A Prefeitura de Boa Vista prestou homenagem aos Patrimônios Vivos do município no evento Patrimônio Criativo de Boa Vista: Tempo, Identidade, Inclusão Produtiva e Renda, realizado pela Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Entre os homenageados estão representantes das áreas de música, literatura, teatro, circo, gastronomia, fotografia, artesanato, além das manifestações das culturas populares e afro-brasileiras.
“Patrimônios Vivos são pessoas, mestres, grupos ou comunidades que preservam, praticam e transmitem saberes, tradições e expressões de geração em geração. Eles carregam a memória e as tradições de Boa Vista”, explicou a coordenadora de Patrimônio Cultural da FETEC, Carolina Viana.
Conheça os Patrimônios Vivos de Boa Vista
Carlos Alberto de Souza Fournier Filho – Tatá Bokulê

Gestor público, antropólogo e detentor de saberes tradicionais, Tatá Bokulê atua na valorização das práticas afro-brasileiras e de origem africana em Roraima. É dirigente do Abasà N’gola Ngunzu Tatà Bokulê, fundador da Companhia de Dança Afro Nganga Nzila e presidente da FUCABERR, além de participar de entidades dedicadas à preservação da memória e à promoção da igualdade racial.
Catarina de Fátima Ribeiro

Gestora comunitária, brincante e ouvinte atenta de mestres e mestras da cultura popular, Catarina é co-criadora da Rede de Culturas Populares e Tradicionais Confluência Roda de Prosa Roraima. Também integra o Pontão Roraima e a Rede Nacional de Culturas Populares e Tradicionais.
Chiquinho Santos
Compositor e defensor das manifestações populares, Chiquinho Santos chegou a Boa Vista em 1983 e desde então tem contribuído para o fortalecimento do carnaval e de outras expressões artísticas. Participou da organização e normatização dos desfiles das escolas de samba e do concurso de quadrilhas juninas, colaborou na criação do Sistema Municipal de Cultura e, em 2025, teve seu nome dado ao tablado do Boa Vista Junina.

“Sinto orgulho, junto com responsabilidade e humildade. Ao ser reconhecido como Patrimônio Vivo, percebo que as pessoas reconhecem que estou deixando algo valioso para as próximas gerações”, destacou Chiquinho.
Coletivo Cultural Afoxé Filhas e Filhos de Iemanjá

Criado em 2023 pelo Egbé Yewalê Bemy e pela comunidade, o Afoxé Filhas e Filhos de Iemanjá é um grupo de matriz afro-brasileira que, por meio da música, da dança e de ações formativas, valoriza a ancestralidade, a cultura negra e os saberes dos povos de terreiro, servindo também como espaço de resistência e pertencimento.
Denise Arnout Rohnelt de Araújo

Jornalista e pesquisadora da gastronomia amazônica, Denise atua na área desde 1997. Nos últimos 15 anos, dedicou-se ao estudo de ingredientes e práticas alimentares dos povos tradicionais da Amazônia. É colunista de gastronomia desde 2011 e já atuou como curadora, jurada e consultora em iniciativas relevantes do setor.
Elena Campo Fioretti

Professora, pesquisadora e gestora cultural, Elena dedica décadas à preservação da memória de Roraima. Participou da criação do Museu Integrado de Roraima, atuou na formulação de políticas públicas no estado e hoje dirige o museu, que voltou a funcionar após 12 anos sem sede institucional.
Eliakin Rufino
Poeta, compositor, professor e filósofo, Eliakin Rufino iniciou sua trajetória artística em 1984. Autor de 15 livros de poesia e de obras musicais, solo e com o Trio Roraimeira, recebeu homenagens como a Ordem do Mérito Cultural, o Prêmio Grão de Música, foi nomeado Doutor Honoris Causa pela UERR e agraciado com o Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes.

“Somos patrimônios vivos e contribuímos para a sobrevivência dos demais patrimônios: arqueológico, histórico, arquitetônico, cultural e artístico. Receber este título reconhece mais de 40 anos de trabalho em prol da cultura do meu estado e da minha cidade. Sinto-me honrado, sobretudo por ser uma homenagem ainda em vida”, afirmou.
Jorge Macedo

Fotógrafo com 43 anos de atuação na Amazônia, Jorge dedica-se a registrar manifestações culturais, a natureza e os povos de Roraima. Participou de expedições e projetos de documentação em áreas indígenas e arqueológicas, publicou em livros, jornais e revistas nacionais e internacionais e produziu mais de 15 documentários, contribuindo para a difusão de imagens do estado e da região.
Kalu Brasil

Cozinheira autodidata e descendente do povo Wapichana, Kalu Brasil nasceu na aldeia Juraci, em Amajari, e construiu mais de 50 anos de trajetória ligada à culinária. É uma das principais divulgadoras da gastronomia regional, levando sabores e saberes de Roraima a eventos no Brasil e no exterior.
Léo Malabarista

Leonildo de Assis Silva, conhecido como Léo Malabarista, é artista de circo. Iniciou sua carreira nos circos Bartolo e Garcia e depois formou-se na Academia de Artes Circenses Piolin, em São Paulo. Reconhecido como Mestre da Cultura Popular e premiado pela Funarte, hoje dirige o Circo do Seu Léo, oferecendo também oficinas de diversas modalidades circenses.
Luíza Carmem Brasil – Petita Brasil
Professora, escritora, artista plástica, artesã, produtora cultural e carnavalesca, Petita Brasil tem uma trajetória dedicada à educação e à valorização das expressões de Roraima. Foi pioneira na organização das festas juninas no Parque Anauá, atuou no Carnaval de Roraima e colaborou para a preservação da memória local, inclusive na iniciativa que resultou no tombamento da Casa de Cultura Madre Leotávia Zoller.

Aos 80 anos, Petita foi reconhecida por uma vida dedicada à preservação e à transmissão de conhecimentos. Para ela, o reconhecimento amplia a compreensão sobre o que é patrimônio.
“O patrimônio começa pelo povo, pela personalidade que essa pessoa representa para a sociedade. Significa ter cumprido a trajetória escolhida: valorizar a cultura de um povo. Espero que as novas gerações deem continuidade à língua, às práticas e à culinária”, ressaltou.
Márcio Sergino

Ator, diretor e professor formado pela Escola de Arte Dramática de São Paulo, Márcio Sergino chegou a Roraima no início dos anos 1990. Em 1993 fundou a Cia. Arteatro e, desde então, tem contribuído para a cena teatral local por meio de espetáculos, formação e iniciativas diversas. Atualmente participa da gestão do espaço multicultural Usina, Café e Cultura.
Marisa Bezerra

Antropóloga, atriz, produtora cultural, diretora teatral, arte-educadora e agente cultural, Marisa atua nas artes cênicas de Roraima desde 2005. Seu trabalho abrange criação, produção, formação e gestão, com projetos que usam o teatro como ferramenta de educação, inclusão social e fortalecimento da identidade roraimense.
Neuber Uchôa

Poeta e compositor, Neuber Uchôa é um dos fundadores do Movimento e do Trio Roraimeira, referências na formação da identidade artística do estado. Membro da Academia Roraimense de Letras e agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, dedicou sua trajetória às tradições, aos costumes, às belezas naturais e aos povos originários de Roraima.




