Catástrofes climáticas afetaram mais de 90% dos municípios brasileiros em 30 anos

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Mais de nove em cada dez municípios do Brasil registraram pelo menos um desastre climático entre 1991 e 2024. É o que revela um estudo feito por cientistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A pesquisa analisou 59.658 ocorrências relacionadas à falta ou ao excesso de chuvas e confirma o avanço dos eventos climáticos extremos no território nacional.

No total, 5.096 dos 5.570 municípios brasileiros foram atingidos por pelo menos um desastre durante o período estudado. As ocorrências foram divididas em quatro categorias: secas, tempestades, inundações, incluindo alagamentos e enxurradas, e deslizamentos de terra.

O Nordeste concentrou o maior número de municípios afetados, seguido pelas regiões Sudeste, Sul, Norte e Centro-Oeste. O estudo revela também que milhares de cidades enfrentaram mais de um tipo de desastre ao longo das últimas três décadas, mostrando a recorrência desses eventos em diferentes regiões do país.

Os impactos são visíveis nos indicadores sociais e econômicos. De acordo com a pesquisa, os eventos climáticos extremos causaram 4.774 mortes, 3.031 desaparecimentos e afetaram mais de 129,7 milhões de pessoas. As perdas econômicas ultrapassaram US$ 123,8 bilhões, levando em conta danos à infraestrutura, prejuízos materiais e efeitos na atividade econômica.

Segundo os pesquisadores, os desastres climáticos não devem ser vistos apenas como fenômenos naturais. O estudo indica que seus impactos são agravados pelas mudanças climáticas, pela ocupação de áreas vulneráveis, pela expansão urbana desordenada e por falhas no planejamento e gestão pública.

Os cientistas também alertam que os impactos podem ser ainda maiores do que os oficialmente registrados, devido à subnotificação de ocorrências e às limitações dos sistemas de informação. Para eles, fortalecer as Defesas Civis municipais, ampliar o monitoramento e aprimorar os sistemas de registro são ações essenciais para reduzir os danos causados pelos eventos climáticos extremos e aumentar a capacidade de prevenção e resposta das cidades brasileiras.

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Esta reportagem foi elaborada com base em um artigo publicado pela Agência FAPESP, de autoria da jornalista Luciana Constantino

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