Brasil procura atrair investimentos em minerais estratégicos durante evento internacional no Canadá

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Com a crescente demanda global por minerais essenciais para a transição energética e a indústria tecnológica, o Brasil intensificou seus esforços para apresentar projetos de mineração a investidores estrangeiros durante agendas realizadas na última semana em Toronto, Canadá.

A iniciativa reuniu representantes do setor mineral e empresas brasileiras interessadas em captar recursos para projetos de exploração e processamento mineral, com ênfase em minerais estratégicos utilizados na fabricação de eletrônicos, baterias e veículos elétricos.

A organização das agendas internacionais contou com a participação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que promoveu encontros com investidores, painéis temáticos e apresentações de projetos brasileiros entre os dias 1º e 5 de março.

A delegação brasileira foi liderada pela diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, e contou também com a presença do chefe do escritório da Agência na América do Norte, Igor Brandão, além do especialista em atração de investimentos Marcos Vale.

Parte da programação aconteceu simultaneamente à convenção da PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), considerada o evento mais influente do setor mineral no mundo. A edição de 2026 deve reunir cerca de 30 mil participantes de 135 países, além de mais de mil expositores e aproximadamente 2,5 mil investidores.

O Brasil mantém uma presença institucional no evento com um pavilhão próprio, que congrega representantes de 33 empresas de mineração, entidades do setor e autoridades do governo federal.

Durante a abertura do espaço brasileiro em 1º de março, Ana Paula Repezza destacou a importância de atrair capital internacional não somente para a exploração mineral, mas também para expandir a capacidade de processamento no país.

“Nesse ramo de atração de investimentos, um dos setores estratégicos é o de minerais críticos. Eles estão no centro de toda a discussão sobre transição energética, combate às mudanças climáticas e eletrificação veicular. Não poderíamos deixar de estar aqui no pavilhão Brasil para mostrar nossos projetos estratégicos e atrair investimentos canadenses, especialmente para as empresas iniciantes”, ressaltou Ana Paula Repezza.

“O Brasil possui a segunda maior reserva de minerais químicos do mundo, pois temos apenas 25% do nosso território mapeado geologicamente. Nosso objetivo é fazer com que esses minerais também possam ser beneficiados no Brasil, assim como seus subprodutos, chegando até produtos finais, como baterias elétricas”, complementou a diretora de Negócios da ApexBrasil.

Para o presidente da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB), Marcos André Gonçalves, a participação brasileira no evento é uma oportunidade para mostrar ativos e projetos nacionais ao mercado global.

“A ApexBrasil traz toda a sua expertise para realizar a vitrine do Brasil, apresentando produtos, serviços, ativos e projetos que podem ser negociados e atrair investidores. É uma oportunidade única. Muitos projetos de empresas listadas na bolsa de Toronto possuem ativos apenas no Brasil. Temos cerca de 200 empresas juniores que querem aproveitar essa chance”, afirmou.

Segundo representantes do setor, a presença institucional também ajuda a ampliar o diálogo entre as empresas brasileiras e os grandes players internacionais da mineração. Luiz Curado, da Terra Goyana Mineradora, considera que a parceria com a agência tem ajudado a fortalecer a internacionalização do setor.

“A cooperação da mineração com a Apex tem trazido resultados positivos e permite que o setor se desenvolva de forma mais rápida e eficiente. Um exemplo das ações da Apex está acontecendo aqui no PDAC com o catálogo de projetos para atração de investimentos. Esse material é uma porta de entrada para o diálogo que possibilita ao setor minerário se relacionar com players relevantes do mercado”, defendeu.

Brazilian Mining Day apresenta projetos brasileiros

Dentro da programação da convenção, o setor mineral brasileiro também promoveu o Brazilian Mining Day, organizado em parceria com a ADIMB e o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

O evento foi voltado à apresentação de projetos brasileiros de minerais críticos a investidores internacionais interessados em financiar empreendimentos no país.
A programação contemplou painéis temáticos com executivos, representantes governamentais e especialistas do setor mineral. Um dos debates abordou o acesso das empresas mineradoras juniores ao mercado de capitais brasileiro.

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A diretora de Negócios da ApexBrasil foi moderadora do painel “O mercado de capitais para mineradoras juniores no Brasil: em alta ou imprevisível?”, que reuniu empresários em busca de investimentos estrangeiros para financiar novos projetos.

Além dos debates, empresas brasileiras em diferentes estágios de desenvolvimento apresentaram iniciativas focadas em pesquisa mineral e transformação de recursos estratégicos. Os projetos estão distribuídos por diversos estados, entre eles Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso.

Contatos com investidores e mercado financeiro

Como parte da agenda de promoção do setor mineral brasileiro, também foram realizados encontros estratégicos com representantes do mercado financeiro na bolsa de valores de Toronto.

As reuniões contaram com cerca de 40 participantes, incluindo gestores de fundos e instituições financeiras especializadas em mineração, interessados em oportunidades de financiamento para projetos de minerais críticos no Brasil.

De acordo com Ana Paula Repezza, o mercado de capitais canadense possui ampla experiência no financiamento de projetos minerários e pode se tornar um parceiro importante para iniciativas brasileiras.

“Existe um interesse genuíno em colaborar com essas instituições financeiras no Brasil, como o BNDES e outros fundos, para que possamos viabilizar e dar escala a projetos de minerais críticos que interessem a ambos os mercados”, afirmou.

“Nosso interesse também é apoiar a fase de beneficiamento desses minerais, gerando impactos econômicos e sociais no Brasil e contribuindo para uma agenda de transição climática que é importante para os dois países”, concluiu.

Catálogo reúne oportunidades de investimento

Para facilitar a aproximação com investidores, foi elaborado um catálogo de projetos do setor mineral brasileiro, com foco em iniciativas previstas para os próximos anos.
O material apresenta 35 projetos distribuídos por estados como Minas Gerais, Bahia, Goiás, Tocantins, Piauí, Mato Grosso, São Paulo e Sergipe. As iniciativas envolvem minerais considerados estratégicos para a economia global, entre eles terras raras, grafite, lítio, níquel, zinco e cobre.

O documento traz informações sobre o estágio de desenvolvimento dos projetos, necessidades de investimento e contatos dos responsáveis pelas iniciativas. Ao todo, o portfólio representa cerca de US$ 5,5 bilhões em investimentos potenciais para a indústria mineral brasileira.
 

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