À medida que Boa Vista celebra 136 anos, homens e mulheres do meio rural seguem contribuindo para essa história fora da área urbana. São produtores que, por muitas décadas, encontraram no cultivo da terra o sustento da família e edificar um legado de trabalho, dedicação e fortalecimento do setor produtivo do município.
Enquanto a cidade se expandia com novas avenidas, bairros e infraestrutura, os produtores rurais seguiram trabalhando a terra e assegurando alimentos para a população. É o caso de Aldette da Silva, 68 anos, e Francisco Moreira, 75 anos, que há mais de vinte anos atuam na produção agrícola no Projeto de Assentamento Nova Amazônia I, na região do Truaru.
“Quando viemos para Boa Vista, vindos de Pacaraima, não havia ninguém por aqui. Fomos os primeiros a morar nesta área. Aos poucos os vizinhos chegaram e o assentamento foi se consolidando. Com o passar dos anos e mantendo o trabalho diário, nossos sítios se transformaram em terras produtivas que sustentam nossas famílias”, relatou Aldette da Silva.
Há duas décadas, o trabalho rural dependia apenas da força física e do esforço de quem vivia da terra. Hoje, com o apoio da Prefeitura de Boa Vista, essa realidade vem se transformando. A agricultura familiar passou a ter acesso a máquinas para mecanizar as áreas de plantio, reduzindo custos e ampliando a produção.
“No começo plantávamos melancia e precisávamos puxar água do poço para irrigar. Tudo era feito manualmente, da capina com a enxada ao transporte da colheita. Hoje, com o apoio da prefeitura, contamos com irrigação por energia fotovoltaica, assistência técnica e maquinário. Conquistamos um tratorzinho e a vida no campo melhorou bastante”, contou Francisco Moreira.
Passado e futuro na mesma terra
Após anos de trabalho sob o sol, os agricultores mais experientes transmitem o saber acumulado, enquanto as gerações mais jovens introduzem técnicas e tecnologias novas. Geraldo Leite, que trabalha no campo desde jovem, sustentou a família com o cultivo e hoje segue ao lado da filha e do genro, que moram no sítio vizinho.
“Trabalhar em parceria tem sido excelente e traz melhores resultados, porque tocar a lida sozinho é muito difícil. Mantemos essa parceria há três anos. Plantamos melancia, melão, pimenta, macaxeira, abóbora, maxixe e feijão. Agora estamos testando plantios de amendoim e cacau. Tenho certeza de que, quando eu parar, eles vão dar continuidade”, afirmou Geraldo.
Na família de Geraldo, o trabalho rural atravessa gerações. Os filhos cresceram aprendendo o valor do trabalho na roça e hoje a filha Raíssa Kadoshy segue com o legado. Casada, ela mora ao lado do pai, com o marido e o filho, e divide as tarefas da propriedade, unindo a experiência herdada a novas ideias.
“Meu marido e eu somos técnicos agrícolas e estamos implementando uma agrofloresta, integrando árvores com culturas agrícolas na mesma área. Cresci vendo meus pais no campo; morei um tempo na cidade, mas voltamos a viver no sítio. Sinto que este é o lugar da minha família”, explicou Raíssa.
Desenvolvendo-se junto ao campo
A Prefeitura de Boa Vista tem se posicionado como parceira dos produtores, investindo em ações para fortalecer a agricultura familiar e fomentar o desenvolvimento rural. Com assistência técnica especializada, mecanização, acesso a novas tecnologias e estímulo à comercialização, o município contribui para elevar a produtividade, gerar renda e reduzir custos.
“Nossa meta é oferecer ao agricultor as condições para produzir com mais qualidade. Quando a prefeitura investe no trabalhador rural, fortalece a agricultura familiar, gera renda, promove o desenvolvimento das comunidades e garante alimentos melhores para a população”, ressaltou o secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva.
Mais de 4,5 mil famílias vivem na zona rural, e 2.165 delas são beneficiadas pelo Plano Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA). Desde a implantação do programa, já foram preparados 5.591,2 hectares para cultivo. Atualmente, 150 máquinas e implementos agrícolas estão disponíveis aos trabalhadores, incluindo tratores, drones, caminhões e escavadeiras.
Para assegurar o abastecimento de água às lavouras, a gestão instalou 156 sistemas de irrigação fotovoltaica, sendo 26 desses em comunidades indígenas. O uso de energia renovável diminui significativamente os custos de produção durante o período de estiagem, permitindo que as famílias mantenham a produção ao longo do ano.



