O aumento das tarifas dos Estados Unidos já impactou os pedidos em 69% das indústrias paulistas que exportam para esse mercado. É o que aponta uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Entre as empresas que registraram diminuição, 42,9% tiveram redução superior a 25% no volume de encomendas.
Os dados integram a nova edição da pesquisa Rumos da Indústria Paulista, que entrevistou 174 indústrias de transformação exportadoras de São Paulo no período entre 10 e 28 de agosto de 2026.
As sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos podem alcançar até 37,5% para produtos sujeitos simultaneamente às duas tarifas: uma adicional de 25%, vigente desde 22 de julho, e outra de 12,5%, aplicada a partir de 24 de julho.
Empresas ajustam preços e produção
Diante desse cenário, que eleva os custos de exportação, 28,6% das indústrias optaram por reduzir suas margens para absorver parte do impacto das tarifas. Outros 26,2% mantiveram os preços dos produtos e repassaram o custo adicional aos compradores norte-americanos.
Quanto à produção, 41,4% das empresas diminuíram o uso da capacidade instalada. O mesmo percentual afirmou ter renegociado preços com clientes afetados pelas novas tarifas.
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Segundo o estudo, apesar da redução nos pedidos, a maioria das empresas ainda não alterou seu quadro de funcionários. Esse é o caso de 55,2% das indústrias.
A manutenção dos empregos pode estar relacionada ao mercado de trabalho aquecido e à dificuldade na contratação de profissionais qualificados. A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, conforme a Pnad Contínua do IBGE. Nesse período, também foi atingido o recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas.
Dificuldade das empresas para substituir os EUA
O levantamento também revela que encontrar novos mercados para os produtos tem sido um desafio. Além dos Estados Unidos, os principais destinos das empresas incluem o Mercosul, mencionado por 66,7% dos setores, América Latina e Caribe, com 50%, e União Europeia, também com 50%.
Apesar da queda nos pedidos norte-americanos, 45,2% das empresas não consideram buscar novos mercados. Entre aquelas que avaliam essa possibilidade, 57,1% não definiram prazo para realizar a substituição integralmente.
Parte das indústrias tenta compensar a queda nas vendas aos EUA através do mercado nacional. Cerca de 40% já redirecionaram produtos para o mercado brasileiro. Porém, essa estratégia enfrenta dificuldades, pois 36% das empresas declararam não ter compradores nacionais para esses produtos.
Entre as que conseguiram transferir parte das vendas, o nível de absorção é variado. Para 28% delas, o mercado interno absorveu até 5% do volume destinado originalmente aos Estados Unidos. Em 24% dos casos, essa absorção foi integral.
Produção em outros países
Outra alternativa seria fabricar os produtos fora do Brasil para continuar atendendo os compradores norte-americanos. Contudo, essa opção não é considerada pela maioria das empresas.
Seis em cada dez empresas afirmaram não cogitar a produção no exterior. Já 21,4% relataram possuir unidades produtivas em outros países com capacidade para essa operação.
Quanto às estratégias prioritárias para combater os efeitos das tarifas, quase 70% das empresas mencionaram a negociação e o diálogo entre Brasil e Estados Unidos. A busca por novos acordos comerciais foi citada por 40,8% das indústrias, enquanto 38,2% defenderam medidas de desoneração fiscal e drawback.
A pesquisa da Fiesp ouviu 174 indústrias de transformação exportadoras do estado de São Paulo. Destas, 1,7% são microempresas, 55,2% pequenas, 33,3% médias e 9,8% grandes. Nas perguntas que permitiam múltiplas respostas, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%.



