Diminuição da jornada de trabalho pode resultar em perda de R$ 76,9 bilhões no PIB do Brasil

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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode registrar uma queda de 0,7% caso o Congresso Nacional aprove a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. Esse percentual corresponde a uma perda estimada de R$ 76,9 bilhões para a economia nacional. As informações são de um estudo inédito divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com a pesquisa, a indústria será o setor mais afetado, com uma retração de 1,2% no PIB — equivalente a R$ 25,4 bilhões. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica que esse impacto ocorre porque a indústria concentra grande parte dos empregos formais, que tendem a ser os mais prejudicados pela diminuição da jornada de trabalho.

“Além disso, a indústria é um setor altamente integrado; existem vários encadeamentos entre os diferentes segmentos industriais. Portanto, os efeitos do aumento dos custos se acumulam [ao longo da cadeia produtiva]. Por fim, a indústria está mais exposta à competição internacional e, por isso, o aumento de custos e a perda de competitividade a afetam mais”, esclarece.

Outros setores também devem apresentar perdas:

  • Comércio: redução de 0,9% (R$ 11,1 bilhões)
  • Serviços: queda de 0,8% (R$ 43,5 bilhões)
  • Agropecuária: retração de 0,4% (R$ 2,3 bilhões)
  • Construção: redução de 0,3% (R$ 921,8 milhões)

Ricardo Alban, presidente da CNI, alerta que o impacto sobre a indústria pode acelerar a desindustrialização do país, afetando toda a cadeia produtiva. “A consequência será a perda de competitividade dos produtos nacionais. Assim, nossa indústria perderá participação no mercado interno e externo, devido à redução das exportações e ao aumento das importações”, ressalta.

Impactos na produção e nos preços

O estudo também aponta que a diminuição da jornada de trabalho tende a elevar o custo do trabalho necessário para manter os níveis atuais de produção. Como consequência, pode ocorrer um aumento generalizado dos preços ao longo da cadeia produtiva. Esse efeito alcançaria desde insumos e matérias-primas até bens e serviços destinados ao consumidor final.

Marcelo Azevedo destaca que o aumento dos custos trabalhistas tende a reduzir a competitividade da economia nacional.

“Essa perda de competitividade dos produtos brasileiros leva a mais importações e menos exportações. Isso resulta em redução da produção e da renda e, consequentemente, em .”

Além da possível redução da renda, os trabalhadores também podem ser afetados pelo aumento dos preços ao consumidor final. Outro levantamento da CNI indica que os preços ao consumidor podem subir, em média, 6,2% caso a jornada semanal seja reduzida para 40 horas.

Entre os principais aumentos previstos estão as compras em supermercados (+5,7%), alimentação fora de casa (+6,2%), produtos industrializados (+6%) e roupas e calçados (+6,6%). No setor de serviços, a alta média pode alcançar 6,5%.

Discussão aprofundada

A CNI acompanha propostas em tramitação no Congresso Nacional que tratam da redução da jornada, como a PEC 148/2015 e a PEC 8/2025.

O presidente da entidade defende que o tema não seja votado precipitadamente, especialmente em ano eleitoral, e que haja um debate mais profundo e transparente com a sociedade e os setores produtivos.

“A história recente da relação entre capital e trabalho sempre envolveu uma transição gradual entre a melhoria das condições laborais e a redução da jornada, baseada em negociações e entendimento. Queremos agir dessa forma, mas de maneira sustentável. É necessário aumentar a produtividade, pois ninguém duvida que é ela que determina melhores condições de trabalho”, afirma Ricardo Alban.

Para Marcelo Azevedo, a análise técnica é essencial para entender as diferentes consequências que a redução da jornada pode trazer para consumidores e empresas.

“Pequenas empresas terão impactos distintos daqueles observados em médias. Os efeitos também variam conforme regiões e setores — não apenas na indústria. Portanto, à medida que essa discussão evoluir, será fundamental avançar no debate sobre medidas para mitigar os impactos negativos e garantir uma transição adequada”, ressalta Azevedo, enfatizando a necessidade de mais tempo para aprofundar o debate.

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