Os indicadores da indústria brasileira apresentaram em sua maioria resultados positivos em junho de 2026, conforme levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No entanto, as variações foram pequenas em comparação a maio e não alteraram o cenário predominante no primeiro semestre. Em relação ao mesmo período de 2025, a maior parte dos indicadores registrou queda, refletindo o desaquecimento da atividade industrial.
Somente a massa salarial e o rendimento médio apresentaram avanços na comparação semestral, impulsionados pelo aquecimento do mercado de trabalho que pressiona os rendimentos.
Para a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, a indústria permaneceu praticamente estável devido ao elevado nível dos juros.
“Isso se deve muito ao contexto de juros elevados, em um ambiente onde o patamar de endividamento da população está bastante alto, tanto para famílias quanto para empresas. Esse cenário contribui para uma desaceleração da demanda e para um comportamento mais cauteloso dos investimentos e da expansão das plantas produtivas”, afirma.
Outro fator de pressão, segundo Nocko, é a forte entrada de produtos importados, sobretudo bens de consumo, no mercado brasileiro.
“Essa expressiva entrada de bens de consumo, e de outros tipos de bens também, acaba pressionando a capacidade dos empresários industriais de repasse dos seus custos. Assim, é um ambiente de grande pressão sobre as margens que os empresários continuam enfrentando ao longo deste semestre”, destaca.
Faturamento cresce em junho, mas recua no semestre
O faturamento real da indústria de transformação aumentou 0,8% entre maio e junho de 2026, completando oito meses consecutivos sem resultados negativos. Na comparação com junho do ano anterior, o crescimento foi de 7,3%.
Apesar do desempenho positivo no mês e no comparativo anual, o indicador acumulou queda de 1% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
Horas trabalhadas ficam praticamente estáveis
O número de horas trabalhadas na produção industrial registrou um leve aumento de 0,2% entre maio e junho de 2026, mantendo-se praticamente estável no período. Na comparação com junho de 2025, o indicador cresceu 0,7%.
No acumulado do primeiro semestre, as horas trabalhadas caíram 1,1% frente ao mesmo período do ano anterior.
Para Larissa Nocko, os resultados positivos de junho ainda não são suficientes para indicar uma retomada da atividade industrial.
“Quando analisamos o contexto geral, a indústria permanece em estabilidade ou sem avanços significativos. Na comparação do primeiro semestre de 2026 com o de 2025, os indicadores mantêm queda da atividade industrial”, ressalta.
Emprego industrial recua na comparação anual
O emprego industrial cresceu 0,2% em junho, em relação a maio. Contudo, o resultado não foi suficiente para reverter as perdas observadas em períodos mais longos.
Em comparação com junho de 2025, o emprego industrial recuou 0,4%. No acumulado do primeiro semestre de 2026, a queda foi de 0,6% frente ao mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, a massa salarial apresentou desempenho positivo, crescendo 0,9% entre maio e junho, avançando 0,5% na comparação anual e acumulando alta de 0,8% no primeiro semestre frente ao mesmo período do ano anterior.
Rendimento médio mantém trajetória de alta
O rendimento médio real dos trabalhadores da indústria cresceu 0,6% na passagem de maio para junho de 2026.
Na comparação com junho de 2025, a alta foi de 0,9%. No acumulado do primeiro semestre, o avanço chegou a 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Junho mostra queda da Utilização da Capacidade Instalada
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) na indústria de transformação reduziu-se de 77,4% em maio para 76,8% em junho de 2026, uma diminuição de 0,6 ponto percentual.
Na comparação com junho de 2025, a queda foi de 2,3 pontos percentuais. No balanço do primeiro semestre de 2026, a UCI ficou 1 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
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