Conflito no Oriente Médio aumenta custo das matérias-primas e impacta indústria brasileira

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A alta do petróleo e de outros insumos, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, resultou em um aumento significativo no preço médio das matérias-primas no Brasil. Conforme a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução do preço das matérias-primas subiu de 55,3 pontos no quarto trimestre de 2025 para 66,1 pontos no primeiro trimestre de 2026 — um crescimento de 10,8 pontos no período.

O índice não alcançava um patamar tão alto desde o segundo trimestre de 2022, quando o comércio global ainda se recuperava dos impactos da pandemia.

O alto custo ou a escassez de matérias-primas também se destacou no ranking dos principais desafios enfrentados pelo setor industrial. Esse problema foi citado por 30,8% dos industriais no primeiro trimestre de 2026, contra 17,3% no último trimestre de 2025, assumindo agora a segunda posição.

Em primeiro lugar continua a elevada carga tributária, apesar de ter diminuído de 41,1% para 34,8% das respostas. Na terceira colocação estão as altas taxas de juros, com 27,2%, praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, destaca que a principal preocupação dos empresários reflete os impactos do cenário internacional.

“Essa maior apreensão dos empresários quanto à falta ou ao alto custo das matérias-primas reflete o que ocorre no conflito no Oriente Médio, que tem provocado dificuldades e aumento dos custos com petróleo e outros insumos essenciais”, explica.

Custos elevados e juros altos pressionam industriais

Conforme o levantamento, os industriais expressaram insatisfação com as condições financeiras das empresas. O índice que mede essa percepção caiu 2,9 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 50,1 para 47,2 pontos.

O índice de satisfação com o lucro operacional também recuou 2,6 pontos, alcançando 41,9 pontos — o menor valor desde o segundo trimestre de 2020, quando marcou 37 pontos, período mais crítico da pandemia para a indústria.

Já o índice de acesso ao crédito caiu 1,9 ponto, passando de 40,9 pontos no quarto trimestre de 2025 para 39 pontos no primeiro trimestre de 2026, a pior marca em três anos. O indicador permanece bastante abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando grande dificuldade das empresas para obtenção de crédito.

“Os juros ainda exercem forte pressão sobre a situação financeira das empresas, principalmente daquelas com dívidas anteriores. Também há maior pressão sobre custos que já aumentavam no final do ano passado devido à mão de obra, mas neste primeiro trimestre de 2026 o custo com insumos e matérias-primas se elevou, afetando a saúde financeira das empresas”, ressalta Azevedo.

Produção industrial cresce em março

Apesar do aumento nos custos das matérias-primas, a produção industrial avançou em março. O índice que indica essa evolução subiu 8,3 pontos em relação a fevereiro, saindo de 45,4 pontos para 53,7 pontos.

Segundo a CNI, esse resultado positivo era esperado, pois março costuma marcar a mudança de queda para alta na produção industrial.

Em linha com essa tendência, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cresceu de 66% para 69%, superando a média histórica para março, que é de 67%.

O índice de evolução do nível de estoques apresentou leve variação negativa de 0,1 ponto, chegando a 49,5 pontos. Ao permanecer abaixo da linha de 50 pontos, indica que os estoques de produtos industriais seguem aquém do nível ideal para os empresários.

Além disso, o índice que mede a evolução do número de empregados também apresentou avanço, passando de 48 para 49,1 pontos. Apesar da terceira alta consecutiva, o indicador ainda permanece abaixo da linha de 50 pontos, o que aponta que o emprego industrial continua em queda, embora de forma menos intensa e disseminada.

Atividade positiva eleva expectativas do setor

Conforme a CNI, os resultados positivos da produção e da UCI em março contribuíram para melhorar as expectativas dos empresários para os próximos meses. Todos os índices de expectativas cresceram em abril, exceto o indicador relacionado ao número de empregados.

  • A expectativa de demanda por produtos industriais aumentou 0,6 ponto, atingindo 53,9 pontos;
  • A expectativa de compra de insumos e matérias-primas cresceu 0,5 ponto, chegando a 52,5 pontos;
  • A expectativa de quantidade exportada subiu 0,9 ponto, alcançando 50,9 pontos;
  • Entretanto, a expectativa para o número de empregados caiu 0,3 ponto, recuando para 50,1 pontos.

Apesar disso, a intenção de investimento do setor permanece contida diante do cenário externo e dos juros elevados. Em abril, o índice de intenção de investimento caiu 1,1 ponto, passando de 54,8 para 53,7 pontos — a quarta queda consecutiva.

A pesquisa completa está disponível no site da CNI.

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