Brasil e México debatem novos tratados comerciais em meio à guerra tarifária dos EUA

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Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) participaram esta semana no México de uma missão empresarial liderada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Na ocasião, o governo brasileiro e cerca de 150 empresários discutiram a ampliação das relações comerciais entre os países, que registraram um comércio bilateral de US$ 13,6 bilhões em 2024, com superávit brasileiro de aproximadamente US$ 2 bilhões.

CNI: Queda nas exportações pode causar desemprego no setor industrial

Diante de um cenário internacional incerto devido às tarifas impostas pelos Estados Unidos, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, avalia que a visita à capital mexicana acelerou a busca pela diversificação de parceiros comerciais. Segundo ele, desde 2023, o México já anunciou cerca de US$ 7,9 bilhões (R$ 44 bilhões) em investimentos no Brasil, valor superior ao registrado em toda a década anterior (2012–2022).

“O Brasil se destaca por sua previsibilidade e estabilidade, atributos essenciais para atrair investimentos sustentáveis”, destaca.

Para a CNI, embora importante, a parceria ainda está abaixo do seu potencial. A gerente de Promoção Comercial da entidade, Tatiana Farah, que participou do encontro, aponta como prioridade a negociação de um acordo comercial mais amplo, especialmente nos setores de segurança alimentar, complexo de saúde, tecnologia e serviços, segurança, transição energética e indústria (autopeças, transporte, aeroespacial, máquinas e componentes).

 “Estamos falando de dois países que juntos representam 55% da economia da região, 52% da população, 66% do comércio e 64% do investimento estrangeiro direto”, resume.

Outro ponto da agenda bilateral foi a ampliação dos itens abrangidos pelo Acordo de Complementação Econômica nº 53 (ACE 53), que prevê a eliminação ou redução de tarifas de importação para cerca de 800 produtos, entre eles frutas, legumes e minérios.

 “A negociação de um novo marco comercial entre Brasil e México é uma demanda prioritária da indústria e ganha ainda mais importância no contexto atual. Estimamos que um acordo mais amplo e inclusivo pode gerar um crescimento adicional de US$ 13,8 bilhões no PIB dos dois países”, ressalta o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Tatiana Farah acrescenta quais serão os próximos passos para que o pacto seja concretizado. “Cumprir e ampliar o acordo de reconhecimento mútuo de operadores econômicos autorizados, eliminar barreiras ao comércio bilateral — especialmente em alguns setores específicos que precisam de atenção — e iniciar as negociações de um acordo de livre comércio entre Brasil e México”.

 Potencialmente, os setores aeroespacial, farmacêutico e agroexportador possuem margem para expansão no âmbito bilateral, o que pode reduzir a forte dependência comercial dos dois países em relação aos Estados Unidos e à China.
 

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