Boa Vista (RR) – Em discurso contundente na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), o deputado estadual Armando Neto (PL) criticou duramente as ações do governo federal na região de Samaúma e áreas vizinhas, denunciando que produtores rurais estariam sendo impedidos de utilizar pequenas quantidades de combustível em suas atividades, como irrigação e produção de farinha.
Segundo o parlamentar, agricultores familiares da região têm relatado dificuldades para realizar tarefas básicas, como levar gasolina para moer macaxeira ou irrigar hortas, devido a ações de fiscalização que estariam limitando drasticamente o transporte de combustível.
“Dois litros de gasolina para moer um saco de macaxeira ou irrigar uma plantação estão sendo tratados como crime. Isso é um absurdo! O agricultor precisa abastecer a moto, levar o combustível e trabalhar. Isso é agricultura familiar, não crime”, protestou o deputado.
Produtores sendo penalizados
Armando Neto afirmou que a população de comunidades como Samaúma, Trairão, Vila Nova, Penha, Apiaú, Campos Novos, Roxinho, todas próximas a terras indígenas, tem sido penalizada indevidamente. Ele também ressaltou que não cabe aos produtores rurais distinguir quem é criminoso e quem é trabalhador, mas sim às forças de segurança do Estado.
“A obrigação de saber quem é bandido e quem é pai de família não é do agricultor, é das forças de segurança. É o governo que tem que fazer esse trabalho. O povo está pagando por isso com sofrimento e miséria”, criticou.
Proposta de audiência pública
Como encaminhamento, o deputado anunciou que irá protocolar um pedido de audiência pública para discutir o problema com representantes da bancada federal de Roraima, órgãos de segurança pública e instituições federais.
“Pode não ser competência direta desta Casa, mas é nossa responsabilidade. Nós precisamos ouvir a sociedade, organizar as denúncias, juntar provas, reunir forças políticas e cobrar soluções”, afirmou.
Armando também fez um apelo à união entre os parlamentares estaduais e federais de Roraima para formar uma frente em defesa dos trabalhadores rurais.
Contexto
A situação relatada pelo deputado ocorre em um momento de forte presença de fiscalização ambiental e de segurança em regiões próximas a terras indígenas, onde historicamente há tensão entre o governo federal e comunidades locais em função de conflitos fundiários e restrições de uso de recursos naturais, como madeira e combustível.
Próximos passos
A proposta de audiência pública será oficialmente protocolada nos próximos dias na Assembleia Legislativa, com expectativa de que representantes do governo federal e da sociedade civil sejam convocados para debater a situação dos produtores e buscar soluções concretas.