O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) apresentou queda de 0,3 ponto em fevereiro, passando de 48,5 para 48,2 pontos, conforme levantamento divulgado nesta quinta-feira (12) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Com este resultado, os empresários industriais completam 14 meses consecutivos de confiança baixa, pois o índice permanece abaixo da marca de 50 pontos — o limite que separa confiança de falta de confiança. Em janeiro, o indicador tinha subido 0,5 ponto, aproximando-se desse limite.
O recuo ocorreu após o Banco Central manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15%. De acordo com a CNI, esse nível coloca o Brasil na segunda colocação entre os países com os maiores juros reais do mundo.
A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, destaca que esse patamar de juros impacta a atividade industrial de diversas maneiras, principalmente por encarecer o crédito para empresários e consumidores.
“Isso desacelera a atividade econômica. Outra forma é por meio da formação de expectativas. Diante de uma política monetária mais restritiva, os empresários tendem a prever o enfraquecimento da economia no futuro, o que afeta suas estimativas de demanda”, ressalta.
Condições atuais e expectativas
O Índice de Condições Atuais caiu 0,2 ponto em fevereiro, atingindo 43,8 pontos. Segundo o estudo, esse resultado indica que os empresários acreditam que as condições da economia e de seus próprios negócios estão piores em relação a seis meses atrás.
A redução foi influenciada, entre outros fatores, por uma avaliação mais negativa dos industriais sobre a situação de suas empresas, embora a percepção acerca da economia tenha apresentado leve melhora.
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Já o Índice de Expectativas recuou de 50,7 para 50,4 pontos. Apesar da queda, o indicador permanece acima dos 50 pontos, indicando perspectivas positivas para os próximos seis meses.
De acordo com a CNI, o resultado está ligado à piora das expectativas dos industriais sobre suas próprias empresas, apesar da melhora nas projeções para a economia.
“Isso pode estar relacionado à percepção de desaceleração da demanda e à forte entrada de produtos importados competindo com a produção nacional”, analisa Larissa.
Para a elaboração do levantamento, o ICEI entrevistou 1.103 empresas, sendo 454 pequenas, 400 médias e 249 grandes. As entrevistas ocorreram entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 2026.




