A PCRR (Polícia Civil de Roraima) divulgou o balanço da Operação Mulher Segura, realizada entre 19 de fevereiro e 5 de março, que resultou na prisão de 54 pessoas por crimes relacionados à violência contra a mulher.
No período da operação, 226 vítimas foram atendidas e foram solicitadas 179 Medidas Protetivas de Urgência (MPUs). Também foram registrados 213 boletins de ocorrência e cumpridas 156 diligências policiais em todo o Estado, fortalecendo a atuação integrada no combate à violência doméstica e familiar.
O resultado da operação foi apresentado em coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira, 6, na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil.
A Operação Mulher Segura é uma ação nacional coordenada pelo MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública), por meio da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) e, em Roraima, as atividades foram organizadas pela Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública).
Na Polícia Civil, o ponto focal da operação é a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Participaram da coletiva as delegadas Carla Gabriella Paulain e Carolina Huppes, além da diretora do DPE (Departamento de Polícia Especializada), Jaira Farias.
Prevenção e conscientização
No eixo preventivo e educativo, conforme a delegada Carla Gabriella Paulain, a operação realizou 12 ações de distribuição de panfletos e 12 palestras, além de diversas iniciativas de conscientização nas redes digitais da instituição.
As ações presenciais atingiram cerca de 1.500 pessoas por meio da panfletagem e 1.115 participantes nas palestras, realizadas em escolas, órgãos públicos, empresas privadas e unidades das Forças Armadas.
Nas redes sociais institucionais, os conteúdos informativos e educativos da campanha alcançaram mais de 15 mil pessoas.
“As ações de prevenção são essenciais porque levam informação à população e contribuem para romper o ciclo de violência. Muitas vezes, é por meio dessas orientações que a vítima reconhece a violência e procura ajuda”, enfatizou a delegada.
Na capital Boa Vista, sete eventos reuniram cerca de 675 participantes, entre estudantes, militares e servidores públicos. Entre os locais que receberam as atividades estão o 18º Regimento de Cavalaria Mecanizado, escolas estaduais e empresas privadas.
Durante a operação também foi promovida uma capacitação na Apics (Academia de Polícia Integrada Coronel Santiago), direcionada a policiais militares e guardas civis municipais em formação em Rorainópolis, com foco no aprimoramento do atendimento às vítimas e na abordagem humanizada com perspectiva de gênero.
Ações no interior do Estado
A delegada ressaltou que as iniciativas da Operação Mulher Segura chegaram também ao interior de Roraima.
Nos municípios de Bonfim, Uiramutã, Mucajaí e Rorainópolis foram realizadas palestras e capacitações que atenderam aproximadamente 340 pessoas.
As atividades ocorreram em escolas e incluíram treinamentos para profissionais de segurança pública que atuam na região Sul do Estado, envolvendo policiais civis e militares de São João da Baliza, Caroebe e São Luiz do Anauá.
Ações repressivas
No aspecto repressivo, as delegadas informaram que a Polícia Civil realizou 156 diligências durante a operação, focalizando a apuração de denúncias e o acompanhamento de casos de violência contra a mulher. As equipes atenderam 226 vítimas, prestando orientações, auxiliando no registro de boletins de ocorrência e encaminhando para solicitação de medidas de proteção judicial.
Foram registrados 213 boletins de ocorrência e solicitadas 179 Medidas Protetivas de Urgência, instrumentos fundamentais para garantir a segurança das vítimas e romper ciclos de violência.
Além disso, foram instaurados 15 inquéritos policiais, e 46 procedimentos foram concluídos com autoria e materialidade comprovadas, reforçando o trabalho investigativo da PCRR no enfrentamento aos crimes de violência doméstica e familiar.
Prisões de agressores
Como resultado das ações repressivas, 54 pessoas foram presas por delitos relacionados à violência contra a mulher. Destas, 40 prisões ocorreram em flagrante e 14 foram cumpridas mediante mandados de prisão preventiva expedidos pelo Poder Judiciário.
Segundo a delegada Jaira Farias, os números demonstram a intensidade do trabalho realizado durante a operação e a relevância da atuação integrada das forças de segurança no enfrentamento à violência contra a mulher.
“Foi uma operação deflagrada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Senasp, com atuação integrada das forças de segurança. Em Roraima, a Polícia Civil atuou de forma efetiva por meio da Deam, com ações repressivas e preventivas voltadas à proteção das mulheres”, destacou.
De acordo com a delegada, as ações também buscaram fortalecer a capacitação dos profissionais de segurança pública.
“As atividades visaram orientar e padronizar o atendimento humanizado às mulheres que procuram a polícia por serem vítimas de violência, garantindo acolhimento e encaminhamento adequados”, acrescentou.
Atuação pericial
O balanço aponta ainda a execução de exames periciais relacionados a casos de violência doméstica e familiar.
No período foram realizados 55 exames de lesão corporal e cinco exames relacionados à violência sexual, evidenciando a importância da perícia criminal na produção de provas e no suporte às investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Violência contra a mulher em dados
As delegadas também divulgaram números do Neac (Núcleo de Estatística e Análise Criminal) da PCRR, que mostram redução nos registros de violência doméstica em Roraima nos últimos três anos.
Em 2023 foram registrados 7.087 casos, número que caiu para 6.524 em 2024 e para 4.721 em 2025, representando uma redução acumulada de cerca de 33,4%, totalizando 18.332 ocorrências no período.
Apesar da queda nos registros gerais, o número de feminicídios consumados permanece estável. Entre 2023 e 2025 foram registrados 20 feminicídios no Estado: seis em 2023, sete em 2024 e sete em 2025.
Os registros de ameaça passaram de 2.618 ocorrências em 2023 para 884 em 2025, enquanto os casos de lesão corporal reduziram de 1.861 para 1.304 no mesmo intervalo. Os registros de estupro, incluindo estupro de vulnerável, caíram de 139 em 2023 para 92 em 2025.
Outro indicador analisado foi o descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência: em 2024 foram registrados 792 casos, número que caiu para 408 em 2025, uma redução de aproximadamente 48,5%. Em janeiro de 2026 foram contabilizados 14 casos de descumprimento.
Segundo a delegada Carla Gabriella Paulain, na comparação regional Roraima apresenta o menor número absoluto de feminicídios entre os estados da Região Norte. Dados do Tribunal de Justiça apontam que, em 2025, foram registradas 10 tentativas de feminicídio e seis feminicídios consumados no Estado, refletindo o panorama atual da violência contra a mulher em Roraima.
Denúncias
As delegadas da Deam ressaltaram que as mulheres têm se mostrado cada vez mais conscientes da importância de denunciar os agressores.
“É fundamental lembrar que denúncias de violência contra a mulher podem ser registradas em qualquer delegacia da Polícia Civil ou pelo telefone 180, canal nacional que recebe relatos de violência e orienta as vítimas sobre os procedimentos para buscar ajuda e proteção”, concluiu a diretora Jaira Farias.


