(Des)controle, com Carolina Dieckmann, estreia nos cinemas para retratar a mulher dependente do álcool

(Des)controle, com Carolina Dieckmann, estreia nos cinemas para retratar a mulher dependente do álcool

Ao falar sobre o consumo excessivo de álcool, muitas vezes a imagem que vem à mente é a dos homens. Quando a dependência atinge mulheres, ela costuma vir acompanhada de julgamentos e riscos diferentes daqueles enfrentados pela população masculina. O filme (Des)controle chega para ocupar esse espaço de representatividade, tratando o alcoolismo como uma doença que atinge muita gente, inclusive mulheres, e buscando desconstruir estigmas.

A atriz Carolina interpreta Kátia, uma mulher que, mesmo tendo uma rede de apoio, inicialmente não a procura, refugando-se no álcool na tentativa de se sentir mais forte e no comando. A narrativa explora a solidão e a dificuldade de reconhecer fragilidades, ressaltando que a recuperação de Kátia só começa quando ela aceita que está doente e precisa de ajuda. O Minha Série conversou com as atrizes Carolina Dieckmmann e Júlia Rabello, além da roteirista e produtora Iafa Britz e das diretoras Rosane Svartman e Carol Minêm.

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A identificação como primeiro passo

O alcoolismo é uma realidade conhecida por muitas famílias brasileiras. Identificar-se com uma situação muitas vezes é o primeiro caminho para enfrentar o problema, e Iafa aproveitou a chance que o filme oferece: mostrar que não estamos sozinhos.

“Como tantos brasileiros e brasileiras, a motivação para fazer esse filme começou dentro da minha própria casa. Veio de um lugar que é íntimo, da minha própria relação com o álcool (…) Eu sabia o que estava acontecendo comigo. Mas eu fiquei pensando como seria se tivesse um filme para ver naquele momento sobre o uso abusivo do álcool, sobre o alcoolismo, sobre uma recaída, sobre uma pessoa que eu me reconhecesse na tela, alguma personagem como uma pessoa de verdade, com a vida como ela é, que tem problema ali, mas que está tudo bem também, porque é uma doença que não escolhe onde vai aparecer. Teria sido muito bom”, disse Iafa.

A roteirista e produtora contou que teve dificuldade até de nomear a doença, e que foi Rosane quem colocou o termo em pauta.

“O Felipe Sholl, roteirista do filme também, que, além de ser um grande roteirista, é uma pessoa que conhece muito o tema (…) quando a gente encontrou a Rosane, ela foi a primeira pessoa que falou assim: ‘É um filme sobre alcoolismo’. Porque eu mesma falava: ‘Então, é uma mulher com compulsões, com adicções’. Eu ficava tentando comer pelas beiradas, porque é difícil falar. E aí ela nomeou: o filme fala sobre uma mulher alcoólatra”, acrescentou Iafa.

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As visitas ao AA foram importantes também para ouvir aquelas pessoas que já estão naquele passo de tentar retomar a vida.

Rosane confirmou o relato de Iafa, dizendo que todo mundo conhece alguém que passou por isso, seja pessoalmente ou por alguém próximo, e que essas histórias precisam ser contadas.

“Quando a Iafa me mandou o roteiro, a primeira coisa que eu pensei foi que eu tinha alguém que eu conhecia, então falei: ‘Essa história tem que ser contada’. Eu tenho uma grande amiga que morreu por causa dessa doença. E quando eu li o roteiro, eu sonhei com ela, e eu falava: ‘Mas você morreu. Eu falei para todo mundo que você morreu’. E ela falava: ‘Não, não, eu tô viva’. E aí eu acordei no dia seguinte, liguei para a Iafa e falei: ‘Vamos fazer esse filme, a gente tem que fazer esse filme’”, contou a diretora.

A manifestação corporal da doença

A atriz Carolina Dieckmmann passou por uma preparação intensa para o papel, incluindo visitas a reuniões de Alcoólicos Anônimos (AA), para apreender as nuances da dependência e do processo de recuperação. A cena em que Kátia volta a beber é muito impactante, e a atriz domina com precisão as expressões da personagem.

“As diretoras conversaram muito sobre isso, do prazer que é para a pessoa que gosta de beber, ou que acha que precisa beber para relaxar, para ficar socialmente mais confortável. Ela vai para aquilo com um enamoramento, então era importante que a bebida tivesse essa simbologia. Paralelo a isso, eu fiz vários trabalhos de preparação em etapas: um com as diretoras, para a gente rever filmes, criar referências que fossem comuns a nós três, conversar sobre como o alcoolismo já entrou na vida de cada uma, quem a gente conhece, o que é que a gente queria imprimir”, comentou a atriz.

Carolina Dieckmmann pesquisou bastante para dar a Kátia uma interpretação o mais fiel possível à realidade.

Além da preparação psicológica, Dieckmmann trabalhou a linguagem corporal para compor Kátia.

“Depois eu fiz um trabalho de corpo que foi para ajustar no corpo esse desequilíbrio que a bebida traz: a lentidão, a paixão, em que lugar do corpo isso fica, como você olha. As visitas ao AA foram importantes também para ouvir aquelas pessoas que já estão naquele passo de tentar retomar a vida, indo ali. Então são depoimentos que foram muito importantes para mim. Eu acho que a junção desses três pilares me deu bastante consistência para entender o que eu podia fazer com cada coisa, com cada cena, com cada nuance, com cada movimento”, continuou Dieckmmann.

Um ponto marcante do filme é a construção da personagem Kátia e da sua alter ego Vânia, que aparece sob o efeito do álcool, simbolizando a transformação da personagem e a perda de controle.

“Eu acredito que essa tenha sido uma sacada boa do filme, porque a pessoa que tá sob o efeito de alguma droga ou álcool fica irreconhecível sobre algum aspecto, né? E quem faz essa virada é o filho dela. O filho fala para ela: ‘Eu dei o nome dela de Vânia, porque não parecia você’. E essa coisa de você ter uma personagem que é irreconhecível para você, na verdade acaba sendo duas personagens, né?”, comentou Carolina.

A amizade feminina como salvação

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Júlia Rabello vive Léo, a melhor amiga de Kátia.

No longa, a rede de apoio é mostrada de maneira sensível, com pessoas que estão ali sem julgar, mas com carinho e preocupação verdadeira. A amizade entre mulheres é apresentada como uma força que ajuda a atravessar momentos difíceis, como o alcoolismo.

Júlia Rabello interpreta Léo, amiga essencial para a história de Kátia.

“Acho que a amizade feminina é um tema que aparece muito no nosso coração, né? Assim, eu acho que nós mulheres, a gente tem falado muito sobre as nossas conexões. Eu acredito muito na amizade feminina, no afeto entre mulheres. A gente é naturalmente uma rede, a gente se sustenta, por mais que a gente tenha todo um externo que que incentive o contrário. Eu acredito muito nisso”, concluiu a atriz.

(Des)controle já estreou em salas por todo o Brasil e, por sorte, a Semana do Cinema está em cartaz. Vai assistir ao filme? Comente nas redes sociais do Minha Série! Estamos no Threads, Instagram, TikTok e até mesmo no WhatsApp. Venha acompanhar filmes e séries com a gente!
 

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