Na semana passada estive em Detroit (EUA) e vivi algo que, até pouco tempo atrás, parecia impensável para um fã de Fórmula 1 como eu: acompanhar de perto o lançamento do novo carro da Oracle Red Bull Racing e da Racing Bulls. Não foi apenas um evento — foi uma experiência que misturou emoção, engenharia, história e aquela sensação contínua de “pera… será que eu estou mesmo aqui?”.
E o momento não poderia ser mais simbólico. 2026 marca uma das maiores revoluções técnicas da história da Fórmula 1. Regras, carros e a própria lógica de desenvolvimento mudaram. O nível de tecnologia envolvido é impressionante: milhares de horas em túnel de vento, simulações avançadas de dinâmica de fluidos, teras e teras de dados sendo analisadas, materiais testados ao extremo e uma obsessão quase patológica por eficiência. Cada grama conta, cada milésimo faz diferença. Muito trabalho e experimentação, no sentido literal e figurado, para criar estruturas mais leves, mais flexíveis e, ao mesmo tempo, mais seguras.
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Mas talvez o aspecto mais notável dessa nova era seja outro: a Fórmula 1 entra de vez no campo da sustentabilidade. A partir de agora, os novos power units passam a operar com uma divisão clara e estratégica: 50% de energia elétrica e 50% de combustível renovável. Não é só discurso, é engenharia aplicada. Combustíveis sintéticos avançados foram desenvolvidos para reduzir drasticamente as emissões sem sacrificar desempenho. A F1 segue extrema, mas também se torna um laboratório real de soluções energéticas para o futuro da mobilidade.
É exatamente isso que torna a Fórmula 1 tão fascinante. Sempre foi — e ainda é — um laboratório a céu aberto. Muitas das tecnologias que hoje consideramos normais nos carros de rua surgiram primeiro como experimentos em pista.
Basta olhar para trás: fibra de carbono e estruturas de absorção de impacto que hoje salvam vidas; sistemas híbridos e recuperação de energia nascidos da obsessão por eficiência; trocas de marcha no volante, transmissões ultrarrápidas, aerodinâmica funcional, materiais mais leves, telemetria avançada e engenharia guiada por dados. Tudo isso foi acelerado, testado e aperfeiçoado no ambiente mais extremo possível.
Ao sair de Detroit depois desse lançamento, ficou uma certeza muito clara: a Fórmula 1 não é apenas entretenimento. É pesquisa, desenvolvimento e visão de futuro em altíssima velocidade. E, como sempre aconteceu, o que nasce na pista hoje provavelmente estará nas garagens de amanhã.
Abaixo, veja um pouco dos bastidores do evento:




