Seja circulando pelas avenidas da capital ou percorrendo as estradas que levam alunos às escolas da zona rural de Boa Vista, os ônibus fazem parte do dia a dia de quem precisa se deslocar pela cidade. Ao volante, além da responsabilidade de conduzir veículos de grande porte, há mulheres que transformam sua rotina em histórias de dedicação e serviço público.
Neste domingo, 8 de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, trajetórias como as de Jéssica Scarlaty, 33 anos, e Joana Freitas, 58, evidenciam como responsabilidade e profissionalismo andam juntos na tarefa de transportar passageiros e estudantes com segurança.
Profissionalismo e responsabilidade no transporte público de passageiros
No sistema de transporte coletivo da capital, as mulheres também ocupam seu espaço. Entre elas está Jéssica Scarlaty, que há quatro anos dirige ônibus pelas ruas da cidade.
Com habilitação na categoria “E” da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que permite conduzir veículos de grande porte, ela está acostumada ao ritmo puxado da rotina urbana, com passageiros embarcando e desembarcando ao longo do percurso.
Antes de assumir a direção de ônibus, Jéssica seguiu outro caminho profissional. “Fui professora de matemática na Universidade Federal de Roraima (UFRR), mas não penso em voltar. Eu realmente gosto de ser motorista”, contou ela.
Para Jéssica, o trabalho passou a ser mais que uma ocupação: é uma maneira de viver a cidade de perto e auxiliar quem depende do transporte coletivo.
Cuidado que acompanha o trajeto escolar
Se no transporte urbano a responsabilidade já é grande, no transporte escolar ela ganha um sentido ainda mais profundo. Quem dirige esses ônibus carrega sonhos, histórias e o futuro de muitas crianças.
Na Escola Municipal Maria de Lourdes Dias de Abreu, na Vila do Passarão, zona rural de Boa Vista, Joana Freitas cumpre essa missão todos os dias. Motorista de ônibus escolar há 12 anos, ela relata que entrou na função buscando estabilidade e a oportunidade de servir à comunidade.
“No começo eu não pensei que seria motorista de ônibus escolar, mas sempre gostei de dirigir e de lidar com pessoas. Com o tempo entendi que a profissão exige muito além de dirigir: demanda cuidado, atenção e afeto pelas crianças”, explicou.
Uma relação de confiança e cuidado com os pequenos passageiros
Ao falar sobre a rotina com os alunos, Joana descreve um vínculo que ultrapassa a mera função profissional. Mãe de dois filhos e avó de seis netos, ela afirma que a experiência familiar contribui para lidar com as exigências do transporte escolar, onde sensibilidade e vigilância são fundamentais.
“Trato as crianças como se fossem minhas. Desde o momento em que entram no ônibus sinto essa responsabilidade. A confiança dos pais nos motiva a redobrar o cuidado”, conta Joana.
Orgulho e inspiração
Em uma área ainda dominada por homens, Joana e Jéssica abrem espaço para que mais mulheres ocupem essas funções.
“É um grande desafio estar cercada por tantos homens, mas também é motivo de orgulho representar as mulheres. Já ouvi muitas pessoas dizerem que se sentem incentivadas ao me ver trabalhando como motorista”, relatou Joana.
“As mulheres têm que acreditar em si e buscar o que desejam, porque somos capazes de tudo”, concluiu Jéssica.




