São Paulo lidera entre os estados brasileiros na qualidade dos serviços municipais de saneamento.

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Dos 63 municípios brasileiros que estão no “caminho” para alcançar as metas do Marco Legal do Saneamento Básico, 50 possuem políticas estruturantes na área. É o que revela o ranking da Universalização do Saneamento 2025, elaborado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), que considera a elaboração de um Plano Municipal de Saneamento Básico como um dos critérios diferenciadores da metodologia.

Foram avaliados 5 indicadores disponibilizados pelo Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), do Ministério das Cidades:

  • Atendimento da população total com rede de abastecimento de água;
  • Atendimento da população total com rede coletora de esgoto;
  • Esgoto tratado em relação à água consumida;
  • Cobertura da população total com coleta de resíduos sólidos domiciliares; e
  • Disposição final adequada de resíduos sólidos urbanos.

As cidades classificadas como “rumo à universalização” correspondem a apenas 2,5% entre as 2.483 avaliadas, que obtiveram nota superior a 489 pontos. Entre elas, 59 estão na Região Sudeste e 4 na Região Sul, sendo as paranaenses Curitiba, Maringá e Pinhais, além de Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Cidades 500

São Paulo é o estado com o maior número de cidades melhor avaliadas: 56. É também onde estão as únicas que alcançaram pontuação 500, a nota máxima: Leme, Paranapuã e Presidente Prudente, sendo esta última a única dessas três que não possui um Plano Municipal de Saneamento Básico, conforme o levantamento.

Dante Ragazzi, diretor da ABES, ressalta que a estruturação dessa política deve ser o primeiro passo para que as prefeituras consigam captar recursos para ampliar a infraestrutura de saneamento. “Você organiza, realiza um diagnóstico, planeja, identifica como eliminar déficits, melhorar os atendimentos, a cobertura de água, esgoto, tratamento, enfim. Claramente, quem tem essa preocupação avança. Quem não tem, fica para trás”, afirma o executivo.

Segundo Ragazzi, esse planejamento essencial permite às gestões locais obter um diagnóstico sobre o que e como fazer para aprimorar a qualidade do serviço. “A municipalidade que não prioriza o saneamento muitas vezes nem consegue pleitear investimentos, pois não dispõe de quadro técnico, dados e informações necessárias, nem opera o sistema adequadamente.”

“O aumento da cobertura certamente impulsionará o desenvolvimento econômico. Haverá menos pessoas doentes, um sistema de saúde com maior capacidade para atender outras demandas que não sejam doenças de veiculação hídrica. Além disso, haverá valorização dos imóveis e geração de emprego”, complementa o diretor.

Top 10

Todas as cidades mais bem posicionadas são do estado de São Paulo. Confira o ranking:

Posição

Município

UF

Plano de saneamento

Pontuação

Leme

SP

Sim

500

Paranapuã

SP

Sim

500

Pr. Prudente

SP

Não

500

Jales

SP

Sim

499,8

Gastão Vidigal

SP

Sim

499,08

Embaúba

SP

Não

499,02

Santópolis do Aguapeí

SP

N/A

499,01

São Joaquim da Barra

SP

Sim

498,21

Santa Bárbara D’Oeste

SP

Sim

498,01

10º

Cardoso

SP

Sim

497,7

Engatinhando para a universalização

No lado oposto da tabela, 270 cidades brasileiras ainda estão nos primeiros passos rumo à universalização do saneamento básico. Destas, 150 são municípios nordestinos, com a Bahia liderando entre os estados com maior número de representantes: 60 cidades.

Segundo o ranking, 90 prefeituras não possuem plano de saneamento e, em relação a outras 31, não há informações disponíveis sobre programas relacionados.

Marco Legal do Saneamento Básico

O Marco Legal do Saneamento Básico foi sancionado em 2020. A política prevê, entre outras metas, a universalização do acesso à água potável e ao esgotamento sanitário até 2033, com abastecimento de água para 99% da população brasileira e acesso a esgotamento sanitário ou fossa séptica para 92% dos domicílios.

Diante do lento avanço da iniciativa, gestores locais já consideram a possibilidade de adiar o cumprimento das metas. Contudo, o Ministério das Cidades, responsável pela coordenação federal da política, descarta a prorrogação do prazo neste momento. Desde 2023, o ministério afirma ter investido cerca de R$ 40 bilhões para cumprir as metas do Marco Legal, sendo mais de R$ 12 bilhões apenas em 2025.
 

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