NO CANTÁ: Polícia Civil prende dupla suspeita de feminicídio na Vila Serra Grande I

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14 de janeiro de 2026

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A PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio da Delegacia de Polícia do município de Cantá, com apoio de policiais civis do município de Bonfim, cumpriu nesta terça-feira, dia 13, dois mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão domiciliar contra O. M. R. e L. A. S., ambos de 23 anos.

Eles são apontados como os principais suspeitos do feminicídio de Inara Santos da Silva, de 47 anos, ocorrido no dia 28 de novembro de 2025, no Sítio São José, localizado na Vila Serra Grande I, zona rural do município de Cantá.

Após o crime, foi instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias, autoria e motivação do fato.

De acordo com o delegado adjunto da Delegacia de Polícia de Cantá, Rhaynner Veras, que presidiu as investigações, o caso foi inicialmente registrado como homicídio simples e, com o avanço das diligências, passou a ser tipificado como feminicídio.

“O crime ocorreu entre a tarde e a noite do dia 28 de novembro. A vítima foi encontrada caída de bruços, com múltiplas lesões perfurocortantes na região da cabeça e do pescoço, além de grande quantidade de sangue ao redor do corpo”, explicou o delegado.

Inicialmente, a Polícia Militar foi acionada para atender a ocorrência. Os dois investigados relataram à polícia que teriam encontrado o corpo por acaso, enquanto se deslocavam para ligar bombas de irrigação. Eles admitiram que haviam ingerido bebidas alcoólicas com a vítima horas antes, em um bar da região, mas alegaram que ela teria retornado sozinha ao sítio. Diante da ausência de flagrante, testemunhas oculares e instrumentos do crime naquele momento, os suspeitos foram liberados para que as investigações prosseguissem.

“Com o aprofundamento das diligências, reunimos novos elementos de prova que contradisseram a versão inicial apresentada pelos investigados. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos de moradores indicaram que a vítima e os dois suspeitos seguiram juntos em direção a uma área próxima à lagoa, sem que houvesse retorno da vítima do local”, apontou o delegado.

Outro ponto relevante, de acordo com o delegado, foi o depoimento da mãe de um dos investigados, que afirmou que o filho teria confessado a presença no local do crime e atribuído a autoria das facadas ao outro suspeito. Em interrogatórios posteriores, realizados em dezembro de 2025, ambos passaram a apresentar versões conflitantes, com acusações mútuas sobre quem teria desferido o golpe fatal.

Ainda segundo o delegado Rhaynner Veras, ao longo das apurações foram apreendidos elementos considerados fundamentais para a instrução do inquérito, entre eles a faca, apontada como uma das armas utilizadas no crime, além de um aparelho celular pertencente a um dos investigados. Os materiais foram encaminhados ao ICPDA (Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida), para perícia técnica e análise de dados, mediante autorização judicial, com o objetivo de verificar a presença de vestígios de sangue humano e subsidiar o esclarecimento dos fatos.

“A linha investigativa aponta que o crime foi motivado por uma discussão relacionada pela recusa da vítima em manter relações sexuais com os investigados. Também foram requisitados exame necroscópico, perícia no local do crime e a análise de vestimentas que apresentavam possíveis manchas de sangue”, explicou.

O delegado representou pela prisão preventiva dos investigados, que foi deferida ontem, dia 12, pelo Poder Judiciário.

“Como eram dois alvos, solicitamos apoio da equipe de policiais do Bonfim. Na manhã desta terça-feira, menos de 24 horas após a prisão ter sido decretada pela Justiça, montamos uma operação integrada e prendemos os investigados. Eles foram localizados e presos na região da Serra Grande I”, disse o delegado.

Durante o cumprimento dos mandados, o investigado L. A. S. conduziu a equipe policial até o local onde a faca utilizada no crime estava escondida, possibilitando a apreensão da arma branca, que se encontrava em uma plantação de feijão na região.

Os investigados foram conduzidos à Delegacia de Polícia do município de Cantá, onde tiveram os mandados de prisão preventiva formalizados.

Segundo o delegado Rhaynner Veras, desde o início, os investigados tentaram simular que não teriam qualquer participação no fato, alegando que apenas teriam encontrado o corpo da vítima. No entanto, o conjunto probatório produzido ao longo das investigações demonstrou que ambos estiveram no local do crime e participaram diretamente da ação criminosa, praticada por motivo fútil.

O delegado ressaltou ainda que o trabalho investigativo foi contínuo, técnico e minucioso, envolvendo análise de imagens, oitivas de testemunhas, perícias e apreensão de elementos materiais, o que permitiu a completa elucidação do caso.

“Para a Polícia Civil, trata-se de um crime totalmente esclarecido. As investigações apontam de forma clara a participação dos dois investigados no feminicídio, cometidos com extrema violência contra a vítima”, concluiu.

Os presos foram apresentados na audiência de custódia ainda pela manhã. As prisões foram homologadas e os dois encaminhados ao Sistema Prisional.

SECOM RORAIMA

Texto: Ascom/PCRR

Fotos: Ascom/PCRR

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