O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, destaca que os debates sobre mudanças estruturais — como a redução da jornada de trabalho — precisam levar em conta os principais desafios para o crescimento econômico do país, entre eles a produtividade estagnada, os juros elevados, o aumento do endividamento e o peso do Custo Brasil.
De acordo com ele, essas discussões devem ser amadurecidas e não devem acontecer de maneira precipitada, sobretudo em ano eleitoral.
“O Brasil teve um crescimento médio da produtividade de 0,5 ponto percentual ao ano entre 1981 e 2023. A indústria registrou uma queda de 0,3%. É evidente que o acesso à introdução de novas tecnologias e à inovação, como a inteligência artificial, possibilita ganhos de produtividade, mas estamos atrasados”, ressalta.
Custo Brasil
Dentre os principais entraves ao crescimento econômico, Alban destaca o chamado Custo Brasil — conjunto de barreiras estruturais, burocráticas e econômicas que prejudicam o ambiente de negócios e o desenvolvimento do país.
“O grande ponto fraco do país é o Custo Brasil, que inclui toda a carga tributária, os juros elevados, os problemas de infraestrutura e de energia, que são questões que precisamos enfrentar com determinação. Não há racionalidade no preço da nossa energia, com tantos encargos embutidos”, afirma.
Alban também destaca o nível elevado das taxas de juros. Segundo ele, o próprio Banco Central sinaliza que a taxa neutra poderia ficar entre 4% e 5%, mas o país enfrenta dificuldades para diminuir o custo do crédito. Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano.
Esse cenário, conforme Alban, contribui para o aumento do endividamento e da inadimplência entre famílias e empresas. Dados do Banco Central indicam que o endividamento das famílias subiu de 48,4% para 49,7% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Já a inadimplência das pessoas físicas no sistema financeiro cresceu de 3,5% em dezembro de 2024 para 5,2% em janeiro de 2026.
Nas empresas, a inadimplência também cresceu, passando de 2,0% para 2,6% no mesmo período.
“A inadimplência aliada aos juros acumulados sobre o endividamento tem levado todos a precisarem rolar suas dívidas com novas operações que são sujeitas ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)”, alerta.
Participação do setor produtivo nas soluções
O presidente da CNI afirma que o setor produtivo — incluindo a indústria — está disposto a colaborar na busca por soluções para os principais desafios da economia brasileira. Para isso, representantes do setor irão ao Congresso Nacional no próximo dia 24 de março para entregar a Agenda Legislativa da Indústria, documento que reúne propostas prioritárias para melhorar o ambiente de negócios no país.
Além disso, a CNI pretende apresentar o projeto Brasil 2050, conjunto de propostas estratégicas voltadas ao desenvolvimento econômico de longo prazo.
“Essa é a visão do setor industrial sobre o que é necessário para o Brasil alcançar 2050 não mais como um país em desenvolvimento ou como um país do amanhã, mas como o país que desejamos. E queremos participar de forma uníssona e construtiva, não apenas sendo críticos ou jogando pedras”, afirma.
Segundo Alban, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, convidou o setor industrial a expor as pautas da agenda judiciária da indústria.
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