Autoridades públicas, especialistas, artistas, produtores culturais e representantes da sociedade civil se reuniram no Teatro Municipal na segunda-feira, 24, para participar do encontro “Patrimônio Criativo de Boa Vista: Tempo, Identidade, Inclusão Produtiva e Renda”, realizado pela Prefeitura de Boa Vista em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em alusão ao Mês do Patrimônio Cultural.
Além de valorizar o passado, a iniciativa buscou debater de que forma as referências culturais de Boa Vista podem seguir vivas, gerar emprego e renda e integrar o desenvolvimento futuro da cidade. Para Dyego Monnzaho, presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), o evento simboliza também um novo capítulo na política de preservação patrimonial municipal.
“Com a reestruturação administrativa recente, a Prefeitura de Boa Vista reativou a Coordenação de Patrimônio Cultural, o que fortalece ações de reconhecimento e salvaguarda da história e da identidade local. É uma honra participar dessa construção coletiva”, afirmou.
Boa Vista no debate nacional sobre patrimônio
Um dos pontos centrais da programação da noite inaugural foi a palestra sobre o Sistema Nacional de Patrimônio Cultural (SNPC) e a construção de uma agenda para a gestão compartilhada desses bens. Laís Queiroz, coordenadora-geral do SNPC, destacou a necessidade de expandir as políticas de preservação além dos grandes centros e das regiões que costumam concentrar o debate patrimonial no país.
“Boa Vista tem destaque em Roraima por contar com legislação própria de proteção ao patrimônio cultural e pode servir de exemplo para o fortalecimento dessas políticas em outros 14 municípios do estado. É preciso dar visibilidade às comunidades indígenas, ao patrimônio arqueológico e às demais referências culturais, para avançar na elaboração de planos de salvaguarda e na captação de recursos que garantam a preservação desses bens”, explicou.
Quem faz a cultura também é patrimônio
Reconhecer as pessoas que dedicaram suas vidas às manifestações culturais é uma forma de preservar memórias vivas. No evento, aqueles que contribuem para o fortalecimento da identidade cultural de Boa Vista e para a transmissão desse legado às novas gerações foram homenageados como Patrimônios Vivos.
Entre os agraciados estava Chiquinho Santos, apresentador e diretor do Concurso de Quadrilhas do Boa Vista Junina. “Ser reconhecido como patrimônio vivo é perceber que você está deixando um legado. Fico feliz ao ver que meu trabalho na cultura contribui para quem virá depois de mim”, declarou.
O cantor e compositor Neuber Uchôa falou sobre a emoção de receber o reconhecimento em sua cidade: “Sinto-me ainda mais fortalecido, de coração aberto. Chegar nessa fase e ser homenageado pela prefeitura é motivo de muita gratidão”, relatou.
Confira a lista com os nomes de todos os homenageados
Catarina de Fátima Ribeiro – Gestora cultural
Chiquinho Santos – Compositor, defensor da cultura popular, apresentador e diretor do Concurso de Quadrilhas do Boa Vista Junina
Eliakin Rufino – Poeta, compositor, professor e pensador
Neuber Uchôa – Poeta, compositor, membro da Academia Roraimense de Letras e um dos fundadores do Movimento e do Trio Roraimeira
Marisa Bezerra – Antropóloga, atriz, produtora cultural, diretora teatral, arte-educadora e agente cultural
Elena Campo Fioretti – Professora com licenciatura em Ciências Físicas e Biológicas e habilitação em Matemática; bacharel em Economia; doutoranda e graduanda em Museologia; aluna de MBA em Gestão de Museus e Inovação
Petita Brasil – Professora, escritora, artista plástica, artesã, produtora cultural e carnavalesca
Léo Malabarista – Artista de circo
Kalu Brasil – Cozinheira autodidata, descendente do povo Wapichana; uma das principais representantes da gastronomia regional em eventos nacionais e internacionais
Denise Arnout Rohnelt de Araújo – Jornalista e chef de cozinha
Carlos Alberto de Souza Fournier Filho – Tatá Bokulê – Líder do Abasà N’gola Ngunzu Tatà Bokulê; fundador da Cia de dança afro Nganga Nzila; presidente da Federação de Umbanda, Ameríndios e Culto Afrobrasileiro do Estado de Roraima – FUCABERR
Coletivo Cultural Afoxé Filhas e Filhos de Iemanjá – Grupo de matriz cultural afro-brasileira
Márcio Sergino – Técnico de Direção e Atuação pela Escola de Arte Dramática e professor
Jorge Macedo – Fotógrafo




