Com o objetivo de valorizar a cultura indígena e fortalecer a juventude, o Governo de Roraima participa da oficina do projeto Sa’man Tî, que acontece até sexta-feira, 20, na comunidade indígena Mauixi, localizada na região do Baixo São Marcos, em Boa Vista.
A ação integra um ciclo iniciado em 2025, reunindo jovens de diversas comunidades para uma imersão nos saberes tradicionais, com atividades como pintura, confecção de artesanato, música, dança e outras manifestações culturais e ancestrais. Jovens indígenas das regiões do Alto e Médio São Marcos também já participaram da oficina.
Israel Santana, coordenador do Núcleo da Juventude da Terra Indígena São Marcos, ressaltou que a iniciativa nasceu da necessidade de aproximar os jovens de suas próprias origens.
“Esse projeto envolve a juventude, porque muitos hoje não conhecem suas raízes. Trabalhamos a valorização da cultura, da língua e dos saberes tradicionais, além de apontar caminhos para que eles não se percam e possam construir um futuro dentro da comunidade”, explicou.
Cultura e geração de renda
A secretária da Setrabes (Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social), Tânia Soares, enfatizou a importância de estimular o potencial das comunidades. Ela destacou que, além do resgate cultural, a iniciativa apresenta o artesanato como uma alternativa de geração de renda para os jovens indígenas.
“É preciso reconhecer a força, o talento e a sabedoria das comunidades indígenas. O artesanato produzido aqui já representa Roraima em feiras nacionais e internacionais, sendo um dos estandes mais visitados. Nosso papel é fortalecer essa produção e abrir oportunidades para que ela gere renda e autonomia”, afirmou.
Durante a oficina, também foram divulgadas políticas públicas voltadas ao empreendedorismo, como a emissão da Carteira do Artesão e a participação em feiras nacionais, onde os produtos podem ser comercializados.
Segundo Gabriel Maciel, coordenador de Trabalho, Emprego e Renda da Setrabes, a proposta é transformar a produção cultural em oportunidade econômica. “O objetivo é dar autonomia financeira aos jovens e artesãos, fortalecendo a cultura e criando novas fontes de renda dentro das comunidades”, destacou.
Juventude e permanência na comunidade
Para as lideranças locais, a oficina também tem papel social ao incentivar que os jovens permaneçam nas comunidades. “O foco é preservar a cultura e fortalecer a juventude dentro da comunidade. Queremos que eles aprendam, se ocupem e cresçam aqui, sem precisar sair e abandonar suas raízes”, afirmou o tuxaua da comunidade Mauixi, Alessandro da Silva.
A estudante Raquel de Sousa Araújo, de 15 anos, participou da oficina e destacou o que aprendeu. “Eu não sabia fazer tiara, cocar e pulseira. Já aprendi e achei muito legal. Quero continuar aprendendo”, contou a jovem, que também enxerga na atividade uma possibilidade futura de geração de renda.
Fortalecimento coletivo
O projeto Sa’man Tî reúne jovens das regiões Alto, Médio e Baixo da Terra Indígena São Marcos, promovendo troca de experiências e integração entre diferentes etnias, como Makuxi e Wapichana.
Ao término do ciclo, os participantes deverão se reunir em um grande encontro para apresentar as produções culturais, incluindo danças, músicas e peças confeccionadas durante as oficinas.


