Dos 195 municípios brasileiros com receita orçamentária bilionária, 169 são cidades do interior, conforme dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi). Nesse contexto, o principal destaque é Campinas (SP), que ocupa a décima posição nacional, com receita superior a R$ 9 bilhões em 2024. O município conta com um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente R$ 73 bilhões, tendo o setor de Serviços como o principal motor da economia.
Outros municípios do interior que também figuram entre os bilionários são Guarulhos (SP) e Maricá (RJ), com receitas acumuladas de R$ 7,4 bilhões e R$ 6,9 bilhões, respectivamente. Guarulhos apresenta PIB superior a R$ 77 bilhões, enquanto Maricá registra cerca de R$ 86 bilhões.
Enquanto Guarulhos se destaca pelas atividades ligadas ao setor de Serviços, o município fluminense tem a Indústria como principal setor econômico, impulsionada sobretudo pela cadeia de óleo e gás.
Na avaliação do especialista em orçamento público Cesar Lima, assim como em um cenário mais amplo, o setor de Serviços se destaca entre as cidades do interior com maior arrecadação orçamentária. No entanto, ele aponta que a atividade industrial tem dado uma contribuição importante, apesar de uma arrecadação menos expressiva.
“Podemos observar que os Serviços mantiveram o PIB brasileiro no último ano e, apesar da queda da atividade industrial que acompanhamos no segundo semestre de 2025, o PIB não foi tão afetado. Temos Maricá e Niterói com alguns estaleiros por conta do petróleo”, afirma.
“O mercado prevê uma ligeira redução da taxa de juros ao longo de 2026. Esperamos que isso dê um alívio para que a indústria tenha um papel mais relevante nesses dados de arrecadação, uma vez que ela gera uma receita mais constante. Serviços são muito sazonais, já a receita da indústria, quando você mantém um aumento na industrialização, possibilita atingir níveis de produção mais estáveis”, complementa Lima.
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Do total de municípios bilionários do país, somente 30 têm a Indústria como principal atividade econômica. Com exceção de Manaus, capital do Amazonas, as outras 29 cidades com esse perfil situam-se no interior. Entre elas estão Betim (MG), com receita orçamentária de R$ 3,3 bilhões, e Camaçari (BA), com R$ 2,5 bilhões.
Ranking das 10 cidades do interior com maiores receitas orçamentárias
- Campinas (SP): R$ 9,1 bilhões
- Guarulhos (SP): R$ 7,4 bilhões
- Maricá (RJ): R$ 6,9 bilhões
- São Bernardo do Campo (SP): R$ 6,7 bilhões
- Niterói (RJ): R$ 6,3 bilhões
- Barueri (SP): R$ 5,6 bilhões
- Duque de Caxias (RJ): R$ 5,6 bilhões
- Osasco (SP): R$ 5,4 bilhões
- Santos (SP): R$ 5,1 bilhões
- Sorocaba (SP): R$ 5,1 bilhões
Segundo o Siconfi, os 195 municípios bilionários somaram, em 2024, mais de R$ 678 bilhões em receitas orçamentárias. Entre as unidades da federação, São Paulo concentra o maior volume arrecadado, com R$ 250,8 bilhões.
Em seguida vêm Rio de Janeiro, com arrecadação superior a R$ 92 bilhões, e Minas Gerais, cujos municípios bilionários somaram mais de R$ 53 bilhões.
O setor de Serviços destaca-se como a principal atividade econômica em 165 municípios brasileiros com arrecadação bilionária, como é o caso de Ribeirão Preto (SP), que registrou receita orçamentária superior a R$ 4,7 bilhões.


