Referência em educação ambiental e consciência ecológica entre os jovens de Boa Vista, o programa Dedo Verde comemorou 33 anos nesta terça-feira, 14. A celebração aconteceu pela manhã no Horto Municipal e reuniu participantes, familiares e autoridades.
Instituído em 1993, o projeto atualmente atende 119 adolescentes e jovens de 14 a 17 anos. Em mais de três décadas, mais de 21 mil pessoas já passaram pelo programa, segundo a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Nathália Cortez.
“São 33 anos de um trabalho que alcança não só os jovens, mas também suas famílias, fortalecendo vínculos e incentivando o cuidado com o meio ambiente. É uma ação desenvolvida com dedicação por uma equipe composta por psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e educadores, que acolhem e valorizam esses jovens”, afirmou a secretária.
Aos 17 anos, Brenda Kayany já se prepara para encerrar sua participação no próximo ano. Incentivada pela mãe, entrou no programa aos 14 sem maiores expectativas e encontrou amizades e aprendizados que pretende levar para a vida toda.
“Vou ter que sair por causa da idade, embora eu não quisesse. Estou cursando técnico em enfermagem agora, mas levarei tudo o que aprendi aqui. Se houver oportunidade, gostaria de trabalhar no programa no futuro”, contou a jovem.
O encerramento de um ciclo é o início de outro
Ao deixar o projeto, Josiane Sales não sentiu um adeus definitivo. Hoje, trabalhando como educadora social há seis anos, ela relata sentimento de gratidão e pertencimento.
“Procuro transmitir tudo o que aprendi para eles. Quando os jovens se formam e entram no mercado de trabalho, ficamos muito orgulhosos. Eles são meus tesouros; este lugar é minha segunda casa”, destacou Josiane.
No Dedo Verde, os participantes aprendem cultivo de plantas, compostagem e uso de plantas medicinais, além de desenvolverem consciência ambiental e cidadania. Entre os benefícios oferecidos estão vale-transporte, fardamento, lanche, almoço, cartão do bem, bolsa-auxílio de R$230,00, além de acompanhamento psicossocial e pedagógico.
Participar do Dedo Verde vai além do aprendizado técnico: contribui para a formação pessoal e social de cada jovem. É o caso de Luana Libório, hoje analista de pessoas e ex-participante. Aos 14 anos, enquanto cuidava da mãe, encontrou no projeto uma chance de aprendizado e crescimento, superando a timidez e aperfeiçoando sua comunicação.
Durante quatro anos, Luana participou de oficinas, aprendeu trabalhos manuais e conquistou mais autonomia. “Tenho muita saudade daqui. Hoje os desafios para jovens são grandes, então o programa orienta para escolhas melhores. A bolsa também ajudou — tanto para despesas pessoais quanto para formação. Fiz cursos profissionalizantes e pude ajudar muito em casa”, relatou.




