que era uma variante do laser tag — armas que, quando disparadas na direção de um alvo, acionavam um alarme.

Zillion é um anime que chegou a passar na Rede Globo e foi licenciado para rebatizar o produto original, lançado pela Sega. O sucesso comercial do brinquedo foi chave para a futura parceria entre as marcas.

A pistola Zillion. (Imagem: Reprodução/GameHall)

O segundo sucesso da Tectoy foi outro clássico da infância de muita gente: o Pense Bem, um computador de brinquedo que misturava atividades educativas com diversão e trazia várias funções pré-carregadas.

Como a Tectoy trouxe o Master System ao Brasil

Apesar do sucesso da Zillion, convencer a Sega a ter uma representante nacional para consoles foi difícil: a Nintendo era líder em vários mercados e a Sega tinha enfrentado problemas em outras regiões, como os Estados Unidos.

Em 4 de setembro de 1989, o console de 8 bits Master System chegou ao Brasil oficialmente, com fabricação em Manaus e o selo da Tectoy. No Japão, ele se chamava Sega Mark III e teve uma atuação inicialmente discreta no mercado, com menos jogos que o rival Nintendo Entertainment System (NES, ou Nintendinho como foi chamado por aqui) devido aos contratos de exclusividade fechados pela concorrente.

Console master system com dois controles
O Master System. (Imagem: Reprodução/Mundo Joy Games)

O próprio mercado nacional de consoles era confuso: o Atari 2600 chegou com atraso ao país pela Polyvox, mas o setor já era povoado por “clones” dele e do próprio Nintendinho, fabricados por marcas nacionais de eletrônicos como Gradiente e CCE.

O sucesso entre os brasileiros

A Tectoy investiu pesado em marketing e virou presença frequente, inclusive com programas próprios e com um quadro no Video Show com “dicas e truques” para passar de fases.

A estratégia publicitária da Sega foi adotada por aqui, com os fãs de franquias como Sonic sendo considerados mais “descolados” do que os jogadores de Mario, The Legend of Zelda e outras sagas da Nintendo.

Em 1988, o faturamento da empresa foi de 8 milhões de dólares; no ano seguinte, saltou para 66 milhões de dólares. O Master System respondia por metade disso e a fabricante chegou a ter problemas de falta de estoque devido à alta demanda.

Foi por causa dessa companhia e dos dois principais consoles lançados por ela sob autorização da Sega que muitos brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer títulos como Alex Kidd, Golden Axe, Sonic the Hedgehog, Castle of Illusion, Altered Beast, Comix Zone, Streets of Rage e muitos outros.

Os principais lançamentos da Tectoy

Após o sucesso inicial do Master System, em 1990 chegou outro fenômeno da companhia: o Mega Drive. O console era mais poderoso, tinha gráficos melhores e jogos ainda mais complexos. Junto ao aparelho e aos cartuchos, mais tarde a empresa trouxe até os acessórios 32X e Meganet.

Em 1991 saiu o primeiro portátil colorido do país: o Sega Game Gear. Apesar da capacidade técnica, ele não conseguiu destronar o reinado da Nintendo no setor, já consolidada com a família Game Boy.

Outra movimentação de mercado que marcou o público foram as localizações de jogos para o português do Brasil. O primeiro experimento foi a tradução do RPG Phantasy Star do Master System, dando ao público brasileiro a chance de curtir grandes histórias.

A marca fez ainda modificações completas de títulos, como Mônica no Castelo do Dragão — uma adaptação visual de Wonder Boy in Monster Land. Outros jogos foram localizados nesse mesmo esquema, como Chapolin Versus Drácula, TV Colosso e títulos do Sapo Xulé.

