A Prefeitura de Boa Vista deu um novo passo na estratégia de monitoramento do Aedes aegypti por meio das ovitrampas. Após a instalação das armadilhas e o período de acompanhamento nas residências, as equipes da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ) passaram a recolher e analisar as palhetas onde os mosquitos depositaram os ovos.
A primeira etapa é a contagem dos ovos nas palhetas, realizada no laboratório da UVCZ. Segundo o coordenador Greiner Costa, esse levantamento permite identificar a presença e a distribuição do mosquito nas áreas monitoradas. Depois da contagem, o material é remetido à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para análises específicas.
“Na Fiocruz, os ovos serão examinados e, em seguida, será aplicado um teste de resistência ao inseticida recomendado pelo Ministério da Saúde, para avaliar o nível de resistência do mosquito. Esses resultados são essenciais para que a prefeitura defina as estratégias de controle mais adequadas para cada área”, afirmou.
Novas abordagens contra o Aedes aegypti
Com os dados fornecidos pela Fiocruz, a prefeitura poderá mapear os pontos com maior índice de infestação e escolher as ações de controle mais indicadas para cada um dos 14 bairros que receberam ovitrampas. Entre as novidades estão as estações disseminadoras de larvicida.
“Essas estações aproveitam o comportamento da fêmea do Aedes: ao pousar para depositar ovos, ela fica impregnada com o larvicida e pode levar a substância para outros recipientes. Assim, o larvicida atua no desenvolvimento das larvas nesses locais, reduzindo a possibilidade de surgimento de novos mosquitos”, explicou.
Participação da população é indispensável
Apesar do trabalho realizado pelos Agentes de Combate às Endemias (ACE), a colaboração dos moradores segue sendo fundamental. A cabeleireira Valdete Marques Lima, residente no bairro Cidade Satélite há sete anos, aceitou receber uma ovitrampa em sua casa e acompanhou as visitas das equipes nas últimas semanas.
“Eles me explicaram que era uma medida de prevenção, porque os casos no nosso bairro estavam aumentando. Aceitei. Quando vêm, eu abro o portão e recebo os agentes. Eles sempre orientam: se tem plantas, cuidar para não haver acúmulo de água”, contou.
A população deve manter quintais e áreas externas limpos, eliminar recipientes que possam acumular água e permitir o acesso dos agentes aos terrenos. Os profissionais sempre estão devidamente identificados durante as visitas.
Ainda não sabe o que são ovitrampas?
A estratégia das ovitrampas começou em agosto, com a instalação de 200 armadilhas em 14 bairros, e faz parte das ações permanentes de prevenção e controle de arboviroses em Boa Vista. A seleção das áreas considerou o cenário epidemiológico e a ocorrência de casos prováveis de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. Saiba mais.




