Queda na intenção de consumo das famílias em agosto, indica CNC

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A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) retrocedeu 0,6% em agosto, na comparação com o mês anterior, considerando o ajuste sazonal. Com esse resultado, o índice alcançou 104,9 pontos, o menor nível desde março deste ano. Contudo, na comparação anual, houve um crescimento de 2,3%.

Segundo a pesquisa da CNC, a redução mensal ocorreu na maioria dos componentes analisados. A Perspectiva Profissional apresentou uma queda de 1,9%, completando três meses consecutivos de retração. Por outro lado, o indicador relacionado ao Emprego Atual avançou 0,1% no mês, acumulando crescimento de 1,9% em 12 meses.

Apesar das condições consideradas favoráveis no mercado de trabalho, a percepção das famílias sobre os próximos meses enfraqueceu. A parcela que avalia o emprego atual positivamente chegou a 42,9%, enquanto a avaliação favorável sobre a perspectiva profissional ficou em 48%, o menor percentual desde setembro de 2022.

O levantamento também revela perda de força na disposição para consumir. O Nível de Consumo Atual caiu 0,5% em agosto e ficou em 92,3 pontos, ainda abaixo da faixa de 100 pontos, considerada pela pesquisa como referência entre percepção positiva e negativa. Já a Perspectiva de Consumo recuou 0,2% no mês, embora permaneça 3% acima do resultado de agosto do ano passado.

Entre os componentes pesquisados, o Momento para Compra de Duráveis registrou queda mensal de 1,3%, mas apresentou o maior avanço na comparação anual, de 17,5%. De acordo com a análise da CNC, a inflação mais baixa dos bens duráveis contribuiu para a melhora em relação a 2025, mas as condições atuais de consumo começaram a limitar esse progresso.

 

Diferenças por faixa de renda

A redução da intenção de consumo afetou as duas faixas de renda analisadas. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o indicador ficou em 102,5 pontos, com queda mensal de 0,6%. Para aquelas com renda acima de dez salários mínimos, o índice chegou a 117,4 pontos, também apresentando retração de 0,6%.

Na comparação com agosto de 2025, as famílias de menor renda apresentaram o maior crescimento da ICF, de 2,5%, contra um avanço de 1,6% entre as famílias com rendimento superior a dez salários mínimos. A Perspectiva Profissional foi o principal destaque negativo em ambos os grupos, com quedas anuais de 10,6% e 7,3%, respectivamente.

Os resultados indicam que, embora a intenção de consumo permaneça acima do nível observado no ano passado, a maior cautela quanto à estabilidade do emprego passou a influenciar as decisões das famílias. O cenário também interrompeu parte do avanço verificado nos últimos meses na disposição para compras, especialmente de bens de maior valor.

 

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