Durante a abertura do evento “Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade”, na terça-feira (25), o presidente da CNA, João Martins, expressou suas preocupações sobre a falta de controle nos gastos públicos e enfatizou que o ajuste nas contas governamentais é agora “uma necessidade imperativa”, e não uma escolha.
O evento, realizado em São Paulo, reuniu centenas de participantes para discutir temas essenciais para o desenvolvimento do Brasil e do setor agropecuário, incluindo a sustentabilidade das finanças públicas e os desafios enfrentados no mercado de trabalho.
Organizado em colaboração com o Estadão, o encontro contou com a presença de 500 convidados, incluindo pesquisadores, economistas, autoridades, parlamentares, empresários, representantes de entidades, líderes do setor produtivo, vice-presidentes da CNA, presidentes de Federações estaduais de agricultura e pecuária, superintendentes do Senar e diretores do Sistema CNA/Senar.
Além da cerimônia de abertura, foram realizados dois painéis de debate. O primeiro abordou o tema “Responsabilidade Fiscal como Vetor da Competitividade Nacional”, enquanto o segundo discutiu “Produtividade e Emprego: Novas Diretrizes para as Políticas Públicas”.
Durante o evento, dois estudos inéditos encomendados pelo Sistema CNA/Senar foram apresentados, servindo como base para as discussões.
Em seu discurso, o presidente da CNA traçou um panorama da situação do país nos 26 anos do “novo século 21”, “caracterizados por crises econômicas e políticas sucessivas que, além de limitar o crescimento econômico, têm dividido a sociedade”.
Embora o Brasil possua uma variedade de recursos estratégicos para o desenvolvimento mundial, o país atravessa um momento crítico em sua história. “Ainda somos uma nação onde a maioria da população luta por sua sobrevivência”.
João Martins apresentou dados econômicos, mencionando que 70% da população empregada ganha até dois salários-mínimos e cerca de 30 milhões de famílias dependem de transferências de renda do governo. “Estamos entre a abundância potencial e a privação real”.
Oportunidade – O presidente da CNA observou que as eleições representam uma oportunidade ideal para um debate aberto e honesto sobre os desafios do país; entretanto, “infelizmente, estamos distantes disso”, pois o debate eleitoral carece de propostas viáveis.
O Brasil já experienciou um “futuro” promissor, dando passos significativos em um “passado recente” para resolver problemas que surgiram. “Estabelecemos uma agricultura e pecuária de nível mundial. Em resposta à crise energética, desenvolvemos o pro-álcool e descobrimos o pré-sal, usando tecnologia própria. E para conter a inflação, lançamos o Plano Real”.
De repente, “parece que nos tornamos menores do que nossos problemas”. Contudo, Martins acredita que temos todos os recursos necessários para reagir. “O fundamental é que os setores responsáveis da nação se pronunciem. Não podemos permitir a destruição de nossas riquezas, empresas e empregos.”
Descontrole dos gastos – Segundo Martins, a falta de controle nos gastos públicos transformou a economia brasileira em um ambiente hostil. A dívida pública continua a crescer, ocupando espaço no mercado financeiro com os títulos do tesouro e elevando os juros a níveis que dificultam o investimento e o funcionamento da economia privada.
“As empresas estão se desestruturando, e muitas famílias estão fortemente endividadas. O agronegócio, que durante um tempo foi uma ilha de prosperidade, agora lida com uma crise de endividamento. Precisamos escolher governos responsáveis e comprometidos com o futuro”, afirmou.
Ajustes urgentes – O presidente da CNA reiterou que o ajuste das contas do governo não é mais uma escolha, mas sim “uma necessidade imperativa”, já que as estruturas produtivas, construídas ao longo de décadas, estão prestes a desaparecer.
“Quando uma empresa falha, ela desaparece para sempre. Famílias endividadas desmoronam. A ação e a inação do governo estão envenenando o país com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo”.
Por essa razão, “em parceria com o jornal ‘O Estado de São Paulo’, realizamos este evento. “Reunimos especialistas imparciais e altamente qualificados para debater o que a política evita discutir”. E, ao fazermos isso, convocamos a sociedade brasileira a, mais uma vez em sua história, erguer sua voz e “demonstrar que ainda possuímos reservas de cidadania a serem empregadas”.
Juros altos – Na abertura do evento, o presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, destacou a importância econômica e social do agronegócio brasileiro.
O setor, segundo ele, alimenta atualmente mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e representa cerca de um quarto do Produto Interno Bruto e das vagas de emprego, além de ser responsável por metade das exportações.
No entanto, Meirelles enfatizou que o endividamento do setor, devido a juros elevados e à inflação, está barrando seu crescimento.
O presidente do Sistema Faesp/Senar também defendeu um debate amplo sobre um projeto para o Brasil e destacou o trabalho do Sistema CNA/Senar, das Federações estaduais de Agricultura e Pecuária e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para que o país retome seu crescimento.
Responsabilidade – A senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), cobrou maior responsabilidade na gestão das contas públicas e alertou sobre os efeitos dos juros elevados sobre o setor produtivo, especialmente no acesso dos produtores ao financiamento.
A senadora reafirmou a relevância do setor para a economia nacional, sublinhando a importância de discutir questões macroeconômicas que também impactam o setor, como a responsabilidade fiscal, garantindo que os gastos não superem a arrecadação e possibilitando melhorias nos serviços à população.
“Hoje temos um país que arrecada muito, mas também gasta muito e de forma irresponsável”, afirmou a senadora. Ela criticou as taxas de juros atuais, que, em sua visão, “não baixam a níveis aceitáveis” e dificultam o desenvolvimento do país.
Tereza Cristina também destacou a urgência de assegurar previsibilidade nos recursos e ampliar o acesso ao seguro rural para proteger a renda dos produtores, evitando que perdas causadas por secas, enchentes e outros eventos adversos resultem em novos ciclos de renegociação de dívidas.
Assessoria de Comunicação do Sistema CNA/Senar


