IMPORTÂNCIA DAS FORRAGEIRAS NA PECUÁRIA DO SEMIÁRIDO – Roraima Agro Show

Quase uma década de pesquisas levou o Forrageiras para o Semiárido a passar por diversas etapas de testes em campo, assegurando o sucesso do projeto e permitindo a entrega das melhores tecnologias e resultados tangíveis aos produtores rurais do Nordeste e do Norte de Minas Gerais.

Agora, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, através do Instituto CNA, lança o Rally Forrageiras em Baixa Grande (BA) no dia 3 de agosto. O foco desta nova fase é compartilhar o conhecimento adquirido ao longo desses anos de pesquisa.

O Rally reunirá produtores rurais, membros do Sistema CNA/Senar, Federações estaduais de agricultura e pecuária, técnicos, instrutores, sindicatos, pesquisadores, entidades e lideranças do setor.

Além da apresentação dos resultados, estão programadas diversas atividades para o “Dia de Campo” em Baixa Grande, como visitas às estações de pesquisa conhecidas como Unidades de Referência Tecnológicas (URTs), além da entrega de um guia técnico aos produtores com informações úteis para a aplicação prática do conhecimento. O evento terá o apoio da Carreta Agro pelo Brasil.

A coordenadora do Projeto Forrageiras, Alenilda Carvalho, esclarece que a irregularidade das chuvas e as longas estiagens no Semiárido brasileiro exigem dos produtores um planejamento forrageiro eficaz.

“Confiar exclusivamente no pasto resulta em queda de desempenho animal e aumento dos custos de produção. O Projeto Forrageiras para o Semiárido oferece uma solução: a diversificação das fontes forrageiras, criando um cardápio forrageiro com três pilares: palma forrageira, gramíneas anuais e perenes. Isso garante volumoso, energia, proteína e água durante todo o ano, promovendo uma pecuária sustentável.”

Início – O Projeto Forrageiras para o Semiárido foi idealizado em 2017 a partir de uma demanda do presidente da CNA, João Martins, em parceria com a Embrapa e envolvendo o Sistema CNA/Senar, o Instituto CNA, Federações, sindicatos e produtores rurais do Nordeste e do Norte de Minas.

Na prática, o projeto selecionou variedades de gramíneas perenes e anuais, leguminosas arbóreas e cactáceas que se adaptam às condições climáticas de cada estado do Semiárido. Os experimentos também indicaram a melhor forma de manejo para cada variedade escolhida.

Confira alguns dos resultados do Programa Forrageiras para o Semiárido a seguir, divididos por fase da iniciativa.

Fase 1: Avaliação das espécies forrageiras – Na fase inicial do programa, diferentes espécies forrageiras foram testadas para identificar aquelas que melhor se adequam às condições climáticas da região. Entre as gramíneas anuais, os milhos Gorotuba Bandeirante BR2022 e Dow 2B655, os sorgos Ponta Negra e BRS 658, e os milhetos BRS 1501 e IPA Bulk foram avaliados.

Nas gramíneas perenes, os capins Buffel Aridus e Biloela, Andropogon, Massai, Corrente, Aruana, BRS Tamani, BRS Quênia, Grama-estrela-africana, BRS Paiaguás, Piatã e Tifton 85 também foram incluídos. Além disso, as cactáceas, como Orelha de Elefante Mexicana, Orelha de Elefante Africana, Orelha de Onça, Gigante, Miúda, IPA Sertânia e Palma Redonda, e as leguminosas arbóreas Gliricídia, Leucena e Moringa foram estudadas.

Os resultados permitiram identificar quais espécies se adaptaram melhor às diversas condições de precipitação do Semiárido. Em geral, nas áreas com chuvas abaixo de 400 mm por ano, os milhetos BRS 1501 e IPA Bulk mostraram bom desempenho entre as gramíneas anuais.

Nas regiões com precipitação entre 400 mm e 600 mm anuais, os sorgos Ponta Negra e BRS 658 se destacaram. Entre as gramíneas perenes, o capim Buffel Aridus se mostrou mais resistente às adversidades, enquanto o Massai apresentou a maior produtividade. Já entre as cactáceas, as palmas Orelha de Elefante Mexicana e Miúda tiveram os melhores resultados.

Fase 2: Avaliação com os animais – Com base nos resultados da primeira fase, as espécies mais produtivas e resistentes foram escolhidas para a segunda etapa, que incorporou o componente animal aos experimentos.

O foco passou a ser avaliar o desempenho das forrageiras em condições reais de pastejo, levando em conta o impacto do pisoteio e a resposta dos diferentes sistemas de produção.

Nos sistemas voltados para a bovinocultura de leite, utilizou-se o sorgo Ponta Negra (como gramínea anual) para a produção de silagem; os capins Massai, Aruana, Andropogon, Buffel Aridus, BRS Piatã e BRS Tamani entre as gramíneas perenes; e as palmas Miúda e Orelha de Elefante Mexicana entre as cactáceas.

Para os novilhos de corte, os experimentos focaram nos capins Buffel Aridus, Massai, BRS Piatã, BRS Paiaguás e Marandu.

Já para os ovinos de corte, o foco foi nos sorgos Ponta Negra e no milheto BRS 1501 entre as gramíneas anuais, e os capins Massai, Aruana, Tamani, Corrente e Buffel Aridus entre as gramíneas perenes, junto com a palma Orelha de Elefante Mexicana.

Os resultados mostraram que, para novilhas de leite, os melhores desempenhos foram obtidos com os capins Aruana, Massai e Piatã. Nos novilhos de corte, os capins BRS Paiaguás, Piatã e Massai se destacaram. Para os ovinos de corte, os melhores resultados foram alcançados com os capins Aruana e Massai.

Nova fase – O Rally simboliza a transição do Projeto Forrageiras para o Semiárido, concentrando agora esforços na transferência de tecnologia e na adoção das soluções pelos produtores rurais.

Os produtores terão acesso a um “cardápio forrageiro” mais adequado a cada um dos dez estados do Semiárido, garantindo que o rebanho se mantenha alimentado e saudável mesmo em períodos de seca intensa.

Saiba mais sobre os dias de campo do Rally através do link:

Assessoria de Comunicação do Sistema CNA/Senar

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