Quase dois terços das empresas brasileiras enfrentam dificuldades para controlar as finanças em tempo real. O problema afeta 63% dos negócios — o que representa 12,6 milhões de pequenas e médias empresas —, de acordo com a 2ª edição do Panorama da Gestão de Despesas Corporativas, pesquisa realizada pela Conta Simples em parceria com a Visa.
O estudo indica que, apesar de o dinheiro entrar e sair diariamente do caixa de 45% das empresas, a falta de visibilidade e previsibilidade sobre as finanças permanece como um desafio. Em relação a 2024, o percentual de empresas sem monitoramento financeiro em tempo real aumentou oito pontos percentuais, subindo de 55% para 63% no final de 2025.
Conforme a pesquisa, o modelo tradicional de fechamento mensal tem perdido espaço diante de um cenário marcado pelos pagamentos instantâneos. Atualmente, 86% das empresas utilizam o Pix e 71% adotam cartões corporativos.
Segundo o CEO e cofundador da Conta Simples, Rodrigo Tognini, a digitalização transformou a dinâmica da gestão financeira, porém exige mecanismos de controle mais sofisticados.
“A velocidade não pode justificar a perda de governança. Hoje, a maturidade financeira é definida pela capacidade de orquestrar e gerenciar transações em grande escala, independentemente do nível de descentralização”, afirma ele.
Controle ainda acontece com atraso
A pesquisa também revela que 60% das empresas não acompanham nem aprovam despesas em tempo real, um aumento de cinco pontos percentuais em relação a 2024.
De acordo com o estudo, a digitalização resolveu o problema do “como pagar”, mas ampliou o desafio do “como acompanhar”. Quando o controle é realizado apenas no fechamento mensal, o panorama financeiro já chega defasado, elevando o risco de decisões baseadas em dados desatualizados.
Para a vice-presidente da Visa, Marcela Pinori, a expansão dos meios de pagamento digitais ampliou o nível de governança exigido das empresas.
“A tecnologia precisa atuar como uma ferramenta de antecipação, não só digitalizando a transação, mas estruturando o fluxo e conectando pagamentos a regras claras de monitoramento e controle para apoiar decisões estratégicas de crescimento”, destaca.
Tognini ressalta que o impacto da falta de controle vai além da rotina operacional. “A empresa passa a reagir em vez de decidir. Visibilidade devolve tempo e gestão, elementos que impulsionam o crescimento com estabilidade”, comenta o executivo da Conta Simples.
Cartões corporativos ainda são pouco estruturados
O levantamento aponta que o avanço dos meios digitais ainda convive com fragilidades na gestão das despesas. Apesar do aumento no uso dos cartões corporativos, 58% das empresas concentram as operações em apenas um ou dois cartões. Além disso, 51% não definem limites de gastos por área ou finalidade, o que reduz a previsibilidade e enfraquece a governança financeira.
Segundo Tognini, a fragmentação das despesas entre diferentes bancos e meios de pagamento dificulta a consolidação das informações e mantém processos demasiadamente dependentes de planilhas.
“No tempo real, esse modelo simplesmente não é sustentável. É impossível manter processos manuais atualizados diariamente em um cenário operacional cada vez mais dinâmico”, observa.
Para Marcela Pinori, os cartões virtuais aparecem como uma alternativa para aprimorar o controle financeiro. Emitidos instantaneamente para distintas áreas, equipes ou projetos, eles permitem acompanhar os gastos com maior precisão e transparência.
“Não basta apenas digitalizar a transação. É fundamental estruturar o fluxo. Empresas que conectam pagamento, limites e leitura contínua reduzem atritos e ganham previsibilidade operacional”, enfatiza a vice-presidente da Visa.
Crédito assume função estratégica
O estudo também demonstra o papel estratégico do crédito nas empresas. Atualmente, 37% dos negócios já associam o uso de crédito a investimentos planejados, indicando que a gestão financeira ultrapassa o âmbito operacional para apoiar decisões de crescimento.
Para Tognini, o diferencial competitivo reside na integração entre meios de pagamento e mecanismos de governança. “Transformar o fluxo financeiro em leitura contínua permite antecipação. Quem enxerga primeiro, decide melhor — o que se traduz em vantagem operacional”, conclui.
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