No HGR (Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento), o Núcleo de Fonoaudiologia desempenha papel fundamental no cuidado de pacientes com disfagia — condição marcada pela dificuldade de engolir que, se não identificada e acompanhada corretamente, pode trazer sérios riscos à saúde.
Presente em todos os setores da unidade, a equipe realiza triagem, avaliação e reabilitação dos pacientes internados, com atenção especial às UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), às enfermarias e à unidade especializada em AVC (Acidente Vascular Cerebral).
A atuação dos fonoaudiólogos no ambiente hospitalar é essencial para garantir a segurança alimentar e prevenir complicações. Por meio de avaliações clínicas, os profissionais identificam alterações na deglutição, orientam sobre a consistência adequada dos alimentos e, quando necessário, indicam vias alternativas de alimentação, como o uso de sondas. Esse acompanhamento contínuo reduz riscos como a broncoaspiração, que pode evoluir para quadros graves, como pneumonia.
“O trabalho da fonoaudiologia é muito importante porque a disfagia não é apenas um desconforto. Ela pode representar riscos sérios à saúde e até à vida quando não é identificada e tratada adequadamente. Avaliamos diariamente, fazemos triagem e reabilitação nos casos confirmados, evitando que o paciente desenvolva complicações maiores e possibilitando o retorno seguro à via oral”, afirmou a coordenadora da Fonoaudiologia do HGR, Manuela Gomes.
Além do atendimento direto ao paciente, a equipe também orienta familiares e cuidadores sobre o preparo correto dos alimentos, o posicionamento durante as refeições e os cuidados necessários para manter uma alimentação segura mesmo após a alta hospitalar.
QUAIS OS SINAIS?
A disfagia é a dificuldade de engolir alimentos, líquidos ou até a própria saliva e, quando não reconhecida e tratada, pode levar a complicações como desnutrição, desidratação e pneumonia por aspiração.
“A disfagia não é uma doença isolada; é um sintoma associado a condições de base — por exemplo, Parkinson, Alzheimer, AVC, sequelas de paralisia cerebral ou tumores de cabeça e pescoço. Nesse sentido, a disfagia surge como consequência de um diagnóstico pré-existente”, afirmou Manuela.
Ela ressalta a importância da identificação precoce de sinais de alerta, como engasgos frequentes, tosse durante ou após as refeições, sensação de alimento preso na garganta, dor ao engolir, alteração da voz, perda de peso sem causa aparente e pneumonias recorrentes. Esses sinais devem ser investigados. A disfagia pode afetar pessoas de todas as idades, desde recém-nascidos até idosos, sendo mais frequente em pacientes hospitalizados por doenças ou traumas.
“Engasgar não é normal e pode ser um sinal de disfagia. Ao perceber qualquer um desses sintomas, é fundamental procurar orientação profissional”, alertou Manuela.




