ApexBrasil intensifica estratégia de diversificação de mercado e estreia painel sobre tarifas dos EUA

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) fortaleceu a estratégia de diversificação dos destinos das exportações brasileiras diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos e lançou um painel de inteligência comercial para auxiliar as empresas a avaliarem os impactos dessas medidas e identificarem oportunidades em outros mercados.

De acordo com a agência, a resposta aos desafios tarifários baseia-se em ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados e fortalecer a defesa dos interesses dos setores produtivos brasileiros junto às autoridades norte-americanas.

Como parte da estratégia de apoio aos exportadores, a ApexBrasil lançou o Painel de Medidas Tarifárias dos EUA. Essa plataforma gratuita permite consultar, por código SH6 (seis primeiros dígitos da NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul) ou descrição do produto, se a mercadoria está sujeita a sobretaxas, possui isenções e quais mercados internacionais podem representar alternativas para exportação.

A ferramenta também reúne informações sobre a evolução das exportações entre Brasil e Estados Unidos, acompanhando medidas como as tarifas da Seção 232 (aplicadas sob justificativa de segurança nacional a setores como aço, alumínio e cobre), a tarifa temporária da Seção 122 (tarifa global de 10% adotada em fevereiro, após decisão da Suprema Corte Americana, com término previsto para o próximo dia 24) e as investigações comerciais da Seção 301 (sobre práticas comerciais brasileiras, com tarifa de 25% a partir de 22 de julho), oferecendo aos exportadores dados para subsidiar o planejamento de suas operações no comércio exterior.

Clique e acesse o painel.

Alguns setores continuam mais expostos às tarifas

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 19,1% em 2005 para 10,8% em 2025, segundo levantamento da ApexBrasil. No período, o número de estados que têm o mercado norte-americano como principal destino das vendas externas diminuiu de 17 para seis, enquanto a China passou a liderar em 14 estados.

Apesar da menor dependência, a exposição às tarifas varia entre setores. Enquanto o setor sucroalcooleiro destina apenas 2,6% das exportações aos Estados Unidos, produtos como mel natural (84%), filés de tilápia (94,3%) e sebo bovino (96,1%) concentram grande parte das vendas no mercado norte-americano e são mais vulneráveis às medidas tarifárias.

Durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (17), o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, reforçou que a agência acompanha de perto a evolução das medidas tarifárias dos Estados Unidos por meio de seu escritório no país e atua diretamente ao lado dos setores produtivos brasileiros na defesa de seus interesses.

“Estamos atuando diretamente com 20 setores, apoiando na elaboração dos materiais no processo do A 301, com dados de inteligência, posicionamento e dados técnicos e científicos, inclusive. Vamos continuar o trabalho junto com o setor privado brasileiro, as empresas e as entidades brasileiras na diversificação. Também trabalharemos com empresas e entidades americanas para ampliar as isenções nos Estados Unidos”, destacou.

A ApexBrasil vai investir pelo menos R$ 130 milhões, em parceria com associações e entidades, em programas da agência que fazem parte da estratégia de diversificação, a ser anunciada no início de agosto.

Müller ressaltou ainda que a agência trabalhará para ampliar a presença de produtos isentos no mercado americano.
A ApexBrasil treinou cerca de 20 setores produtivos para a defesa de seus interesses e ofereceu consultoria individualizada para dez deles elaborarem suas defesas técnicas e participarem de audiências públicas nos Estados Unidos. Entre os resultados está a exclusão dos quartzitos brasileiros da lista de produtos sobretaxados, conquista obtida pelo setor de rochas ornamentais.

Apesar desse cenário, o Brasil registrou recorde de US$ 348,3 bilhões em exportações em 2025.

Diversificação de mercados

A ApexBrasil estruturou sua atuação em diversas frentes para minimizar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, apostando na diversificação de mercados e na defesa dos interesses dos exportadores brasileiros.

No ano passado, a agência realizou mais de 80 ações de promoção comercial, conectando 2.400 empresas a novos mercados. Após a adoção das barreiras comerciais norte-americanas, 72% das empresas apoiadas conseguiram abrir pelo menos um novo destino para exportação.

A estratégia também prevê a ampliação de atuação em mercados como União Europeia, México, Canadá, América Central e Caribe.

]]>

Plugin WordPress Cookie by Real Cookie Banner
scroll to top