A tecnologia vem mudando a maneira de ensinar e aprender nas escolas da Rede Municipal de Ensino de Boa Vista. Com internet em 100% das unidades, a conectividade tornou-se uma aliada estratégica para promover práticas pedagógicas mais dinâmicas, inclusivas e alinhadas à realidade dos estudantes.
Na Escola Municipal Palmira de Castro Machado, no bairro Araceli Souto Maior, esse quadro já se concretiza. A unidade atingiu o nível 5 de conectividade — o mais alto no Indicador Escolas Conectadas (INEC) — e se destaca pelo uso integrado da tecnologia no dia a dia escolar.
Espaço Maker e tecnologia na prática
Um dos destaques da escola é o Espaço Maker, um ambiente vibrante e interativo, criado com recursos do Prêmio Gestão. O local reúne chromebooks, tablets e um laboratório de ciências, estimulando criatividade, experimentação e aprendizado prático.
Além disso, os estudantes têm à disposição diversos equipamentos usados em toda a rede municipal, como PlayTables, telas interativas, tablets, chromebooks e o Matatalab, voltado para a robótica educacional. Esses recursos ampliam o ensino além do quadro e do caderno, proporcionando experiências mais envolventes e significativas.
Internet como ferramenta pedagógica
O Plano de Ação prevê, para 2026, elevar pelo menos 80% das escolas aos níveis 4 ou 5 de conectividade e ampliar a formação dos professores, com 100% capacitados em educação digital básica e 60% em nível avançado, consolidando o uso pedagógico da tecnologia nas escolas.
A gerente de Programas e Projetos Educacionais da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), Deigla Cavalcante, destaca que o avanço da conectividade em Boa Vista vai além do simples acesso à internet.
“Não se trata apenas de ter internet, mas de como ela transforma o processo de aprendizagem. Hoje os alunos acessam conteúdos, desenvolvem projetos e aprendem de forma mais ativa, crítica e participativa”, afirmou.
Ela acrescenta que todas as escolas da rede já contam com internet, incluindo unidades rurais e indígenas, que utilizam tecnologia via satélite, como a Starlink, ampliando o acesso mesmo em áreas mais remotas.
“Nosso próximo passo é avançar ainda mais. Em 2026 queremos aumentar o número de escolas no nível 5 de conectividade, assegurando maior qualidade técnica e pedagógica no uso dessas ferramentas”, completou.
Projeto resgata a leitura com apoio digital
Na prática, a conectividade já impacta diretamente o aprendizado. A professora Euseni Pereira desenvolve o projeto “Viajando pelo Mundo Digital dos Gibis”, que utiliza uma plataforma online com histórias da Turma da Mônica para incentivar o gosto pela leitura.
Voltado aos alunos do 4º ano, o projeto une tecnologia e literatura, com rodas de conversa focadas na interpretação de texto — também preparando os estudantes para o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
“A tecnologia permite resgatar conteúdos relevantes de forma mais atraente. Muitos alunos não conheciam essas histórias e agora se interessam pela leitura. Além disso, trabalhamos a interpretação e já pensamos no desempenho futuro deles”, explicou a professora.
Alunos mais engajados
Para os alunos, a experiência tem sido positiva e motivadora. “Gosto muito desse espaço porque nos divertimos e aprendemos. Eu não conhecia as historinhas da Turma da Mônica e estou adorando”, contou Bianca Silva, de 9 anos.
José Ignácio também comentou sobre as aulas com tecnologia: “Aulas com tablet e computador prendem mais nossa atenção. A internet ajuda a aprender mais e a pesquisar diversas coisas”, disse.
Whesley Alves destacou a mudança no hábito de leitura: “Quase não lia, mas agora estou gostando mais por causa das histórias”, afirmou.
Resultados esperados
Em 2025, a Rede Municipal de Ensino de Boa Vista alcançou adesão total à Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, com 429 professores participando do autodiagnóstico. Hoje, todas as escolas têm o Plano de Ação Financeira (PAF) implementado e medidores de conectividade instalados, garantindo monitoramento técnico contínuo.
Entre os avanços estão a inclusão de unidades em programas federais, como Wi-Fi Brasil e FUST, além da sistematização de dados em plataformas do Ministério da Educação (MEC), o que fortalece a gestão e o planejamento da rede.




