As previsões do mercado indicam que, para 2026, a inflação continuará acima da meta no curto prazo, com juros em queda gradual, câmbio mais desvalorizado e crescimento econômico moderado para o Brasil nos próximos anos. Esses dados são do Relatório Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (29).
Inflação
O relatório mostra uma mediana do IPCA de 4,32% para o final de 2025, um pouco abaixo dos 4,33% projetados na semana anterior e em queda há sete semanas, indicando um alívio gradual da inflação, porém ainda acima do centro da meta de 3% estabelecida pelo BC.
Para 2026, a previsão é de 4,05%, também em queda recente, e somente em 2027 e 2028 a expectativa converge para 3,8% e 3,5%, valores mais próximos ao objetivo de longo prazo.
Nos preços administrados, o mercado prevê pressão, com alta de 5,32% em 2025 e 3,72% em 2026, refletindo reajustes em tarifas públicas, energia e combustíveis, seguido por estabilização em torno de 3,7% em 2027 e 3,5% em 2028.
As projeções mensais do IPCA para o fim de 2025 e início de 2026 – cerca de 0,38% em dezembro, 0,36% em janeiro e 0,53% em fevereiro – reforçam uma desinflação lenta, mantendo a inflação acumulada em 12 meses próxima de 4% nesse período.
Juros
A taxa Selic está projetada pelo mercado em 12,25% ao final de 2025, estável em relação à semana anterior. Para 2026, a mediana é de 10,50%, indicando continuidade do ciclo de queda, entretanto sem retorno imediato a níveis considerados historicamente neutros.
As expectativas caem para 9,75% em 2027 e permanecem nesse patamar em 2028, sugerindo que o mercado compreende um juro mais elevado, compatível com um país que ainda enfrenta prêmio de risco elevado e desafios fiscais. Esse cenário demonstra que, mesmo com queda da inflação, o BC deve agir com cautela nos cortes, principalmente devido à incerteza das contas públicas e do ambiente externo.
Câmbio
O Focus aponta que o mercado espera um câmbio mais desvalorizado no médio prazo, com o dólar projetado a R$ 5,44 no fim de 2025, acima dos R$ 5,40 previstos quatro semanas antes, mantendo uma tendência de alta que dura duas semanas. Para 2026 e 2027, a expectativa é que o preço se mantenha em R$ 5,50, valor sem alterações recentes.
Crescimento
Para 2026, a mediana permanece em 1,80%, indicando estabilidade nas últimas semanas e um cenário de expansão econômica moderada.
As projeções para 2027 indicam redução, de 1,83% há quatro semanas para 1,80% agora, interrompendo uma sequência de três semanas de revisões negativas, enquanto para 2028 o crescimento esperado é de 2%, um ritmo mais forte, porém ainda abaixo do necessário para ganhos significativos de renda e produtividade.
Esse panorama combina uma desinflação lenta com crescimento econômico limitado, retratando uma economia em desenvolvimento que enfrenta obstáculos estruturais e desafios fiscais.
Contas externas e fiscais: riscos que envolvem as projeções
No âmbito externo, o Focus aponta déficit em conta corrente de US$ 74,85 bilhões para 2025, maior do que a estimativa de quatro semanas atrás, ainda que com leve melhora recente, reforçando a percepção de vulnerabilidade externa em um contexto de juros globais elevados.
Para 2026, o déficit projetado é de US$ 67 bilhões, com leve alta na comparação semanal, antes de recuar para cerca de US$ 65 bilhões em 2027 e US$ 63 bilhões em 2028, indicando um ajuste gradual, mas sem eliminação do déficit.
A balança comercial, por sua vez, atua como contrapeso, com superávit previsto de US$ 63 bilhões em 2025, aumentando para US$ 66 bilhões em 2026, US$ 70 bilhões em 2027 e US$ 70 bilhões em 2028.
O investimento direto no país mantém perspectiva positiva, com entrada de US$ 79,70 bilhões em 2025 e valores crescentes até US$ 79 bilhões em 2028.
No campo fiscal, o mercado estima um resultado primário negativo de 0,50% do PIB em 2025, repetindo a projeção das semanas anteriores, e déficit de 0,56% em 2026, levemente melhor que a previsão anterior, mostrando algum esforço de ajuste, porém insuficiente para reverter rapidamente a trajetória da dívida.
A dívida líquida do setor público deve passar de cerca de 66% do PIB em 2025 para 70,25% em 2026, 73,80% em 2027 e 76% em 2028, configurando uma trajetória ascendente que aumenta o prêmio de risco e contribui para manter a taxa neutra de juros em nível elevado.




