FBI detém jovens suspeitos de orquestrar ciberataque em escala global

FBI detém jovens suspeitos de orquestrar ciberataque em escala global

A Polícia Federal da Austrália (AFP) e o FBI dos Estados Unidos prenderam dois jovens nesta quarta-feira (26), segundo um comunicado conjunto oficial. As autoridades apontam os detidos como líderes do grupo hacker TeamPCP, responsável por uma das maiores séries de ataques cibernéticos recentes. A ação ocorreu em Perth, na Austrália Ocidental, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

De acordo com investigações da AFP e com relatórios da empresa de segurança CloudSEK publicados neste mês, o grupo afetou diretamente mais de mil empresas e órgãos governamentais ao redor do mundo. Entre as redes comprometidas estão grandes nomes da tecnologia, como Amazon Web Services (AWS), Samsung Electronics, Cisco, Salesforce e o repositório GitHub, da Microsoft.

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“Esses indivíduos são considerados membros do grupo criminoso cibernético TeamPCP, cujo malware possivelmente comprometeu mais de mil organizações globalmente”, declarou Brett E. Leatherman, assistente da Divisão Cibernética do FBI, em nota enviada à imprensa internacional.

Os presos foram identificados como Ruben Ian Thomson, 21 anos, apontado pelas autoridades como um dos principais operadores, e Louis Michael Gaebler, 23 anos. Ambos respondem a 14 acusações formais relacionadas a crimes cibernéticos, invasão de sistemas, posse ilegal de dados e lavagem de dinheiro com criptomoedas.

A Justiça australiana negou fiança a Thomson por risco de destruição de provas, e os dois permanecerão detidos até a próxima audiência, marcada para o mês seguinte.

Representação visual da infraestrutura utilizada nos ataques (Reprodução/CloudSek)

Como funcionaram os ataques

O método do TeamPCP dispensou invasões diretas aos servidores centrais das empresas. Os criminosos adulteraram códigos de ferramentas públicas — projetos de código aberto usados por desenvolvedores globalmente para criar outros softwares. Assim, quando as empresas atualizaram esses componentes, acabaram instalando arquivos já modificados.

O malware atuou de forma discreta, coletando credenciais, chaves de ambientes na nuvem e senhas administrativas. Dados oficiais da AFP indicam que a ação resultou no roubo de mais de 500 mil senhas corporativas e na exfiltração de pelo menos 300 gigabytes de dados sensíveis. O custo de remediação para as organizações afetadas chegou a centenas de milhões de dólares.

Impacto na IA e nas plataformas

Um ponto-chave da campanha ocorreu em março, quando o grupo contaminou o LiteLLM, um componente open source que integra aplicativos corporativos a ferramentas de Inteligência Artificial (IA). O relatório da CloudSEK revelou que mais de 2.500 empresas tiveram ambientes expostos por essa vulnerabilidade.

Em maio, o grupo desviou 3.800 repositórios de código privados no GitHub após um funcionário instalar uma extensão corrompida no editor, segundo relatórios da Phoenix Security.

Para Charlie Eriksen, pesquisador da empresa de cibersegurança Aikido Security, a facilidade das ações evidenciou fragilidades da indústria de tecnologia.

“Eles não são um ator estatal, tampouco um grupo de cibercrime totalmente organizado ou puramente ideológico. Conseguiram demonstrar à Microsoft que havia negligência em termos de segurança”, afirmou Eriksen, em análise técnica publicada pela empresa.

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Gráfico com o número de downloads (Reprodução/Aikido Security) 

O chefe da AFP, Graeme Marshall, afirmou em entrevista coletiva reproduzida pela ABC News que as investigações seguem e que novos mandados podem ser executados nos próximos dias. A polícia apreendeu mais de 100 terabytes de arquivos dos computadores dos acusados para análise pericial.

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