Pão Araribóia reconhecido Patrimônio Cultural Imaterial de Boa Vista

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Presente nas mesas de várias gerações de boa-vistenses, o tradicional Pão Araribóia passa a integrar oficialmente a história e a identidade de Boa Vista. Após cinquenta anos de tradição, este ano o produto foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Boa Vista, valorizando um dos sabores mais queridos da cidade e garantindo a preservação de um legado construído ao longo de meio século.

O reconhecimento abrange não só a receita, mas também o saber-fazer, a trajetória e o papel do pão na formação da identidade cultural do município. Toda tradição tem um começo. A história de Araribóia Castelo no ofício de padeiro começou aos 16 anos, conquistando espaço nas mesas e na memória de uma Boa Vista da década de 1955.

 

Araribóia Castelo, o padeiro de Boa Vista

 

“Eu era menino quando comecei a trabalhar na padaria. No começo, eu abria o forno onde assavam os pães. Mais tarde, quando o padeiro foi embora, eu passei a fazer o pão porque já tinha aprendido. Trabalhei em muitos lugares e nunca parei. Na década de 1970 consegui comprar este prédio. Assava o pão de madrugada para entregar cedo nas casas dos clientes”, relatou Araribóia.

 

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As filhas mantêm o mesmo cuidado e qualidade na produção

 

Transmissão entre gerações

Com o tempo, a responsabilidade de preservar a tradição da padaria familiar passou para as filhas, que seguem zelando pelo cuidado e pela qualidade que caracterizam o Pão Araribóia, criado pelo pai. Ana Rita Menezes, 57 anos, conta que assumir o ofício não é tarefa simples, mas o apoio de netos, sobrinhos e irmãos é fundamental para manter a padaria em funcionamento.

 

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O pão preserva um legado de cinco décadas

 

“Crescemos aqui com meu pai e minha mãe trabalhando muito na padaria. Acordávamos e já havia cliente na porta. Eu morava em Manaus e voltei para assumir as responsabilidades porque, pela idade, meu pai já não dava conta sozinho. É uma função desafiadora, mas tenho o apoio da família e o carinho dos clientes. Meu pai é muito querido”, destacou ela.

 

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A padaria está na Avenida Benjamin Constant, no bairro São Vicente

 

Sabor de infância

Mais do que alimento, o Pão Araribóia carrega memória, cultura e sentimento de pertencimento. Ao longo dos anos, conquistou espaço no dia a dia da população, atravessando gerações e virando um dos símbolos de Boa Vista. O autônomo Aldecival de Souza, que era vizinho da padaria quando criança, lembra bem essa relação afetiva — mesmo morando hoje mais distante, o hábito permanece.

 

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O alimento valoriza um dos sabores mais afetivos da cidade

 

“Antes minha casa ficava ao lado da padaria, então todo dia eu vinha comprar pão caseiro cedo. Hoje moro no bairro Cauamé, um pouco mais longe, mas continuo garantindo meu pão. Mesmo com o passar dos anos, eles mantêm o processo tradicional e a qualidade de sempre. Para mim, o pão tem gosto de infância”, contou ele.

 

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Clientes de todos os bairros procuram o pão

 

Reconhecimento oficial

Depois de 50 anos de história, o Pão Araribóia recebeu uma homenagem condizente com sua importância para Boa Vista: o reconhecimento oficial como patrimônio ligado à memória e ao afeto dos moradores. Segundo Carolina Albuquerque, coordenadora do Patrimônio Cultural de Boa Vista, o espaço e o método de produção do pão são singulares na cidade.

 

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A família participa de todas as etapas da produção dos pães artesanais

 

“O principal impacto do reconhecimento oficial é o fortalecimento do valor cultural do Pão Araribóia, por ser uma tradição arraigada na cidade. Isso ajuda a proteger a prática e o modo de fazer o pão, além de dar visibilidade ao produto e ao espaço, reforçando a importância da nossa identidade cultural em Boa Vista”, afirmou ela.

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