Com objetivo de fortalecer a educação municipal, a Prefeitura de Boa Vista realiza, até quarta-feira, 6, o II Seminário Municipal de Alfabetização e Letramento: Da Consciência Fonológica à Alfabetização na Idade Certa. O evento acontece no auditório da Escola Municipal Nara Ney e reúne gestores, coordenadores pedagógicos, professores da Educação Infantil e docentes do 1º ano do Ensino Fundamental.
Integrando as ações da Política Municipal de Alfabetização e Letramento, a atividade tem o propósito de apoiar os docentes em sua prática, estimulando reflexões, ajustes e estratégias que melhorem a qualidade do ensino. Cerca de 600 servidores participam da programação.
Francimeire Almeida, coordenadora do Núcleo de Alfabetização, ressaltou a importância da consciência fonológica no processo de alfabetização das crianças. Ela destacou que, pela primeira vez, o município incorpora professores da Educação Infantil nesse debate, reconhecendo a relevância dessa base desde os primeiros anos.
“A consciência fonológica é o reconhecimento, por parte da criança, dos sons da língua. É perceber que o grafema — a letra — tem um som. Quando a criança aprende a associar esse som ao grafema, ela ganha facilidade para decodificar e avançar na alfabetização no tempo adequado. Por isso, incentivamos que esse trabalho se inicie já na Educação Infantil”, explicou.
A coordenadora também apresentou um texto da coletânea “Tecendo histórias: as infâncias e as diversidades da Amazônia”, de sua autoria. O conto foi selecionado em um concurso do Ministério da Educação (MEC) e fará parte de uma obra que será distribuída nas escolas públicas do país.
Para Railene Azevedo, superintendente interina da Educação Básica, o seminário possibilita a troca de saberes entre profissionais que trabalham com alfabetização. Ela explicou que a consciência fonológica funciona como uma etapa inicial e preparatória no percurso da alfabetização.
“Nesse estágio, a criança estabelece os alicerces do aprendizado. A consciência fonológica representa a sensibilização do cérebro para os sons: por meio de rimas, jogos de fala, atividades de escuta e contato com histórias e o professor, a criança afina essa percepção. Ao chegar ao 1º ano, ela está mais preparada para reconhecer sons; em seguida, passamos para a consciência fonética, que associa esses sons às letras. É fundamental que o professor entenda seu papel nesse processo”, enfatizou.
Servidores preparados, educação de qualidade
Marcos Silva, gestor da Escola Municipal Professor Ronilson Silva Nascimento, participou pela segunda vez do seminário e falou sobre os resultados que a unidade pode alcançar com o compartilhamento de práticas entre profissionais.
“A expectativa é aprimorar o trabalho na sala de aula, ao lado dos professores, para melhorar os resultados e enfrentar os desafios. O primeiro seminário foi muito produtivo e trouxe aprendizados aplicáveis. Levamos esse conhecimento para a escola, implementamos com os docentes, e os alunos perceberam avanços significativos”, afirmou.
Professora da rede pública há 12 anos, Esdra Silva manifestou entusiasmo em participar do seminário. “Sempre ficamos motivados quando surge a oportunidade de aprender. Espero aperfeiçoar minha prática pedagógica e aplicar o que for absorvido aqui no dia a dia da sala de aula”, contou.
Educação integrada
A palestrante da noite, Ândrea Vieira, especialista em Processos de Alfabetização e Letramento, vinda do Rio Grande do Sul, falou sobre a responsabilidade e a gratidão em participar de um encontro com essa relevância.
“Organizar um encontro como este é reconhecer que o professor está sempre em aprendizado. Na área da alfabetização, os desafios mudam a cada turma, por isso a formação continuada é um espaço essencial de escuta e partilha. Quando educadores se reúnem para discutir letramento, constroem uma rede de apoio que fortalece uma educação mais humana, crítica e transformadora”, concluiu.