A primeira crise da Tectoy

A parceria com a Sega continuou nas gerações seguintes:

  • Em 1995 saiu o Sega Saturn, um aparelho considerado caro demais e que não empolgou comercialmente;
  • Já em 1999 foi lançado o Dreamcast, também fora do orçamento de muitos brasileiros e sem o destaque do principal diferencial do console: um modem para jogar online;
  • Ao mesmo tempo, a Tectoy seguia lançando versões atualizadas dos consoles, como o Master System II, Master System III e várias evoluções do Mega Drive.

Porém, a administração passou por problemas e o mercado de consoles já não era favorável financeiramente. Nessa mesma década, a empresa entrou com pedido de concordata. Isso fez a companhia reestruturar o modelo de negócios, com demissões, mudanças nas fábricas e a descontinuação de produtos. O processo se estendeu até 2000 e envolveu também a mudança de foco para outros eletrônicos.

Aparelho de DVD da TecToy
Um aparelho de DVD da marca. (Imagem: Divulgação/Tectoy)

Em busca de recuperar o faturamento, a Tectoy lançou produtos como reprodutores de DVD e Blu-ray, além de microsystems, aparelhos de karaokê e players de MP3.

Quando a Sega abandonou o mercado de consoles, em 2001, a Tectoy seguiu com a licença, mas precisou ser criativa nos lançamentos. Uma das parcerias foi com o apresentador e empresário Silvio Santos, para lançar versões em jogo dos programas Show do Milhão e Qual é a Música para Mega Drive.

O que a Tectoy fabricou nos últimos anos?

Em 2007, a empresa até apresentou uma nova logo e grafia, reforçando a mudança de fase. Porém, nem os novos ares trouxeram o sucesso esperado, já que o próximo projeto da marca passou longe de ser bem recebido.

Foi o Zeebo, um console em parceria com a Qualcomm. Ele foi lançado em 25 de maio de 2009 por 499 reais e, apesar de ser mais barato que o PlayStation 2, não empolgou pela diferença de desempenho gráfico e pela biblioteca de jogos reduzida.

Zeebo, o ultimo grande console da TecToy
O Zeebo. (Imagem: Divulgação/Tectoy)

O aparelho tinha ideias interessantes, como a distribuição digital de jogos e títulos educativos, mas nem mesmo a internacionalização deu grandes resultados. O projeto foi encerrado em setembro de 2011 e hoje o Zeebo é item raro entre colecionadores.

Em seguida, a Tectoy voltou a focar em eletrônicos como tablets — de linhas próprias até versões com licenças Disney e Galinha Pintadinha. Os relançamentos de consoles da Sega e os aparelhos Atari Flashback seguiram por anos. O smartphone Tectoy On também foi lançado, sem tanto destaque em um mercado competitivo. Além disso, a empresa passou a fabricar e comercializar produtos para outras marcas em suas instalações, oferecendo também serviços de logística e pós-venda.

O retorno da marca com o Zeenix

A Tectoy está sob nova direção desde 2019, quando um grupo de investidores comprou ações já bastante desvalorizadas da marca. Ela passou por uma fusão e a administração foi assumida pelo grupo Transire, referência em máquinas de cartão.

A mais recente empreitada da empresa em games não teve relação com a antiga aliada: o Zeenix, um portátil gamer lançado em duas versões, a Lite e a Pro. A parceira da vez foi a Ayn, o que fez a Tectoy ser acusada de lançar produtos white label no mercado nacional.

Em 2025, os modelos foram lançados, com a versão Lite chegando primeiro ao mercado. O Zeenix Pro de 512 GB de espaço interno custa atualmente R$ 5 mil na loja oficial.

Atualmente, a Tectoy comercializa aparelhos como headsets, microfones, fones de ouvido, teclados gamer, câmeras instantâneas e outros produtos com o selo da marca. A empresa mantém ainda uma divisão de automação, que produz terminais e outros dispositivos para empresas.

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Que fim levou a Gradiente, empresa de eletrônicos que foi até representante da Nintendo no Brasil por anos? Entenda o que aconteceu!

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