CNI prevê aumento de 2% no PIB do Brasil em 2026

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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 2% em 2026, conforme projeção do Informe Conjuntural do 2º Trimestre da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A estimativa é sustentada por perspectivas positivas para a indústria — sobretudo a extrativa — e para a agropecuária, além da resiliência do setor de serviços.

A entidade manteve a projeção divulgada no primeiro trimestre, porém o ritmo esperado é inferior ao crescimento de 2,3% registrado pela economia brasileira em 2025. De acordo com a CNI, os indicadores parciais do segundo trimestre reforçam os sinais de desaceleração da atividade econômica, movimento já observado ao longo do ano passado.

Para a confederação, manutenção dos juros elevados, aumento dos custos de produção e avanço das importações seguirão pressionando o setor produtivo e limitando o desempenho da economia.

Indústria

A CNI revisou para cima a projeção de crescimento da indústria em 2026, de 1,6% para 2,1%. Essa melhora é explicada principalmente pelo desempenho da indústria extrativa.

Segundo o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, o segmento foi menos impactado pelo cenário de juros elevados e continua impulsionado pelo aumento da produção de petróleo e minério de ferro.

“O grande destaque para essa elevação na projeção é o setor extrativo mineral, que deve crescer mais de 9% em 2026, ligado à produção de petróleo, que tem apresentado forte crescimento, assim como a produção de minério de ferro“, afirma ele.

Por sua vez, a indústria de transformação deve seguir enfrentando desafios. A CNI destaca que a combinação da entrada significativa de produtos importados, os juros altos e o aumento de custos causado pelo conflito no Oriente Médio deve frear a atividade do segmento. Ainda assim, a projeção de crescimento foi ajustada de 0,3% para 0,6%.

Na construção civil, a expectativa também evoluiu. A previsão passou de 1,3% para 1,5%, impulsionada por medidas governamentais para o crédito imobiliário, a expansão do Sistema Financeiro da Habitação, o programa Reforma Casa Brasil e a continuidade dos investimentos em infraestrutura.

Agropecuária

A perspectiva para a agropecuária foi revista para cima pela segunda vez consecutiva. A CNI agora projeta crescimento de 1,8% em 2026, ante 1,1% previsto anteriormente.

A revisão reflete a expectativa de mais uma safra recorde, puxada pela soja, além da expansão da produção animal. No fim de 2025, a entidade previa estabilidade para o setor.

Apesar do aumento dos custos dos insumos, pressionados pelo conflito no Oriente Médio, a avaliação é que o agronegócio continuará sustentando parte do crescimento econômico.

Serviços

O PIB do setor de serviços foi o único que teve a projeção revisada para baixo. A estimativa caiu de 2,1% para 1,9% em 2026.

De acordo com a CNI, segmentos como informação e comunicação, comércio varejista e o mercado de trabalho continuam sustentando a atividade, junto a medidas de estímulo ao consumo.

Mario Sergio Telles destaca que o comércio tem apresentado desempenho positivo para o PIB do setor.

“O comércio cresceu 1,4% nos últimos cinco meses em relação ao período anterior, bastante impulsionado por alguns programas de financiamento governamentais, como Carro Sustentável e Move Brasil”, ressalta.

Por outro lado, o aumento do endividamento e inadimplência das famílias, aliado à manutenção dos juros altos, continua limitando a expansão do setor.

Segundo Telles, enquanto indústria e comércio sofrem os efeitos da política monetária restritiva, a indústria extrativa é menos sensível aos juros e o comércio tem recebido estímulos de programas governamentais, fatores que ajudam a sustentar a projeção de crescimento do PIB.

Inflação e contas públicas

A CNI elevou de 4,4% para 5% a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026. Essa revisão reflete principalmente o aumento dos preços dos alimentos e combustíveis, além da persistência da inflação nos serviços.

No aspecto fiscal, a entidade prevê crescimento real de 5,8% da receita líquida federal. Simultaneamente, as despesas da União devem crescer 4,5% acima da inflação.

Dessa forma, o déficit primário deve chegar a cerca de R$ 55,3 bilhões, patamar semelhante ao de 2025. A dívida pública deve terminar 2026 em 82% do PIB, aumento de 10,3 pontos percentuais em relação ao registrado há dez anos.

Diante da piora do cenário fiscal e da inflação mais resistente, a CNI passou a projetar apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros Selic em 2026, reduzindo-a de 14,25% para 13,75%. No informe anterior, esperava-se que a taxa fechasse o ano em 12,75%.

“Importa destacar que a taxa neutra de juros, que não restringe nem estimula o crescimento econômico, está em 5%. Se as projeções se confirmarem, os juros reais encerrarão 2026 em torno de 9,2%, indicando uma política monetária altamente contracionista”, afirma Telles.

Importações em alta e riscos externos

No cenário internacional, a CNI destaca a guerra no Oriente Médio como principal risco para a economia brasileira. O conflito aumentou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes no primeiro semestre, embora a entidade avalie que essa pressão pode diminuir ao longo do ano graças à expectativa de maior oferta de petróleo e desaceleração da demanda chinesa.

Outra preocupação é o aumento das importações de bens de consumo, que subiram 16% no primeiro semestre. Segundo a CNI, esse avanço ocorre num contexto de desaceleração da indústria nacional e da demanda por produtos industriais. A projeção indica que as importações brasileiras totalizarão US$ 306 bilhões em 2026, alta de 5,2% em relação ao ano anterior.

Por outro lado, as exportações devem alcançar US$ 383,9 bilhões, crescimento de 9,5%, beneficiadas pelos preços elevados de commodities minerais, como petróleo, e agrícolas, como soja.

No entanto, a CNI alerta que esse cenário pode ser impactado caso se confirme o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Ainda assim, a expectativa é de que a balança comercial registre superávit de US$ 77,9 bilhões em 2026, valor 30,4% superior ao de 2025.

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