De setembro a novembro, o Brasil tem 90% de chance de enfrentar um episódio de El Niño muito forte. A previsão é do Centro de Previsão Climática, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA), divulgada no início de agosto de 2026. Segundo boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com outras instituições, a previsão indica temperaturas acima da média na maior parte do país.
Existe a possibilidade de chuvas acima da média histórica na Região Sul e de um trimestre mais seco nas regiões Norte e Nordeste.
O Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026-2027 aponta que a combinação de calor e estiagem prolongada nas regiões Central e Norte do país pode acarretar um problema adicional: as queimadas. Conforme o boletim, o cenário eleva o potencial de propagação de queimadas, especialmente se o início da estação chuvosa atrasar – o que, segundo o Inmet, já é considerado provável.
A publicação é feita pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com o Inmet, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
El Niño intenso pode atrasar chuvas
O boletim também informa que, normalmente, o trimestre marca a transição da estiagem para o período chuvoso na Amazônia Legal e no Pantanal. Entretanto, diante de um El Niño mais intenso e prolongado, pode haver atraso nesse processo.
De acordo com o instituto, projeções do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam chuvas abaixo da média em nove estados, sendo: Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas, Acre, norte de Mato Grosso e nas regiões norte e central do Tocantins e Rondônia. O fenômeno também deve afetar as temperaturas, que tendem a ficar acima da média em toda a região.
Na prática, isso pode estender as condições típicas de estiagem durante parte da primavera, mantendo o solo mais seco e a vegetação mais vulnerável ao fogo por mais tempo do que o habitual.
O alerta dos pesquisadores da NOAA é que, historicamente, eventos de El Niño mais intensos não significam necessariamente impactos mais severos, mas aumentam a probabilidade de que eles ocorram.
Em nota, o Inmet reforçou a necessidade de monitoramento contínuo das condições meteorológicas nas próximas semanas, tanto em curto prazo quanto sazonalmente, com o objetivo de identificar antecipadamente as áreas mais vulneráveis a secas, ondas de calor e episódios de chuva intensa.
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